terça-feira, 13 de outubro de 2009

Filme de vampiro fugindo do rótulo atual

Deixa Ela Entrar, filme de terror sueco de 2008 do diretor Tomas Alfredson estreou em circuito não muito grande aqui no Brasil na semana passada e já tem dado o que falar por apreciadores da sétima arte em sua essência e por quem curte um filme de terror que foge do convencional, não compactuando com as última aparições dos dentuços no cinema e nas séries televisivas (como mais recentemente em "Crepúsculo", "True Blood" e em "The Vampire Diaries").

Não é mais novidade para ninguém que a figura enigmática e assustadora dos vampiros atrai o subconsciente humano e mais do que isso, são tratados quase como figura mitológicas nos diversos filmes/seriados disponíveis. Mas quase sempre falta um algo a mais nas obras cinematográficas/televisivas (excepções existem como por exemplo "Entrevista com o Vampiro"). Mas nesta obra sueca o tom que faltava foi encontrado. O filme é muito mais centrado nas relações humanas e no desenvolvimento dos personagens do que propriamente em mostrar presas e ataques "vampíricos" por ai. Deixando esta introdução um pouco de lado, vamos ao filme.

No começo somos apresentados a um garoto de nome Oskar, de aparência frágil e inocente que está sempre recebendo trotes e mals tratos por parte de seus colegas de escola. Além disso, tem os pais separados, e a mãe me parece ausente em grande parte dos acontecimentos narrados no filme. Oskar sempre pensa em revidar e como o faria, mas não tem coragem para tal. Até em virtude deste contexto, o garoto parece não possuir amigos no seu circulo de convivência. Isto muda quando ele vê a chegada de um senhor com uma menina em seu condomínio como um ponto de fuga. É neste ponto que somos apresentados a Eli, a vampira do filme, uma garota da mesma idade dele (aparentemente ao menos) e que tem um comportamento um tanto quanto estranho, pois não sente frio, só pode sair de casa a noite e tem habilidades que uma criança não teria. E o filme se dá com o crescimento do relacionamento entre as duas crianças e o isolamento que este acaba por acarretar a vida de ambos. Mesmo suspeitando da real natureza da garota, Oskar parece não se importar e continua a cultivar cada vez mais os laços de amizade/afeto com ela. E é exatamente esta complexidade dos personagens que faz o filme e não os efeitos especiais ou romances shakespeareanos presentes nos filmes de hoje em dia! Soma-se a tudo narrado até então a maravilhosa fotografia de uma Suécia fria, nevada e de muitos anos atrás e tem-se a exata sensação de como seria a vida na época no país.

Enfim, vale a dica para os aficionados por cinema, para os fãs do gênero terror/vampiros e enfim, quem procura algo fora do olhar hollywoodiano de hoje em dia. E depois, não esqueçam de deixar suas opiniões na caixa de comentários do balaio.

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