Wednesday, January 8, 2014

Espumante Terras do Demo Brut Rosé 2011

Houve um período entra o natal do ano passado e o início deste ano que tive uma folga do trabalho, um recesso ou férias por assim se dizer, que foi muito bom para repor as energias, arejar a cabeça e é claro, comer e beber bem. O dia era quente e eu precisava de uma bebida refrescante. E foi neste contexto que este espumante, o Terras do Demo Brut Rosé 2011 saiu da adega e foi parar em minha mesa. Recebi este vinho junto com outros portugueses através do clube de vinhos da Winelands, aliás um novo clube que assinei, e com uma bela garrafa e com um nome peculiar que não poderiam passar despercebidos.


Este vinho é produzido pela Cooperativa Agrícola do Távora CRL, que fica situada na Região Demarcada do 'Távora - Varosa', inserida entre a região do Douro e do Dão, em Portugal, e é feito a partir da casta autóctone Touriga Nacional (mais conhecida por aqui por estar em vinhos tintos de corte e varietais). Produzido pelo método tradicional, com segunda fermentação em garrafa, num processo que leva mais de 12 meses para se finalizar. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor salmão brilhante e límpida, com uma boa formação de borbulhas que também tem boa persistência. Como curiosidade aqui, o produtor diz que a cor do espumante é a mesma da cor do "olho do perdiz". Como não conheço a cor de um olho de perdiz, acredito no que ele diz.

No nariz o vinho apresentou aromas florais e de frutos vermelhos além de um leve toque de aromas de panificação e algo que lembrou caramelo. 

Na boca o vinho tinha um corpo de leve para médio, uma boa acidez e até certo ponto delicado. Bom colchão de espuma em boca, cria alguma cremosidade. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

O vinho acompanhou um churrasquinho em casa com minha esposa e não fez feio, apesar das indicações de consumo com carnes brancas, aperitivos e pratos mais leves. Eu particularmente acho os espumantes curingas que funcionam bem em diversas situações. E ainda começamos bem o clube de vinhos da Winelands, com um vinho curioso e bem legal. Espero que continuemos assim. Eu recomendo.

Até o próximo.

Tuesday, January 7, 2014

Winebar Wines of Argentina: Harmonizando Vinho & Música!

Passados alguns dias das festividades de final de ano, agora é hora de me voltar para o concurso lançado ainda em meados de Dezembro de 2013 em um difícil exercício de harmonização entre vinho e música, desafio este proposto pela Wines of Argentina através do já conhecido por aqui, Wine bar. O concurso tem mais ou menos o formato a seguir: cada blogueiro recebeu dois vinhos com a missão de harmonizar cada uma deles com uma música, dentro de uma playlist montada pelos organizadores do concurso, e publicar o texto com as harmonizações e as justificativas em seu meio de comunicação. E é o que vou fazer a seguir.

O meu primeiro vinho foi na verdade um espumante, o Espumante Omnium Viniterra Brut, cujo produtor é a Viniterra. Não consegui informações muito apuradas sobre o mesmo mas ao que tudo indica é feito com um corte de Chardonnay (50%) e Semillon (50%) com segunda fermentação em tanques (método charmat). Com uma coloração amarelo palha clara com toques verdeais, perlage fina e persistente o vinho mostrou no nariz aromas de frutas como pêssegos e abacaxis maduros e bem doces com toques suavemente florais. Na boca o vinho apresentou corpo leve, boa acidez, boa formação de espuma e certa cremosidade além de um ataque inicial doce (mesmo sendo um espumante brut). Retrogosto confirma o olfato com muita fruta madura, quase em compota e o toque floral um pouco mais evidente. Final com um certo amargor que em determinado momento me incomodou um pouco, mas pode ser algo pessoal. Um espumante suave, doce e simples, direto.



Quando comecei a pensar em espumante, logo me veio a mente que eles naturalmente harmonizam com festas. E para tal, músicas mais animadas e dançantes, certo? Além disso, procurava por algo doce, suave e bem simples, direto, com uma letra que pode ser facilmente decorada e cantarolada. Dito isto tudo, minha escolha para a harmonização musical foi a música "I Feel Love" interpretada pelo Bronski Beat, que a meu entender tinha todas estas características, como a batida puxada para o eletrônico e dançante, a suavidade vocal da música e a doçura de falar do amor (afinal, quer sentimento mais doce que este). Além disso a letra é simples e não tem muitas estrofes, o único porém é a última frase que deixa no ar um "Por que você não volta?"; seria este também um sinal para o amargor final de uma história de amor?

Já meu segundo vinho foi o Salentein Reserve Pinot Noir 2011, vinho este proveniente de vinhedos de altitude da região do Vale do Uco, em Mendoza, na Argentina e produzido pelas Bodegas Salentein. Feito com 100% de uvas Pinot Noir, este vinho passa por envelhecimento em barricas de carvalho e posterior amadurecimento em garrafa, antes de ser disponibilizado ao mercado. Na taça uma bonita cor rubi violácea de média intensidade com lágrimas finas, rápidas e sem cor. Ao nariz o vinho mostrou boa tipicidade da casta com aromas de frutos vermelhos silvestres (morangos e cerejas) e toques amadeirados. Na boca o vinho apresentou corpo médio,boa acidez e taninos sedosos e macios. Retrogosto confirma o olfato a acrescentou um toque de baunilha a mistura já existente. Final de média para longa duração. Um vinho que a meu ver consegue preservar características inerentes a casta (Pinot Noir) com uma certa pegada novo mundo, colocando um pouco mais de força e gingado ao vinho.


Pensando nas características que listei no parágrafo acima, a escolha da música para a harmonização do segundo vinho foi "Light My Fire", aqui em uma versão de José Feliciano. A música originalmente foi gravada pela banda norte americana The Doors em seu albúm de estréia e rapidamente estourou, mas esta versão aqui deu ao músico porto riquenho José Feliciano inclusive um Grammy em 1969. Apesar de preservar a letra e a pegada pop, Feliciano consegue aqui incluir seu jeito e voz latinos (novo mundo) a uma música já consagrada, fazendo uso de toda sua sensibilidade musical e uso de violão acústico sendo inclusive considerado um dos primeiros latinos a abrir caminho no mercado americano. 

Deixo aqui meus exercícios de harmonização musical para que sejam julgados agradecendo de antemão a Wines of Argentina e aos organizadores do Wine Bar pela oportunidade de participar do concurso. Espero também que meus leitores possam se divertir, assim como eu, com os vinhos e a música.

Até o próximo!

Monday, January 6, 2014

Rogue Chipotle Ale: Uma cerveja, no mínimo, diferente!

Costumo dizer que é preciso aproveitar cada momento da vida sem esperar ocasiões ditas especiais para tal, ainda mais na companhia das pessoas que formam sua família (a qual você nasceu e a que você escolheu para seguir sua vida). E foi num desses dias considerados comuns que, em uma visita a meu irmão e meu recém nascido sobrinho, que pude provar esta cerveja curiosa, a Rogue Chipotle Ale.


A cerveja em questão é uma cerveja do tipo Amber Ale, e o que a difere este tipo de cerveja das demais é o tipo de fermentação, que é feita em temperaturas mais altas, geralmente entre 15 e 24ºC. É um processo antigo de fabricação, o que fez com que as cervejas do tipo Ale fossem as únicas disponíveis até meados do século XIX, quando foi inventada a baixa fermentação (ou fermentação em baixas temperaturas). Além disso, no caso da cerveja alvo deste post, também podemos diferenciá-la por sua coloração mais escura aliada a mais corpo e potência.

Já sobre o produtor,a cervejaria americana Rogue Ales Brewery está localizada em Portland, no Oregon, e já é um pouco mais antiga mas também nasceu de um sonho de um grupo de amigos que gostava das cervejas consideradas "caseiras". A cervejaria possui uma extensa linha de cervejas e diversas experimentações diferentes, como esta Chipotle Ale, que conta com a adição de pimentas do tipo Chipotle em sua composição. De curiosidade também temos uma história no contra rótulo, deixando uma homenagem ao autor espanhol Juan de la Cueva, que em 1575 escreveu sobre um prato mexicano de pimentas Chipotle sem sementes combinado com uma cerveja Ale. Vamos as impressões deste que vos fala.

No copo a cerveja apresentou uma coloração acobreada com uma espuma bege, densa e espessa. 

No nariz a cerveja mostrou aromas defumados, de caramelo e leve lembrança de pimenta. 

Na boca um corpo médio, refrescância e leve dulçor em primeiro plano, com o amargor e a picância da pimenta ficando mais para o final, que é de média para longa duração.

Mesmo não sendo grande conhecedor, gostei muito da cerveja e a diferenciação causada pela adição das pimentas. Tenho gostado de experimentar cervejas diferentes e dividir as experiências com vocês, caríssimos leitores. Espero que estejam gostando assim como eu. Eu recomendo.

Até o próximo!

Espumante Salton Brut: tradição e qualidade!

Ainda falando do final do ano e um pouco dos vinhos e espumantes que bebemos por aqui, chegamos a este espumante nacional da Salton, degustado ainda na noite da virada. A Vinícola Salton é uma das gigantes do mercado nacional e já foi bastante discutida e mostrada por aqui, por isso pouparei vocês leitores de mais sobre ela, falando apenas do vinho em destaque, o espumante Salton Brut.


O vinho é um corte composto pelas seguintes uvas: Chardonnay, Riesling, Malvasia, Trebiano e Semillon, todas colhidas na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. A base é então fermentada a primeira vez em tanques de inox sendo que a segunda fermentação também ocorre em tanques, ou seja, este espumante é feito pelo método charmat. Este processo de segunda fermentação acontece por um mês, segundo informações do próprio produtor. O vinho pertence a linha Fantasia, uma das linhas de entrada da vinícola, o que no entanto não pode desmerecer o produto apresentado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor amarelho palha brilhante com toques esverdeados. Boa perlage, consistente e persistente. Pequenas borbulhas em grande quantidade.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas, floral e leve lembrança de panificação. 

Na boca o vinho tinha um corpo leve, boa e refrescante acidez e bom colchão de espuma criando uma agradável sensação de cremosidade. Retrogosto confirma o olfato num final de média duração.

Acompanhou bravamente um bom Tambaqui assado e seus acompanhamentos. Foi um presente de meu amado pai e combinou perfeitamente com a ocasião. Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, January 1, 2014

Espumante Cave de Pedra Extra Brut - #CBE

É com muito prazer que o blog debuta na "Confraria Brasileira de Enoblogs", a CBE, mais antiga confraria virtual de vinhos do Brasil. A confraria funciona da seguinte forma, a cada mês um dos confrades (ou confreiras) é designado a escolher um tema para vinho do mês e a partir dai, no dia primeiro do mês seguinte os demais devem fazer seu post baseado no vinho escolhido. E para o mês de janeiro a escolha foi feita pela confreira Ale Esteves do blog Dama do Vinho, que por sua vez escolheu o tema a seguir: Champagne, Cava, Prosecco, Franciacorta, qualquer espumante para brindar o novo ano. Mas, de preferencia, que esse espumante seja fotografado em algum lugar especial onde você passará o ano novo.


Confesso que a princípio minha escolha não foi muito fácil, mas confesso também que ao final tive uma ajuda para faze-la. Esta época do ano é sempre muito emotiva e nos coloca ainda mais próximos das pessoas que amamos e principalmente da nossa família, aquela no qual nascemos e por que não aquela que escolhemos. E foi daí que surgiu o espumante alvo do post de hoje. Uma tia de minha esposa trouxe o espumante para a casa da minha sogra para que o mesmo fosse consumido no jantar de natal, mas por um ato do destino acabamos não consumindo o mesmo e ele ficou por lá até que então, resolvemos que este seria o espumante para brindarmos a chegada do ano que se aproximava. Estou falando do espumante Cave de Pedra Extra Brut.

A Vinícola Cave de Pedra está localizada em Bento Gonçalves, na rota do vinhos, e tem uma arquitetura toda em pedra basáltica que de longe já chama a atenção, lembrando os castelos medievais, o que contribui também para manter temperaturas mais amenas em seu interior e facilitar o trato com as uvas e vinhos. A Vinícola tem produção limitada de vinhos e espumantes, mantendo assim a tipicidade do terroir do Vale dos Vinhedos. Sua especialidade é a elaboração de espumantes pelo processo tradicional, com a segunda fermentação na garrafa. O vinho em questão é um espumante "blanc de noir", ou seja, um espumante feito com uvas tintas (no caso a Pinot Noir) só que vinificada em base para espumante branca (deixando o contato do mosto com as cascas e substâncias coloríficas o menor possível). As uvas para o espumante são todas de vinhedos próprios localizados no Vale dos Vinhedos. Como dito anteriormente, o espumante é feito pelo método Champenoise. Vamos as impressões.

Na taça o espumante apresentou uma bonita cor dourada e brilhante com borbulhas finas, persistentes e bem elegantes.

No nariz o espumante apresentou aromas de frutos secos (damasco), toques de panificação, leveduras e lembranças de nozes também. 

Na boca o espumante era bastante fresco com sua acidez pronunciada, aliada a um bom corpo, bom volume e muita harmonia. O retrogosto confirma o olfato e tem um final de longa persistência.

Um grande espumante, grandes companhias e claro, uma ocasião mais do que especial. Perfeito para brindar a passagem do ano. 

Aproveito para mais uma vez desejar um grande ano de 2014 para todos e que venham muito mais posts.

Até o próximo!