sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sinal de alerta ligado: venda de vinhos importados em 2012 teve aumento ridículo

Pude notar que alguns meios de impressa (escrita principalmente) divulgaram notas nos últimos dias sobre o quão pífio foi o aumento da venda de vinhos importados no ano de 2012 (apenas 1,59% em valor e 1,01% em volume em relação ao ano anterior) enquanto que a transição 2010-2011 ficou na casa dos 13% em valor. Vejam, não sou economista nem tão pouco especialista no assunto mas comparando os números, vemos que o ano de 2012 teve algo de estranho no ar. 

Entendo que um dos principais problemas foi toda a lenga lenga envolvendo o pedido de salvaguardas para a indústria nacional, peticionado por algumas das maiores vinícolas do mercado interno. Discussão essa que tomou as mídias e as redes sociais durante boa parte do ano mas que ao final, se mostrou inócua e sem fundamentos que a sustentassem. Ao final, este pedido embora não prosperando, gerou uma série de incertezas em importadores e no público consumidor no geral, sempre com um pé atrás quando o assunto é o seu bolso (e com toda razão).

Outro fator a se discutir é a desvalorização do real frente ao dólar, principal moeda em se tratando de importações. Durante todo o ano de 2012 muito se discutiu se o governo deveria intervir ou não quando o real se valorizou e, segundo especialistas, se mostrava uma moeda forte (ainda que artificialmente). Depois de muitos pedidos e reclamações principalmente dos setores exportadores, o governo mexeu um pouco os pauzinhos e conseguiu com que o patamar de 1 dólar comprando 2 reais fosse estabelecido, criando assim um cenário mais favorável as exportações nacionais em detrimento as importações. Com isso, tivemos um aumento (significativo em determinados casos) nos preços dos produtos importados. 

Pra mim existe ainda um terceiro fator que é o preço brasil associado a ambição de algumas empresas importadoras de tais produtos. Evidentemente não podemos descartar o impacto que os impostos e demais taxas que são cobradas para a importação de determinadas mercadorias importadas é desumano mas ao mesmo tempo, a ambição e a voracidade com que as empresas querem obter seus lucros faz com que o vinho ainda se torne uma bebida elitizada no país (embora este cenário tenha mudado significativamente nos últimos anos).

O grande X da questão é que sempre o mais prejudicado nesta história toda acabando sendo a gente, o público consumidor que acaba arcando com custos mais altos quando queremos comprar nossa bebida preferida. Sinceramente fico preocupado com o futuro do mercado e se terei ou não condições de sustentar meus prazeres daqui pra frente, mas enfim, este é apenas um desabafo pessoal.

E você, caro leitor do Balaio, qual sua opinião sobre este assunto?

Até o próximo!

6 comentários:

  1. Olá Victor! Aqui é o Emílio, do Adega para todos. Não me espanto com estes números, pois já venho comentando com meus amigos que estamos à beira de uma crise financeira histórica no Brasil. A bolha imobiliária está prestes à estourar, a maioria dos brasileiros estão endividados, a inflação está sendo disfarçada pelo governo e o aumento do salário dos funcionários não condiz com a realidade, porquê se baseia em um inflação mentirosa. A verdade é que o brasileiro está sem dinheiro para gastar e isto vai piorar porquê o nosso crescimento econômico beira o ridículo, com taxas menores que o México e semelhantes à Inglaterra e Alemanha, que estão em crise. Para piorar o cenário, o governo está gastando horrores com a futura copa do mundo e Olimpíadas. E os políticos condenados no mensalão estão assumindo postos e não pararam de trabalhar. É óbvio que estamos vivendo uma das maiores roubalheiras da história deste país, ou deveria dizer: "nunca dantes na história deste país..."

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Emílio,

      Que honra de sua visita aqui no meu humilde blog.

      Compartilho em gênero, número e grau sua opinião. Mas eu acho, pelo menos é a minha esperança, que muitas máscaras irão ainda cair e que esta contabilidade fantasiosa vai ser mostrada como deveria, pra vermos se o povo acorda para a nossa realidade.

      Obrigado pelas palavras e pela visita.

      Abraço

      Excluir
  2. Xará, o incrível é que, mesmo diante de números tão ruins, os preços dos vinhos não cedem.
    As tradicionais liquidações vieram piores que nos últimos anos. Ninguém compra, ninguém vende e a caravana passa, por enquanto. Estamos numa queda de braço contra gente que só dá desconto pra vinho encalhado, que prefere fechar a reduzir as margens extorsivas. Sinceramente, não sei onde isso vai dar, mas torço fervorosamente por uma quebradeira geral.
    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é xará, complicado mesmo. Eu sempre fui um pouco avesso a estas liquidações de inicio de ano, pois sempre vi grande parte dos vinhos como mercadoria encalhada e ja passando de seu ponto bom de consumo. Eu não diria que estou na torcida para uma quebradeira geral, mas algo que se assemelhe e dê um susto nos mais gananciosos.

      Abração e obrigado pela visita/comentário.

      Excluir
  3. Ola Victor, aqui é o Rogerio, do In Vino Viajas, um bloguezinho de enoturismo. Muito boa avaliação do ambiente. Se os importadores venderam menos em 2012 não sei, mas que continuam alucinados nos preços, isto eu garanto. A avaliação do Emilio Bonetti sobre nosso ambiente economico está perfeito: já estamos vivendo do ar da bolha.
    Abs
    Rogerio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola Rogerio, obrigado pela visita.

      Realmente o que eu tenho visto é que os preços dos vinhos, apesar do aumento pífio nas vendas, não sofreram qualquer alteração negativa se mantendo muitas vezes em patamares mais elevados dos que os do ano passado. Eu não entendo muito de economia, mas acho que problemas logo aparecerão.

      Continue nos acompanhando.

      Abraços!

      Excluir