sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Coraline e o mundo fantástico de nossa infância

A alguns dias atrás resolvi passar na locadora de video e pegar alguns filmes para me entreter durante o decorrer da semana. Como havia uma promoção boa para a locação de 3 ou mais filmes, resolvi apostar em alguns e como já estava a tempos com vontade de assistir a animação que dá título ao post de hoje, não titubeei quando vi que o mesmo estava disponível e inclui o título entre os três que deveria locar. E que grata surpresa com a escolha!

A animação se utiliza da técnica de stop motion, onde cenários e personagens são filmados e reorganizados a cada quadro a fim de que, na plotagem final a sensação de movimento seja percebida. Além disso, quando lançada nas salas de cinema, a animação possuía cópias que se utilizavam da tecnologia 3D ( a qual infelizmente não pude avaliar neste filme) e ainda em algumas cópias especiais em DVDs/Blue Rays importados podemos encontrar também este possibilidade.

A linha básica da história de "Coraline" é baseada em um livro de ficção infantil de mesmo nome de autoria de Neil Gaiman, famoso por quadrinhos/histórias de linhas mais adultas como Sandman e Star Dust. A história narra a mudança de uma garotinha e seus pais para um novo apartamento/vizinhança e o "sofrimento" da garotinha em virtude do distanciamento com os pais, sempre muito ocupados com seu trabalho. É ai que a garotinha começa a explorar os cantos mais obscuros de sua nova casa e descobre uma pequena porta que a leva a um mundo "alternativo" ao seu, onde seus pais são sempre muito atenciosos, estão sempre dispostos a brincar e a fazer suas vontades. O único inconveniente é que eles possuem botões de camisas costurados ao invés de olhos. A partir desta descoberta, Coraline começa a ver o quão arriscada pode ser a vida "do outro lado" e tem alguns desafios a enfrentar para se livrar deste mundo.

Durante a narrativa, Gaiman vai nos brindando com personagens estranhos e bizarros (desde um excêntrico domador de um circo de ratos até um gato preto deveras misterioso) e com histórias que nos fazem relembrar a infância, nossos medos desta época (solidão, rejeição, indecisão, etc.) e também as alegrias que nesta época surgem com as descobertas sendo feitas dentro de nossa própria casa e da nossa imaginação de sonhos e mundos perfeitos. Mas ao que me parece, a animação tece uma pequena linha sobre o relacionamento entre pais e filhos, quando muitas vezes os pais enterrados em seus afazeres deixam de acompanhar o crescimento de seus filhos e criam um grande abismo em sua relação, sendo por vezes muito responsáveis, muito adultos e esquecendo que crianças devem, no final das contas, aproveitar e brincar enquanto a idades os permitem, mas mais do que isso, crianças devem sonhar!

Enfim, Gaiman nos brinda com a história infantil mais adulta dos últimos tempos (com referências a Alice no País das Maravilhas), com belíssima fotografia, trilha sonora e narrativa cativante. Esta é a dica para os que assim como eu, insistem em não envelhecer e adoram uma animação bem feita, que nos emocionam a cada minuto de duração.

Um comentário:

  1. Baita animação! Direção de arte impecável. Falando em direção, este filme foi dirigido por Heny Selick, mesmo diretor de O Estranho Mundo de Jack, uma das melhores animações do gênero até hoje e que teve Tim Burton como roteirista e produtor.

    ResponderExcluir