Friday, September 6, 2013

O consumo moderado de vinho pode prevenir a depressão?

Em mais um novo estudo referente a saúde e o consumo de vinho, foi constatado que o consumo moderado de álcool (vinho de preferência) pode reduzir a incidência de doenças mentais nos indivíduos, tais como a depressão. O número de pessoas que consomem álcool está crescendo. A depressão é a perturbação mental mais notória no mundo, com um sensível aumento no número de diagnósticos nos últimos tempos. Mas estariam estes dois números intrinsecamente ligados? Segundo um novo estudo, as pessoas que bebem vinho com moderação podem realmente sofrer menos casos de depressão.

O estudo, realizado por uma equipe dos melhores médicos preventivos e clínicos da Espanha, observa que a presença simultânea de problemas relacionados ao álcool e a depressão é comum. Mas uma pesquisa anterior também desta equipe mostra que os consumidores de vinho tendem a ser mais saudáveis. Os cientistas queriam testar se tais benefícios à saúde podem afetar também o bem-estar mental. Por exemplo, doenças cardiovasculares e a depressão compartilham algumas características fisiológicas, e o vinho é tido como um auxiliar da saúde do coração de forma bem estabelecida.

Para testar suas idéias, a equipe puxou dados de saúde a partir de 5505 homens e mulheres que participaram de um estudo maior chamado PREDIMED, que analisa o impacto da dieta mediterrânea em doenças do coração. Nenhum dos participantes relataram depressão, problemas com álcool ou outras doenças notáveis ​​quando se juntaram ao estudo. Depois de um acompanhamento de sete anos, os pesquisadores notaram quantos indivíduos foram clinicamente diagnosticados com depressão e analisaram seus hábitos de consumo de álcool . Eles descobriram que o consumo moderado de álcool, dentro do intervalo de 5 a 15 gramas por dia, ou cerca de uma porção, está associado com uma possibilidade de 28 por cento inferior de incidência de casos de depressão. E o consumo de vinho na gama de 2 a 7 taças por semana foi associado a uma taxa de 32 por cento inferior de incidência de casos de depressão. Ainda segundo este estudo, o consumo do álcool e do vinho propriamente dito só viria a ajudar pessoas que ainda não se encontram em um estado depressivo, sendo pouco ou nada efetivo no caso de pessoas que já se encontram em depressão. Finalizando ainda este estudo, os médicos responsáveis dizem que os resultados podem ser extrapolados para fora da Espanha.

Nem todos concordam com as conclusões. Em uma revisão dos resultados, um hematologista do Centro Médico da Universidade de Boston, disse que ele não há como traçar um paralelo fisiológico entre doença cardiovascular e depressão em relação ao consumo de álcool. "Beber é muitas vezes um sintoma de depressão, provavelmente uma tentativa de auto-medicação, e desenhar um significado mais profundo a partir da fusão dos dois parece-me insustentável ", disse ele.

Os cientistas espanhóis têm algumas teorias para seus resultados. É possível que as pessoas que bebem vinho desfrutem de uma saúde mental melhor, por razões de estilo de vida não relacionados. Além disso, o resveratrol, composto encontrado comumente no vinho tinto é teorizado por possuir propriedades neuro protetoras. "Neuro proteção aplicada ao hipocampo pode impedir que consumidores moderados de vinho desenvolvam depressão", diz o estudo. Investigações anteriores sugerem que o hipocampo pode desempenhar um papel no desenvolvimento da depressão grave. 

No entanto, o estudo observa que a incidência da depressão pode ser avaliada de forma imprecisa. "Se os consumidores pesados ​​eram menos propensos a procurar cuidados médicos, isso poderia resultar porcentagens subestimadas de depressão entre estes consumidores, por exemplo​​", concluíram os estudos.


Reportagem origialmente publicada em www.winespectator.com

Champagne & Apple: harmonização impossível?


Que Champagne é o nome da região mais famosa de vinhos espumantes do mundo e  que seus vinhos são os mais reverenciados para situações festivas, acho que ninguém vai discordar. É também um lugar onde o velho dito "a imitação é a forma mais sincera de lisonja" nunca foi levado em consideração quando falamos de sua marca. E olha que oportunistas de plantão não faltam. Sempre em meio a contratempos pelo nome e pela utilização do mesmo, dois recentes episódios ressaltam aos olhos e foram destaque na mídia.


Primeiro, no início deste mesmo ano, quando a Casa Branca lançou um menu de inauguração descrevendo acidentalmente como Champagne, uma garrafa de vinho de algum lugar dentro da região mais conhecida vinícola dos EUA, a Califórnia.


E então, o mais recente imbróglio, desta vez com a gigante do mercado de eletrônicos e de comunicação, a Apple e seu novo Iphone 5S, um produto vindo da China (e não da França). A Apple ainda está definindo a estratégia de lançamento deste novo produto, mas segundo vazamentos "extra-oficiais", videos e fotos mostram que o produto terá uma nova cor, que até então se chamaria "Champagne". Ainda segundo publicações internacionais, já existem comentários em tom de desaprovação vindos de pessoas do alto escalão das associações de representantes dos vinhos de Champagne. Para eles, primeiramente o vinho espumante Champagne não possui uma única cor, o que por si só já invalidaria a iniciativa da Apple. Depois, segundo estas pessoas, quem se utiliza do nome Champagne para uma determinada cor estaria se apropriando de todo o benefício e mito que existe ao redor do rótulo no mundo. E olha que para eles, não existe qualquer problema em ingressar ações litigiosas contra a Apple ou qualquer outra empresa, principalmente de fora do mundo vinícola, como em perfumes, cremes dentais, água mineral para animais de estimação, roupas intimas e sapatos, por exemplo.

O jeito vai ser esperarmos até o lançamento do novo Iphone pra ver se a Apple comprou ou não esta briga. E você caro leitor, o que acha do caso? De que lado você fica?

Até o próximo!

Thursday, September 5, 2013

Angelica Zapata Malbec Alta 2009

Falar sobre a Bodega Catena Zapata ou mesmo da família Catena Zapata é o mesmo que chover no molhado. Talvez a uva Malbec na Argentina? Também seria muita repetição de assunto. Então como começar o post desa vez? Sinceramente não tive muita idéia. Opa, no entanto acho que estes pensamentos acabaram gerando um parágrafo introdutório, não é verdade?


Mais uma jantinha especial ao lado da família já é por si só um motivo mais do que óbvio para abrimos um grande vinho e portanto, foi isto que fizemos na noite de ontem. E a combinação escolhida não poderia ser mais clássica do que uma bela peça de carne assada com brócolis cozido no vapor e batatas rústicas de acompanhamento com um Malbec argentino de peso. E o escolhido da noite fora o Angelica Zapata Malbec Alta 2009. Este vinho é um exemplar 100% Malbec com uvas colhidas em vários vinhedos de propriedade da Bodega em Mendoza, na Argentina. Além disso, passa por 18 meses em barricas francesas das quais metade são novas. Possui teor alcoólico de 14%. Vamos então as impressões sobre o vinho.

Na taça uma bonita cor violácea de grande intensidade e brilho com quase nenhuma transparência, dando uma impressão quase que de tinta preta se olhada em um local com pouca iluminação. Complementavam o aspecto visual algumas lágrimas finas, levemente mais lentas e com alguma cor.

No nariz o vinho abriu numa combinação de frutas escuras e vermelhas em compota, seguidos de notas florais, toques de especiarias e lembrança de chocolate. Muito perfumado desde o momento que removi a rolha. Leve ponta de álcool sobrando no início mas que logo se desfaz sem incomodar.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com taninos redondos e macios e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato com muita fruta, leve picância e chocolate. Final de longa duração.

O que dizer então da harmonização com a carne? Ficou divino. E pra finalizar a noite temática hermana, comemos um havanete de doce de leite com cobertura de chocolate que também ficou incrível junto ao vinho. Eu recomendo!

Até o próximo!

Wednesday, September 4, 2013

O que são os sedimentos encontrados no vinho?

Primeiramente é necessário dizer que, apesar de ser mais comum o aparecimento de sedimentos em vinhos tintos, os vinhos brancos também podem apresentar algum tipo de resíduo sólido. A maioria dos sedimentos, particularmente em vinhos jovens, vem de restos de pedaços de uvas, sementes de uvas e células de leveduras mortas, que são um subproduto normal da vinificação principalmente quando o vinho não passa por processos mais elaborados e demorados de filtragem. Mas vinhos tintos e brancos são normalmente feitos utilizando-se de métodos diferentes, e o processo de vinificação de vinhos tintos simplesmente gera mais sedimentos do que a vinificação de vinhos brancos. Os vinhos brancos, por exemplo, são mais propensos a deixar cristais de tartarato, que são um tipo diferente de depósito sólido. Ambos sedimentos e tartaratos são inofensivos, mas as pessoas tendem a evitá-los porque sua textura pode ser desagradável ao paladar.


Na produção de um vinho tinto típico, as uvas esmagadas e seu suco são fermentados em conjunto, enquanto os vinhos brancos são geralmente feitos apenas a partir do suco da uva. Imagine que as uvas esmagadas seriam como um saco de chá gigante, que tem um tempo de contato mais longo em vinhos tintos, enquanto os brancos costumam ter muito menos contato com estes sólidos. E uma vez que estes sólidos são da onde surgem estes sedimentos do vinho final, é fácil imaginar que os brancos terão menos sedimento então.

Separar o vinho de uva estes sólidos vem mais tarde, através de trasfega, refinamento ou filtragem, embora às vezes um produtor poderá optar por fazer seu vinho sem refinamento ou filtragem. Embora existam alguns vinhos brancos não filtradas fantásticos, eu acho que a maioria dos amantes do vinho esperam que os seus brancos fiquem claros, límpidos e com ótima transparência, por razões cosméticas.

E você prezado leitor, como é sua relação com os sedimentos encontrados no vinho? 

Até o próximo!

Ps.: Foto original retirada do site adega24.com, que detém os direitos sobre a mesma

Monday, September 2, 2013

Winebar Península Ibérica: World Wine dando show c/ Mencía Luna Beberide 2009

Mesmo não tendo conseguido participar ao vivo do programa por motivos profissionais, assisti ao video e degustei posteriormente o vinho enviado e posto agora minhas impressões.


Primeiramente, devo dizer que o tema escolhido para o Wine Bar foi deveras interessante por alguns motivos: sou parte do vinhos de Portugal fã clube, tenho pouco conhecimento sobre a Espanha e suas "novas" (pero no mucho) regiões vinícolas, o portfólio da importadora World Wine é bem extenso e foi uma maneira de conhecer alguns de seus produtos, a oportunidade de acompanhar a "ressurreição" de regiões como o Dão e o Douro e assim por diante. Além disso, o tema também foi escolhido em virtude da feira que a importadora está promovendo durante os dias de 09 a 11 de Setembro em ambas São Paulo e Rio de Janeiro. Na ocasião, a importadora estará promovendo cerca de 18 produtores entre portugueses e espanhóis para seu público em um formato mais intimista, com direito a degustação dos vinhos, petiscos e se ainda estiver disposto, um jantar no EAT em São Paulo. Fui agraciado com a possibilidade de conhecer um vinho de uma região e feito com uma uva que não conhecia (nunca havia provado). Estou falando do Mencía Luna Beberide 2009

Do site do produtor/importador, um pouco sobre a região: "Localizada num vale ao abrigo das montanhas, na zona noroeste da Província de Leon. Situa-se na zona compreendida entre a Cordilheira Cantabrica e os montes de Leon, sendo seus limites naturais com as serras do caurel e Ancares, os montes Aquilanos e as serras de Jistredo. A montanha protege a região dos excesso do clima e das extremas temperaturas continentais. Graças as magníficas condições naturais, nessa região elaboram-se excelentes vinhos desde os tempos em os beneditinos del Cluny que assentaram nessa região no século XI. O Bierzo obteve o reconhecimento oficial como zona produtora em 1985, quando os vinhos eram elaborados com uvas locais e vinhos procedentes de outras zonas. Essa prática desapareceu com esse novo controle. Esta região faz fronteira entre a úmida Galícia e a seca Castilla y Leon, tem forte influência Atlântica que ajuda a produzir vinhos equilibrados". Confesso que preciso estudar um pouco sobre o local uma vez que não tenho muito a acrescentar. 

Sobre a vinícola: "Fundada em abril de 1987, desde sua criação caminha rumo a moderna estrutura agrária. Seus 50 hectares são vinhedos próprios, das vinhas se cultivam um bom conjunto varietal como: Mencía, Chardonnay, Gewürztraminer, Merlot e Cabernet Sauvignon. Nos últimos anos contou com a colaboração de Mariano Garcia "O Mago" da Ribera del Duero, importante para o desenvolvimento de seus vinhos tintos. Mariano que crê muito no potencial desta bodega".

Finalizando a parte de curiosidade do post, a uva Mencía é autóctone da região e acredita-se ter parentesco com a Cabernet Franc dada sua proximidade de características, apesar de alguns testes de dna não compactuarem com a tese. É plantada na região desde a Roma antiga e também sofreu muito com o golpe da filoxera que assolou a Europa no século XIX. Anteriormente esta cepa era associada a vinhos ligeiros e de pouca personalidade, o que vem mudando com os últimos anos, fazendo com que a região de Bierzo seja colocada numa posição de destaque devido a seus grande tintos. Direcionando ao vinho do post, o mesmo é feito com 100% de uvas Mencía, este vinho não passa por madeira para envelhecimento e/ou afinamento, sendo somente fermentado em tanques de inox. Vamos as impressões.

Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de média para grande intensidade, pouca transparência e bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e com leve coloração.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas (silvestres) com toques mentolados e minerais. Uma pequena ponta de álcool apareceu na abertura da garrafa, mas arrefeceu com o tempo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, taninos finos e macios e boa acidez. Retrogosto confirma o olfato com frutas e mineral. Uma pequena ponta de álcool também pode ser sentida no início, mas que logo arrefeceu. Final de média duração.

Um bom vinho, diferente do que estou acostumado a consumir, que valeu conhecer. Eu recomendo. Mais do que isso, mais um grande Winebar. Vida longa a este meio de divulgação e conhecimentos sobre o vinho.

Até o próximo!