Friday, December 30, 2011

Gourmeo & Prestíssimo: a redenção!

Vocês que acompanham meu blog sabem que algum tempo atrás eu não tive uma experiência muito agradável com o site de reservas de restaurantes, e consequentes descontos nos mesmos, Gourmeo (relembre aqui). Pois algumas pessoas vieram me perguntar ultimamente o que havia acontecido depois daquilo pois até o CEO da empresa para o Brasil havia entrado no circuito e as pessoas tinham interesse em ouvir as soluções que aconteceram para o problema. Propositalmente eu havia deixado o assunto de lado (até um pouco mais do que eu havia previsto inicialmente) para que eu pudesse ter a chance de testar o serviço novamente e falar de uma vez sobre tudo que havia acontecido deste então. E só consegui finalizar esta minha vontade ontem.

Falando ainda sobre o episódio em que eu havia tido problemas com o serviço, assim que o CEO da Gourmeo entrou em contato, tanto eletrônico como por telefone, foi feita toda uma investigação sobre o assunto junto ao restaurante escolhido na época e constatou-se que a reserva havia sido passada para o restaurante e que havia acontecido uma falha individual, do garçom que havia nos atendido no dia e que talvez não estivesse muito familiarizado com o sistema ainda. Depois disso até o pessoal do restaurante na pessoa do seu sócio e também da pessoa que gerencia as hostess também entraram em contato comigo, explicaram toda a situação e se colocaram a disposição para contornar o problema em uma próxima visita minha ao local. Para finalizar a empresa Gourmeo ainda me enviou de presente uma caixa de bombons em mais um pedido de desculpas e como uma maneira de amenizar os problemas acontecidos. Ponto mais do que positivo para ambos, o Gourmeo e o restaurante (Café Journal). Mas ainda faltava o principal, que era testar o serviço mais uma vez e comprovar se este realmente funcionava.


Eu resolvi que gostaria de sair pra comer uma pizza no dia de ontem e talvez fosse a chance de utilizar o serviço do Gourmeo antes do final do ano e mostrar para vocês leitores, enfim,  qual teria sido o resultado deste novo teste. Pesquisei um pouco no site deles quais seriam as pizzarias disponíveis e optei pela Prestíssimo, dado que já tinha ouvido boas referências sobre a mesma. A Prestíssimo é uma pizzaria tradicional e que se encontra na Al. Joaquim Eugênio de Lima há mais de 25 anos. Os sobrados os quais compõe a casa mantiveram o aspecto e arquitetura de antigamente, preservando a memória do bairro.

Era chegada a hora da verdade. Feita a reserva, me dirigi ao local no horário combinado. Chegando lá, fui recepcionado pela hostess que informada da minha reserva, procurou em seu livro de reservas e, suspense, sim a reserva estava lá. O início tinha sido conforme o esperado. Fizemos então os nossos pedidos. A pizza era uma meio a meio Peruggia (uma dos carros chefe da casa, com peito de peru, milho e catupiry salpicado com muzzarela) e Peruana (atum, muzzarela, alcaparras). A pizza era de massa média e muito bem recheada. A Peruggia realmente era campeã de sabor, com o peito de peru e o catupiry em evidência. Já a Peruana trazia no atum o seu brilho, mas as alcaparras quebravam um pouco o sabor do peixe, deixando a pizza ainda mais saborosa. Para acompanhar pedi um vinho italiano, um Dolceto D´Alba da Tenuta Carretta, vinho bem feito, com uma acidez muito gostosa, taninos finos, bons aromas e retrogosto remetendo a frutas vermelhas como morango e cereja e algo leve de floral ao fundo. O vinho foi muito bem com a pizza. 


Para finalizar, um belo Petit Gateau, bolinho muito cremoso e duas bolas de sorvete com calda de chocolate e com uma bela calda de maracujá meio azedinha, que enfeita pra quebrar todo o doce do prato, uma delicia! Talvez o melhor petit gateau que eu já tenha experimentado. Era a hora do teste final e eu solicitei a conta. Quando a mesma chegou em minha mesa, a surpresa: o desconto de 30% não estava lá. Como já sabiamos que o objetivo da noite além de comer uma boa pizza era testar o serviço, perguntei ao garçom se era possível verificar se havia alguma erro e este prontamente o fez. Quando retornou, a conta já estava corrigida e o desconto estava lá. Mais de 40 reais de diferença. Valeu a pena!


Pois é pessoal, talvez ainda faltem pequenos ajustes mas ao final o serviço funciona sim e eu recomendo. Além disso, a oportunidade de sair e comer diversos tipos de cozinhas diferentes, experimentando restaurantes de alto nível em Sampa também se torna um atrativo a mais. E é claro que parabenizo todo o esforço da equipe Gourmeo pelos esforços em atrair e manter uma base de clientes.

Aproveito também este post para desejar uma excelente virada de ano a todos os leitores deixando os votos de que o ano vindouro, 2012, seja muito melhor do que este que passou (pra mim o ano foi excelente). E fica também o pedido para que continuem acompanhando e criticando meu trabalho aqui no blog, para que juntos possamos sempre trocar idéias e discutir sobre este mundo enogastronômico que tanto gostamos!

Até o ano que vem!

Thursday, December 29, 2011

Ciconia 2010

Eu sempre venho confirmando uma de minhas teses de que, quando se quer um vinho bom e barato, procure entre os portugueses e normalmente você terá gratas surpresas. E como foi o caso deste vinho de hoje. Indicação de uma amiga, este exemplar alentejano não decepcionou!

Produzido pela Herdade de São Miguel, que fica ali na Vila de Redondo no Alentejo, este é um dos vinhos de entrada da Herdade e tem em sua composição as castas Aragonês, Syrah e Touriga Nacional e tem 10% do vinho produzido estagiando em carvalho francês novo. O vinho inclusive já recebera boas críticas em publicações especializadas, como Decanter e Wine Spectator. Bom, depois de tantos elogios, vamos as impressões sobre o vinho, certo?


Na taça uma bonita cor violácea escura, brilhante e de certa transparência. Lágrimas finas, incolores e bem rapidinhas escorriam pelas paredes da taça.

No nariz o vinho apresentava aromas de frutos vermelhos maduros, quase em compota, alguma coisa de floral, especiarias e um toque de café com leite ao fundo. Tudo muito elegante, sem exageros.

Na boca o vinho tinha corpo médio, boa acidez, taninos finos, delicados e bem fundidos ao vinho. Álcool imperceptível, apesar dos mais de 13% de teor. Final de média persistência trazendo frutas e café com leite no retrogosto. Sem amargor final.

Um vinho muito bem feito, sem defeitos e que pelo preço pago (algo em torno de 29 dinheiros) é mais do que um belo custo benefício. Eu recomendo e agradeço a dica!!!

Até o próximo!

Wednesday, December 28, 2011

Cuvée Domaine Nigri 2008

Finalizando a série de postagens relacionadas aos vinhos do natal, temos agora este vinho de sobremesa que foge um pouco dos habituais vinhos do porto, sautérnes e afins. Mais um que eu adquiri na Cave Jado, minha importadora favorita em se tratando de vinhos franceses com boa relação custo benefício.

O vinho em questão é feio na região sudoeste da França, na AOC Jurançon, e tem como uvas componentes a Gros Manseng (60%), vinficada e maturada em cubas termoreguladas e a Petit Manseng (40%), vinficada e maturada em toneis de carvalho, ambas uvas locais, emblemáticas e que compõe parte das permitidas dentro da regulamentação local.  Embora não se tenha mais informações sobre o vinho e o método de produção para que o vinho se torne doce, eu aposto que ao menos alguma das castas deva ter sido botrytisada. Sobre o produtor, retirado do site da importadora: "O Domaine Nigri existe desde 1685, o Jean Louis Lacoste dirige esta vinícola familiar há quase 20 anos. A vinícola está em conversão orgânica com práticas de cultura modernas no respeito ao meio ambiente. A diversidade dos solos e das uvas com um trabalho caprichado confere aos vinhos do domaine uma originalidade e uma grande complexidade na expressão aromática. A região do Jurançon tem influencias climáticas do Atlântico, dos Pireneus, temperaturas elevadas e é a região vinícola da França mais chuvosa, então o cuidado com a cobertura vegetal é muito importante para prevenir a erosão e preservar a vida orgânica dos solos, elementos essenciais da expressão dos terroirs. As uvas são colhidas separadamente e vinificadas parcela por parcela afim de revelar todo potencial aromático e expressar a diversidade dos solos". Vamos as impressões.


Na taça o vinho já impressiona pela coloração dourada com tendência âmbar, muito brilhante e bonita. Lágrimas lentas escorrem pelas paredes da taça. 

No nariz o vinho mostrava aromas de maracujá, mel e algo empireumático, lembrando plástico novo. Além disso, uma ponta de cítrico podia ser sentido no fundo da taça. 

Porém era na boca que o vinho realmente dava um show: untuoso, encorpado e com uma acidez interessante que contrapunha com a doçura do vinho, fazendo com que houvesse um delicioso equilíbrio no vinho. Retrogosto com muito mel e maracujá além de uma pitadinha de cítrico, que também aparecia por aqui. Uma delícia!

E o vinho não poderia ser melhor para harmonizar com uma torta mousse de maracujá com massa tipo podre e cobertura de chantili. Enfim, uma deliciosa combinação de Baco!! Eu recomendo!

Até o próximo!

Tuesday, December 27, 2011

Casa Venturini Vivere Brut

Este espumante também fez parte das festividades de natal. É um espumante simples, mas que com certeza te tudo pra agradar aqueles que gostam de uma bebida viva e refrescante, ainda mais com o calor se anuncia neste nosso verão. 

Este vinho é feito na joint venture criada entre a vinícola paulista Góes (de São Roque) e a vinícola Casa Venturini (de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul) através do método charmat de segunda fermentação em tanques de inox. Não consegui muitas informações sobre o vinho, até por que o site da vinícola ainda se encontra fora do ar, mas parece que foi feito com uvas chardonnay colhidas lá na região sul do país. Não encontrei por exemplo tempo em que o espumante fica em caves antes de ir ao mercado, ou coisas do gênero, e portanto vou deixar o que tenho até aqui e vamos as minhas impressões. Vale ressaltar que não sou grande conhecedor de espumantes, mas vamos lá.


Na taça o vinho apresentou uma coloração palha com reflexos esverdeados, muito límpido e brilhante. Borbulhas em boa quantidade, constantes e pequeninas. 

No nariz o vinho tinha aromas de pêssego, abacaxi, floral e algo leve de mel. Era possível também sentir um pouco de amanteigado com fermento, lembrando croissant e massa folhada. Mostrava muito frescor, pois as frutas era bem frescas no nariz!

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, boa acidez, e formava quase um colchão de borbulhas na boca, tudo muito agradável. Tinha um retrogosto trazendo frutas e mel e um final delicado de média duração, com um pouco de floral também.

Um belo espumante, com uma excelente relação custo benefício, e que deve agradar a todos, até aqueles que não estão muito acostumados em tomar vinhos. Eu recomendo!

Até o próximo!

Monday, December 26, 2011

Pato Rebel 2009

Este foi o vinho escolhido por mim para escoltar o jantar de natal, composto de bacalhau a gomes de sá. Eu não escondo que tenho preferência por vinhos tintos portugueses para escoltar este prato, e normalmente eu escolho um Douro ou algum alentejano mas desta vez eu tinha este vinho em casa, e como já conhecia a fama do Luis Pato de outros vinhos, resolvi arriscar. E desta vez acho que não me dei tão bem.

Como já devo ter dito algumas vezes por aqui, Luis Pato é conhecido pela revolução que ele causou nos vinhos da Bairrada, em Portugal, por apostar na uva Baga, reconhecidamente uma uva de difícil trato e que geraria vinhos normalmente intragáveis. Porém, nas mãos de Pato tivemos conhecimento de diversos vinhos cesta casta que eram extremamente palatáveis e agradáveis, por vezes até elegantes. No caso deste vinho alvo deste post, é um vinho feito com uvas 100% Baga que segundo o próprio Luis, seria um vinho jovem, fresco e para consumo rápido, provavelmente durante o ano seguinte a seu lançamento no mercado. O mesmo não passa por barrica com a intenção de se preservar todas as características da fruta. Vamos ver o que aconteceu.


Na taca o vinho tem uma bonita cor violácea de média intensidade, pouca transparência e um pouco opaca. Lágrimas finas, rápidas e com certa cor ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho se apresentou muito frutado, aromas de frutas vermelhas frescas, floral abundante com destaque para pétalas de rosas secas e alguma nota animal que eu não identifiquei ao certo o que seria. Todos aromas bem elegantes, sem exagero.

Na boca é que veio a decepção. O vinho estava "mole", não apresentava tal frescor alardeado pelo produtor, não tinha muita acidez. Taninos finos, levemente rascantes mas sem incomodar, demonstrando qualidade. Final de curto para médio trazendo muita fruta e floral. E só. 

Para mim, o vinho foi uma decepção. Esperava bem mais, ainda mais tomando como exemplo outros vinhos de linhas de entrada do Pato. Este é um vinho caro para o que oferece. Provavelmente não compraria de novo. Entretanto com o prato cresceu um pouco, e até que foi bem. Mesmo assim não apagou a imagem negativa criada.

Até o próximo!