Thursday, January 24, 2013

Risoto de Gorgonzola com Presunto Parma e Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011

Devaneios culinários de uma quarta-feira a noite


Em mais um incursão culinária com minha noiva resolvemos arriscar mais um risoto, prato pelo qual nutrimos verdadeira paixão. E desta vez escolhemos como ingredientes o presunto parma e o queijo gorgonzola. De acompanhamento um belo medalhão de filet mignon. E é claro que como a preparação do prato pede, escolhi um vinho branco sul africano bacana por dois motivos: um para realçar o sabor do prato e dois pra mostrar pra minha noiva que existem vinhos fora do eixo Argentina-Chile que são muito interessantes. Vamos aos resultados.

O risoto é bem simples de se fazer se forem utilizados os ingredientes corretos e na sequência ideal. Primeiro  frita-se o arroz (carnaroli) com cebola picada no azeite. Em paralelo prepara-se um litro de caldo de carne para o cozimento do arroz. Coloque uma xícara de vinho branco e vá acrescentando aos poucos o caldo e provando a "textura" e cozimento do arroz. Quando o mesmo estiver próximo de al dente, você pode incluir então o presunto parma picado e o gorgonzola esfarelado e continuar a misturar na panela para que o arroz pegue o gosto dos ingredientes e para que o mesmo termine de cozer. Finalize com um pouco de manteiga e queijo grana padano. Voilá! E não é por que fomos nós que fizemos, mas o prato ficou uma delícia: arroz al dente, sal na medida, cremosidade dos queijos fundidos de dar inveja e o sabor marcante do parma: era de se comer de joelhos! E para acompanhar um delicioso medalhão de filet mignon frito no azeite, bem suculento e ainda rosado em seu interior.


Agora falarei um pouco da vinícola e do vinho. O vinho escolhido foi o Fleur Du Cap Bergkelder Selection Chardonnay 2011, produzido pela vinícola homônima que é um braço do grupo Distell, grupo este considerado líder do país na produção de vinhos e bebidas "espirituosas". A famosa adega chamada "Bergkelder" se encontra encravada nas montanhas da região de Stellenbosch, notadamente uma das mais famosas regiões vinícolas da África do Sul. Como não encontrei muito sobre o vinho e sua produção, passarei direto então as impressões.


Na taça o vinho mostrou uma coloração amarelo palha bem clara, límpida e transparente com lágrimas finas, rápidas e bem esparsadas. Ligeiro reflexo esverdeado.

No nariz o vinho mostrou aromas de abacaxi, cítricos e toques de fósforo. Leve lembrança de mel ao fundo.

Na boca uma deliciosa e salivante acidez, corpo médio, bom equilíbrio de álcool com boa estrutura geral. Retrogosto trazendo cítricos, mel e leve toque mineral (lembrando um pouco de salinidade). Final de curta pra média duração com ligeiro amargor (sem comprometer).

Uma bela combinação para uma quarta a noite junto de meu amor. Tanto o vinho como os pratos foram muito bem e deixaram a noite ainda mais prazerosa. E que venham muitas outras.

Até o próximo!

Monday, January 21, 2013

Desafio Winesave & Alto de La Ballena Merlot 2007

Com meu interesse por vinhos e a mudança de foco deste blog, o trazendo pra perto de minhas necessidades como enófilo, vi que me surgiram algumas importante e interessantes oportunidades de conhecer pessoas, vinhos, utensílios, etc. E destas oportunidades, fui agraciado com a possibilidade de teste de um utensílio muito bacana chamado winesave. Esta oportunidade surgiu através do contato do Sr. Fernando Zamboni da empresa Winelands, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Ele muito gentilmente me contatou e perguntou sobre o interesse em testar e divulgar o produto. Aceitei e aqui estou cumprindo minha parte como me foi confiado. Só gostaria de pedir desculpas pela demora no post, mas com toda reviravolta que minha vida tem passado nos últimos tempos, algumas coisas foram ficando um pouco esquecidas e/ou adiadas.


Quem nunca teve problemas quando tomava um vinho sozinho, assim como eu o faço muitas vezes, e por muitas vezes se deparou com sobras deste vinho, sem saber ao certo o que fazer para mante-lo em condições de consumo depois de aberto? Pois bem, ao que tudo indica seus problemas foram resolvidos. Tudo que você precisa fazer é utilizar o winesave, um dispositivo que dispensa uma pequena quantidade de gás argônio dentro de sua garrafa com o resto de seu vinho e a mesma pode ser então fechada novamente (rolha, screw cap, etc.) e mantida fresca e em condições de consumo por muito mais tempo. O Argônio é um gás inerte, incolor e insípido e portanto não transfere quaisquer características diferentes ao seu vinho, tornando-se assim o gás ideal para tal tarefa. Ele ainda é quase 2 vezes e meia mais pesado que o ar, criando assim uma barreira entre o ar e o vinho quando injetado na garrafa, fazendo assim com que o processo de oxidação seja interrompido (o ar é componente essencial neste processo). Dito isto, passei a parte prática da experiência.


Fiz o teste com o vinho Alto de La Ballena Merlot 2007, adiquirido em minha visita a própria vinícola no Uruguai em algum lugar do passado (relembrem aqui e aqui o que eu falei sobre a mesma). Vamos aos resultados.

O vinho quando aberto a primeira vez apresentou uma cor ainda violácea e escura, sem muitos traços de evolução. Aromas de frutos escuros, chocolate e toques florais. Na boca bom corpo, acidez na medida e taninos finos porém presentes e de boa qualidade. Confirmou o que eu tinha tido de impressões quando o degustei na vinícola, em maio de 2011. A garrafa foi consumida até um pouco mais da metade e foi quando utilizei o winesave para mantê-la guardada na geladeira. Um segundo borrifando o gás argônio pra dentro da garrafa, arrolhada outra vez e pra geladeira.

Após uma semana inteira (7 dias) retirei o vinho da geladeira, deixei-o repousado por algum tempo na mesa até que adquirisse uma temperatura mais próxima da ideal para consumo e retirei a rolha novamente. Para minha surpresa, todas as características originais listadas no parágrafo anterior foram mantidas, inclusive o frescor e a acidez do vinho, sem quaisquer traços adicionais de evolução/oxidação no visual, olfato ou paladar. E olha que um vinho sem winesave armazenado nas mesmas condições perderia sua condição de consumo em no máximo 4 dias. Confesso que fiquei surpreso e ao mesmo tempo contente pois essa "invenção" é realmente útil e poderá ajudar muitas pessoas que gostam de vinho mas nem sempre tem companhia ou conseguem consumir uma garrafa inteira de uma vez. Apesar de ainda querer fazer um teste um pouco mais longo, eu mais do que recomendo o winesave!

Para finalizar gostaria de deixar um enorme agradecimento, mais uma vez, a Winelands e ao Sr. Fernando Zamboni pela oportunidade de testar o material que eles estão distribuindo e dizer que apesar da demora, eu  aprovei sem quaisquer ressalvas o winesave. Fico também a disposição para eventuais dúvidas e/ou sugestões que possam surgir deste post.

Para maiores informações sugiro contatar a empresa diretamente em www.winelands.com.br e se quiserem mais ler mais sobre o produto em si recomendo também o site www.winesave.com.br .

Até o próximo!

Friday, January 18, 2013

Sinal de alerta ligado: venda de vinhos importados em 2012 teve aumento ridículo

Pude notar que alguns meios de impressa (escrita principalmente) divulgaram notas nos últimos dias sobre o quão pífio foi o aumento da venda de vinhos importados no ano de 2012 (apenas 1,59% em valor e 1,01% em volume em relação ao ano anterior) enquanto que a transição 2010-2011 ficou na casa dos 13% em valor. Vejam, não sou economista nem tão pouco especialista no assunto mas comparando os números, vemos que o ano de 2012 teve algo de estranho no ar. 

Entendo que um dos principais problemas foi toda a lenga lenga envolvendo o pedido de salvaguardas para a indústria nacional, peticionado por algumas das maiores vinícolas do mercado interno. Discussão essa que tomou as mídias e as redes sociais durante boa parte do ano mas que ao final, se mostrou inócua e sem fundamentos que a sustentassem. Ao final, este pedido embora não prosperando, gerou uma série de incertezas em importadores e no público consumidor no geral, sempre com um pé atrás quando o assunto é o seu bolso (e com toda razão).

Outro fator a se discutir é a desvalorização do real frente ao dólar, principal moeda em se tratando de importações. Durante todo o ano de 2012 muito se discutiu se o governo deveria intervir ou não quando o real se valorizou e, segundo especialistas, se mostrava uma moeda forte (ainda que artificialmente). Depois de muitos pedidos e reclamações principalmente dos setores exportadores, o governo mexeu um pouco os pauzinhos e conseguiu com que o patamar de 1 dólar comprando 2 reais fosse estabelecido, criando assim um cenário mais favorável as exportações nacionais em detrimento as importações. Com isso, tivemos um aumento (significativo em determinados casos) nos preços dos produtos importados. 

Pra mim existe ainda um terceiro fator que é o preço brasil associado a ambição de algumas empresas importadoras de tais produtos. Evidentemente não podemos descartar o impacto que os impostos e demais taxas que são cobradas para a importação de determinadas mercadorias importadas é desumano mas ao mesmo tempo, a ambição e a voracidade com que as empresas querem obter seus lucros faz com que o vinho ainda se torne uma bebida elitizada no país (embora este cenário tenha mudado significativamente nos últimos anos).

O grande X da questão é que sempre o mais prejudicado nesta história toda acabando sendo a gente, o público consumidor que acaba arcando com custos mais altos quando queremos comprar nossa bebida preferida. Sinceramente fico preocupado com o futuro do mercado e se terei ou não condições de sustentar meus prazeres daqui pra frente, mas enfim, este é apenas um desabafo pessoal.

E você, caro leitor do Balaio, qual sua opinião sobre este assunto?

Até o próximo!

Thursday, January 17, 2013

Risoto de Shitake e Aurora Reserva Chardonnay 2011: Par perfeito!

Numa dessas noites em que estava em casa com minha noiva, resolvemos fazer mais uma incursão pela cozinha onde há tempos planejávamos fazer um risoto, que seria o prato da noite. Foi então que surgiu o embrião para o post de hoje.


O risoto consistia basicamente em refogar o shitake juntamente com tomate picadinho sem pele/caroço e cebola por um curto período de tempo e após, fazer o preparo normal do arroz (tipo Carnaroli) frito previamente com cebola e azeite, adicionando vinho branco, caldo de legumes, juntar o cogumelo refogado, finalizando com manteiga e queijo grana padano ralado. E olha que o prato ficou maravilhoso, com arroz al dente, cremosidade e aquele toque final do sabor do queijo pra se comer de joelhos! O cogumelo ficou também com uma ótima consistência, sem ficar mole demais ou apresentar aquele consistência borrachuda. Ponto pra nós, nosso primeiro risoto havia saído como o planejado.


O vinho escolhido para se juntar a receita e ser bebido depois, o Aurora Reserva Chardonnay 2011, foi uma grande surpresa. Explico: procurava um vinho com um bom custo benefício para integrar a receita ao mesmo tempo que pudesse escortar o prato e dar o prazer típico de se degustar um bom vinho. Apesar de já ter ouvido comentários muito positivos sobre este vinho, confesso que o tiro foi meio no escuro mas sinceramente, acho que foi um tiro mais que certeiro.

O que falar sobre a Vinícola Aurora? A maior e mais antiga Cooperativa e Vinícola do Brasil, conta hoje com mais de 1000 famílias associadas e produtoras de uvas, sejam estas para vinhos finos, doces, sucos e espumantes. Hoje tem sede bem no coração de uma das mais famosas cidades vitivinícolas do Brasil, Bento Gonçalves, e possui uma vasta gama de produtos, tendo alcançado uma posição de destaque no mercado vinícola brasileiro em virtude de seus recentes investimentos em modernização e reposicionamento de algumas marcas. Sobre o vinho em si, é feito com uvas chardonnay e tem rápida passagem por carvalho. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo com reflexos dourados me chamou atenção, apesar da pouca idade do vinho. Exibia ainda muito brilho e boa transparência. 

No nariz o vinho mostra aromas de frutas maduras como pêssego e abacaxi. Com algum tempo em taça se notam também toques de baunilha e mel. 

Na boca o vinho tinha um bom corpo, mostrando certa untuosidade e preenchendo bem o palato, aliada a uma boa acidez e um retrogosto que confirma as frutas e a baunilha do olfato. Final de média duração. 

Um bom vinho para o dia a dia tendo em vista que os pouco mais de 20 dinheiros pagos por ele foram bem investidos. Sua untuosidade casou muito bem com a cremosidade do risoto e seu frescor deixava a água encharcada e pronta para a próxima garfada. Eu recomendo.

Até o próximo!

Wednesday, January 16, 2013

E para o calor: sorvete de vinho!

Está certo que o clima mudou um pouco nos últimos dias, mas estávamos vivendo as voltas com o calor senegalês que vinha nos castigando durante nosso verão. E, aparentemente atrasado, me deparei com uma matéria inusitada: foi lançado nos EUA sorvetes com "sabores" de vinho.

Imagem retirada do site do fabricante

Ao que tudo indica, uma antiga fábrica de sorvetes dos EUA chamada "Merce's Dairy", resolveu inovar e resolveu unir sorvetes a vinhos, criando assim a sua linha de sorvetes "wine ice cream". As uvas são colhidas a mão, e após a fermentação são misturados aos demais ingredientes que constituem formando esta inovadora forma de sobremesa. E nem pensem que isso é brincadeira de criança, afinal o sorvete tem em média 5% em volume de álcool.


Os sabores são descritos assim pelo fabricante:  cherry merlot (conhecida por conter os aromas/sabores de ameixas e cerejas escuras, a uva merlot foi escolhida e enriquecida com cerejas especialmente vindas de Bordeaux), chocolate cabernet ( a união de uma uva que normalmente é associada a aromas/sabores de cereja seca e notas de cassis com chocolate meio amargo), peach white zinfandel (zinfandel vinificado em branco com açúcar residual numa mistura com pêssegos bem maduros), port (bem encorpado e final suave e agradável), red raspberry chardonnay (chardonnay envelhecido em barrica com toques de baunilha no nariz e final amanteigado misturado com framboesas vermelhas bem frescas) e finalmente o riesling (com sua fruta fresca e qualidade "quase efervescente").


Pelas descrições, fiquei até com água na boca, mas ao que parece os mesmos não estarão disponíveis em territórios fora dos EUA. Para quem quiser mais informações sobre o produto, sugiro acessar o site do fabricante em http://www.mercersdairy.com/Wine_Ice_Cream_home_page.php .

Até o próximo!