Wednesday, May 27, 2015

Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013

Na incessante busca por vinhos que, a preços acessíveis ao consumidor médio, possam entregar qualidade e prazer, continuo meu garimpo e posts relacionados ao tema. Hoje fomos ao Chile para buscar o exemplar que será discutido. O vinho em questão é o Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013. Vamos ver o que podemos falar sobre ele?


A história de Viña Luis Felipe Edwards (LFE), produtora do vinho, remonta a 1976, quando Luis Felipe Edwards Sr. adquiriu a propriedade Fundo San José de Puquillay, localizado no Vale do Colchagua. A propriedade fica situada em um vale em forma de ferradura isolado, separado do majestoso e coberto de neve Andes pelo de seus cumes, San Fernando. Naquela época, ele plantou 60 hectares de vinhas, entre elas principalmente Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Carmenère. No início dos anos noventa, Luis Felipe Sr. decidiu fazer vinho com seu próprio nome e assim construiu uma moderna adega, equipada com a mais recente tecnologia no estado da arte da vinificação. A primeira safra, Luis Felipe Edwards Cabernet Sauvignon 1994, foi lançado no mercado internacional no final de 1995. A Viña Luis Felipe Edwards tem crescido desde então com o intuito de ser a maior empresa de vinhos de propriedade 100% familiar do Chile, com 1.850 hectares de vinhedos e tendo seus produtos exportados para mais de 70 países; duas gerações estão ativamente envolvidas em manter a marca sinônimo de qualidade e os valores familiares tradicionais nos dias de hoje.

Já sobre o Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013, podemos acrescentar que apesar de rotulado como varietal (conforme legislaçao local) tem em sua composição 85% de uvas Merlot e 15% de uvas Carmenere de suas propriedades no Vale do Colchágua e são envelhecidos por um período mínimo de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Vamos finalmente as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e boa limpidez. Lágrimas finas, rápidas, em quantidade razoável e quase incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresenta aromas de frutos vermelhos maduros, toques florais, de café com leite e madeira. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados e presentes, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média e saborosa duração.

Em um mercado inundado por vinhos hermanos (Chile, Argentina e em uma pequena quantidade, Uruguai) as vezes é bom separar o joio do trigo. Considero que este Luis Felipe Edwards Seleccion de Familia Gran Reserva Merlot 2013 seja parte do trigo, ainda mais pelo valor pago (R$ 39 no Pão de Açúcar). Eu recomendo. 

Até o próximo!

Tuesday, May 26, 2015

Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012

Eu confesso que vinhos de sobremesa não são o meu forte, apesar de gostar muito deles. A verdade é que eu tenho uma certa dificuldade de parea-los com alimentos e afins por que tenho evitado comer muitos doces, afim de tentar manter o peso numa condição minimamente saudável. E com o passar dos anos, a idade tem pesado e isso tem se tornado um verdadeiro martírio. Mas, deixando de lado a parte ruim da história, vamos falar de um vinho de sobremesa que nos foi presenteado e veio diretamente do Chile para nossa mesa, o Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012.


Este vinho é produzido pela Viña Francisco de Aguirre, cuja tradição começou há mais de 450 anos atrás, quando o conquistador espanhol Francisco de Aguirre plantou a primeira vinha na região do Valle del Limarí. As vinhas situadas em um oásis na fronteira sul do Atacama eloqüente, aproveitando os benefícios do sol e da brisa proveniente do mar do Oceano Pacífico começaram a ser adquiridas ainda em 1993, data também onde foi finalizado o projeto com a aquisição de 100 hectares no Valle del Limarí, cerca de 12 quilômetros de Ovalle. Em 1995 se iniciou a produção de vinhos finos. 

Sobre o Prologo Late Harvest Moscatel de Alejandría 2012, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito com 100% de uvas Moscatel de Alejandría, uva branca da família da Moscatel (esta mesmo que temos por aqui no Brasil), sendo que sua maior expressão se encontra na Espanha, nas regiões de Málaga e de Valência. Como o nome já diz também, a colheita das uvas é feita da maneira mais tardia possível, bem depois das outras uvas, fazendo com que as uvas sequem nas vinhas até se tornarem quase uvas passa, concentrando todos seus açúcares e idealmente mantendo sua acidez. Sem mais delongas, vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração amarelo dourado com excelente brilho, boa limpidez e lágrimas pesadas, lentas e incolores.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos cítricos e frutos cristalizados, mel e algo de flores brancas.

Na boca o vinho é gordo, acidez deliciosa e boa estrutura. Retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso.

Um delicioso vinho de sobremesa, deve acompanhar bem tortas a base de frutas ou mesmo cheesecakes. Fica na memória por um bom tempo e eu arriscaria bebericá-lo também como aperitivo por não ser tão doce e/ou enjoativo. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

José Maria da Fonseca Terras Altas Dão 2012

Hoje é dia de garimpar vinhos com bom custo benefício por aqui e começamos, vejam só, com um vinho de um país que eu sempre defendi como berço dos melhores vinhos com relação custo benefício existentes no mercado nacional, que é Portugal. Qual o vinho? O vinho escolhido é o José Maria da Fonseca Terras Altas Dão 2012.


Falar da José Maria da Fonseca é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.

Sobre o Terras Altas Dão 2012, podemos ainda acrescentar que sua produção foi iniciada nos anos 50, sendo que nesta época, o engarrafamento era feito em sua adega na região do Dão, em Alcafache. Mais tarde, em 1996, todo o processo de envelhecimento e engarrafamento foi transferido para as instalações em Vila Nogueira de Azeitão. É produzido a partir das castas Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional. Cerca de 10% do vinho tem uma breve passagem por carvalho francês novo. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Algumas poucas lágrimas, finas, rápidas e incolores se fizeram notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, baú velho e especiarias. Ao fundo, algo de folhas secas também.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados, mas de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Agora a melhor notícia: este vinho custou exatos 23,90 dinheiros no Pão de Açúcar da Eng. Caetano Álvares, zona norte de São Paulo. Por esse preço e dada a qualidade que o vinho apresentou, existe alguma duvida de que é um vinho de bom custo benefício? Eu tenho certeza que não e recomendo a prova.

Até o próximo achado!

Monday, May 25, 2015

King Estate: Ainda falando sobre o Oregon e o seus vinhos incríveis

Há alguns dias atrás, comentei sobre um Pinot Noir que havia provado de uma região que até então eu não conhecia, o Oregon, nos Estados Unidos (relembrem aqui). Coincidentemente na semana passada, tive a oportunidade de participar de um almoço com o pessoal da vinícola King Estate e conhecer um pouco mais sobre seus vinhos, sua filosofia e mais sobre a região em que se encontram. O almoço degustação foi promovido pela Cantu Importadora, que agora trás os vinhos para o Brasil, na pessoa do seu sommelier consultor Manuel Luz e contou ainda com a presença do VP de de vendas da vinícola, Rick Durette, no gostoso restaurante Baby Beef Rubayat, na região dos Jardins em São Paulo. Vamos ver o que mais eu pude descobrir?

Relembrando um pouco sobre a King Estate: "Embora tendo sua terra sido descoberta em meados de 1990 por Ed King, a Vinícola King Estate foi fundada em 1991 pela família King e continua a ser uma propriedade familiar, administrada e operada pela mesma desde então. Em 1994, mais de 100 hectares foram plantados para se criar o mais diverso vinhedo em relação ao solo e climas disponíveis na região. Mais do que uma adega, a King Estate é tratada como um eco-sistema orgânico. Dispõe de pomares, jardins com vegetais e frutas exuberantes, um restaurante gourmet e a vinícola propriamente dita que é considerada o estado da arte no aspecto tecnológico e de concepção do processo de vinificação."


Somam-se às informações acima o fato de que a propriedade e a maioria de seus vinhedos próprios se encontram na mesma latitude que os vinhedos e vinícolas da região da Borgonha, na França, que é conhecida por sua produção de Pinot Noir e Chardonnay. Estão também na região mais fria e mais ao norte do EUA com relação a produção de vinhos, o que também cria uma atmosfera favorável ao cultivo de Pinot Noir e outras uvas mais sensíveis e de difícil trato. A curiosidade fica por conta de que, embora reconhecidamente produza bons Pinot Noir, são especializados em outra uva, também delicada só que branca: a Pinot Grigio. A intenção aqui é possuir o vinhedo com o maior diversidade de clones possível disponível nos EUA, todos de maneira orgânica. E a curiosidade é que, diferentemente de outros produtores, aqui os Pinot Grigio tem algum contato com madeira para afinamento, ganho de complexidade e longevidade. Diante de tudo isso, só nos resta falar um pouco sobre os vinhos degustados durante o almoço, não é mesmo?


Acrobat Pinot Gris 2013: Da linha de entrada da vinícola, este Pinot Grigio passa por 3 meses em barricas e é fresco, cítrico, leve e macio. Me parece excelente companhia para comida. Testei com frutos do mar e foi bem demais;

King Estate Signature Pinot Grigio 2013: Este Pinot Grigio já é da linha mais intermediária da vinícola e passa 5 meses em barricas de madeira. Um pouco mais gordo que o anterior, já denota aromas de evolução como mel e flores brancas também. Entretanto continua fresco e muito gastronômico;


King Estate Signature Pinot Grigio 2007: Embora seja o mesmo vinho (técnicamente falando) do que o anterior é de uma safra bem mais antiga, mostrando o potencial que a vinícola tem desenvolvido com esta casta lá pelos lados do Oregon. Apresentou uma bonita cor dourada, aromas de mel e flores em contraponto com fruta cítrica bem madura. Untuoso e saboroso, o vinho ainda mantém uma acidez viva e bastante gulosa não demonstrando a idade;


NxNW Red Blend 2012: Começamos os tintos com este blend de diversas uvas tintas ( Merlot, Syrah, Cabernet Sauvignon, e Cabernet Franc) da região de Washington, nos EUA. Também um vinho de entrada, trás aromas de frutas vermelhas e escuras, toques de especiarias e baunilha. Corpo médio, boa acidez e um bom companheiro para carnes em geral. 


NxNW Cabernet Sauvignon 2012: Apesar de ser rotulado como varietal (de acordo com regulamentação local), o vinho conta com a adição de 10% Merlot, 4% Malbec e 1% Petit Verdot no blend para ganho em complexidade, aromas juntamente com envelhecimento de 12 meses em barricas. Um vinho elegante, com aromas de frutos escuros, especiarias, mentolado e chocolate. Médio corpo e taninos macios. Foi um ótimo escudeiro dos cortes de carne que o Baby Beef Rubayat tem a oferecer.


Acrobat Pinot Noir 2012: Pinot Noir de entrada vinícola, assim como o seu irmão Pinot Grigio. Também passa por 6 meses em barricas. É um vinho fresco com frutas vermelhas em evidencia aliadas a toques terrosos e animais. Não é leve mas também não é pesado, assim como muitos Pinots do novo mundo. Boa opção para se conhecer a uva.


King Estate Signature Pinot Noir 2012: Já provado e comentado no post anterior sobre a vinícola, portanto não irei comentar.


Domaine King Estate Pinot Noir 2007: Para fechar, um vinho que, embora não seja trazido para o Brasil, foi a estrela do evento. Somente uvas em perfeito estado de maturidade e sanidade entram neste vinho. Passa por 15 meses de envelhecimento em barricas de carvalho. Um vinho mais corpulento e com taninos mais marcados e presentes. Acidez extremamente viva. Aromas de frutos vermelhos, animais, especiarias, enfim, muita complexidade e elegância. Final longo e saboroso. Um vinho incrível.


Belos vinhos, ótimas companhias e claro, agradabilíssimo local e serviços. A Cantu Importadora acerta em cheio ao trazer tais vinhos para o nosso mercado. Uma boa opção para se conhecer novos lugares produtores. Vai dar o que falar.

Até o próximo!

Thursday, May 21, 2015

Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012: A vez da Itália na taça

Hoje é dia de um clássico por aqui. Um vinho amplamente encontrado no mercado nacional e que, como um autêntico representante italiano, tem suas características e qualidades bem desenhadas para um vinho do dia a dia. E é produzido por uma gigante do mundo vitivinícola. Pois bem, falaremos hoje do Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012.


O vinho é produzido pela gigante Beni di Batasiolo, que possui vinhedos em todas regiões localizadas dentro da premiada área vitícola de Barolo: Batasiolo, Morino, Cerequio e Brunate em La Morra; Boscareto e a histórica Briccolina em Serralunga d'Alba; Bricco di Vergne e Zonchetta em Barolo; Tantesi e Bussia Bofani em Monforte d'Alba. No antigo dialeto local a palavra "beni" significa uma propriedade, e é essa idéia do vínculo indissolúvel existente entre o agricultor e a sua vinha, que é encapsulado no nome "Beni di Batasiolo". Produz todos os vinhos mais famosos cultivados nesta região, incluindo Barolo, Barbaresco, Barbera d'Alba Sovrana e Dolcetto d'Alba Bricco di Vergne, bem como grandes brancos como Moscato d'Asti Bosc dla Rei, Langhe Chardonnay Morino e Gavi del Comune di Gavi.

Sobre o Beni di Batasilo Barbera D'Asti 2012 podemos acrescentar que é um vinho feito com uvas 100% da DOCG Barbera D'Asti, que após fermentado em tanques de inox por entre 10 a 12 dias, por lá permanece até a fermentação malolática acontecer e posteriormente até ser engarrafado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi violácea de média intensidade com tendências granada. Lágrimas finas, espassadas e incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho era essencialmente composto por aromas de frutos vermelhos silvestres, algo de canela e toques terrosos.

Na boca o vinho tinha corpo de leve para médio, acidez gulosa e que fazia salivar de forma constante além de taninos fininhos e delicados. Retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Um bom vinho para o dia a dia, bom companheiro de comida (como a maioria dos vinhos italianos o são) e que caiu super bem com uma massa ao molho bolonhesa. Foi comprado no Pão de Açúcar por R$ 49,99 e por este valor achei uma boa compra.

Até o próximo!