quinta-feira, 14 de abril de 2011

Em busca da casta perdida (ou não)

Ultimamente tenho lido muito que no mundo do vinho é incessante a busca por uma casta que se torne emblemática daquele país ou região como forma de alavancar vendas/marketing de um determinado país. E este assunto começou a me intrigar/instigar e comecei a ler muito, pesquisar e também discutir com amigos sobre quais suas opiniões sobre o assunto. Achei que daria assunto pra um post e aqui estamos. Eu sei que o trocadilho do título ficou horrível mas, estou tentando!

Quando este assunto vem a mente, não podemos deixar de citar três casos que pra mim são emblemáticos no quesito sucesso quando se fala do uso de uma casta como representante maior de um país e/ou região, que são eles: a malbec na Argentina, a carmenére no Chile e a pinotage na África do Sul. Muitos incluiriam um quarto caso ai, mas eu ainda não consegui reunir suficiente conhecimento/informações para julgá-lo então deixarei ele um pouco de lado, neste caso a história do Uruguai e a uva tannat. Nos três primeiros casos é nítido que todo o esforço para a celebração em torno de uma uva como icônica do país gerou um retorno, tanto de qualidade em alguns vinhos mas também de público que comprou a idéia e já tornou tais países sinônimos de “suas” respectivas uvas. Na Argentina, a malbec surgiu depois de ter sido devastada na Europa após a filoxera, caso semelhante ao da carmenére, que muitos diziam estar extinta. Já a pinotage é fruto de um cruzamento entre pinot noir e cinsault, tendo se adaptado muito bem no continente africano e gerado vinhos muito interessantes. Nestes casos, entendo que a escolha de uma uva símbolo é benéfica, porém com ressalvas. Ou você nunca provou um excelente cabernet sauvignon argentino, um fresco e cítrico sauvignon blanc chileno e assim por diante?

Por outro lado vejo uma discussão acalorada e, até o momento sem vencedores, sobre Portugal e a touriga nacional. De um lado aqueles que defendem que esta casta deva ser usada para mostrar ao mundo o quanto os vinhos de Portugal saltaram em qualidade, de outro os defensores dos “terroirs” portugueses, como o Dão, Bairrada, Alentejo e assim por diante. E acho que desta vez eu estou do lado dos que defendem a diversidade para Portugal. Como poderíamos deixar de lado os potentes vinhos de Bairrada da uva baga? Ou os lindos e aromáticos cortes utilizados pelos produtores do Alentejo? Ou mesmo como esquecer das muitas (e ponha muitas nisso) outras castas autóctones portuguesas que tem se mostrado muito ricas e gerado excelentes vinhos? E o que dizer dos vinhedos de vinhas velhas, onde é muito difícil que se possa separar qual uva está plantada no local?

Ainda do lado das discussões intermináveis e sem vencedores, eu poderia citar o Brasil também. Muitos defendem que seríamos o país da Merlot, pois segundo especialistas (ou nem tanto) a uva tem se adaptado de forma muito interessante em alguns locais principalmente do Rio Grande do Sul e por isso, poderíamos nos basear nisto para alçarmos esta casta como a mais emblemática no Brasil. Mas, pensem comigo, e no caso do nosso clima extremamente tropical, muito calor ao longo do ano e nossos espumantes de muito boa qualidade? Seriam simplesmente esquecidos em virtude da Merlot? Eu, como consumidor e estudioso, entendo que não. Creio que o salto de qualidade e os investimentos devem sim estar direcionados na confecção de espumantes cada vez melhores e por que não no desenvolvimento de novos “terroirs” como São Joaquim, em Santa Catarina que tem se mostrado um excelente local para elaboração de vinhos de qualidade, na minha opinião.

O post pode parecer meio “sabonete” e não pender pra lado nenhum. Mas este é mesmo o intuito deste “artigo”. Eu quero mesmo é sucitar a discussão e a troca de informações com meus leitores, amigos, visitantes, etc. E vocês, qual suas opiniões sobre o assunto?

Viva a diversidade!

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