Friday, May 30, 2014

Clos Du Val Pinot Noir 2011: Um belo Pinot americano!

Em 1970, o empresário norte-americano John Goelet deu ao enólogo francês Bernard Portet a missão de encontrar um novo território com potencial para produzir vinhos de classe mundial. Dois anos e cinco continentes depois, Portet desembarcou no Napa Valley, Califórnia, onde ele teve um senso dos microclimas de Napa quando dirigiu seu carro pela região com o braço para fora do carro.  Impressionado com as noites frias e terreno idílico do então desconhecido distrito de Stags Leap, ele propôs a área para Goelet. Convencido, Goelet adquiriu 150 hectares de terra e fundou Clos Du Val, um "pequeno vinhedo em um pequeno vale ", em 1972. Logo depois Clos Du Val se tornou uma das primeiras vinícolas a marcar posição em algumas das melhores terras numa encosta na região de clima frio, a região de Carneros comprada em 1973. Abordagem de inspiração francesa do enólogo Portet para vinificação combinado com o caráter extraordinário das uvas do Napa Valley estabeleceu a tradição de vinhos clássicos da vinícola.


Falando um pouco do vinho alvo do post, o Clos Du Val Pinot Noir 2011, é um varietal 100% feito a partir de uvas Pinot Noir da AVA Carneros, no Napa Valley. Passa ainda por 14 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês, sendo que destes, 20% de primeiro uso. Sem maiores delongas, vamos então as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou um bonita cor rubi com bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e espassadas sem qualquer coloração também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, toques de pinho e baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, acidez gostosa e refrescante e taninos finos e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de longuíssima duração, que deixa saudades até!

Sem dúvidas um excelente vinho, guloso, sedutor e denso. Pode-se degusta-lo sozinho ou acompanhando comidas mais delicadas. Este também vem pro Brasil pela SmartBuy Wines. Eu recomendo e muito.

Até o próximo!

Thursday, May 29, 2014

O que esperar da safra 2014 na Argentina e no Chile?

Relatos preliminares sobre a qualidade da safra 2014 sob o olhar de produtores e enólogos



Todos prontos para saborearmos os primeiros vinhos da safra 2014? Enquanto as vinhas estão apenas florescendo no hemisfério norte (Europa e América do Norte), aqui pelos lados do hemisfério sul muito já se tem de uvas colhidas, moídas e fermentadas, todas representantes da safra atual. Os principais produtores da América do Sul - Chile e Argentina - não enfrentaram uma safra tranquila e de fácil cultivo. No Chile, uma severa geada de primavera criou uma das menores colheitas em anos, mas uma boa safra produziu vinhos agradáveis. Houve geada do outro lado da Cordilheira dos Andes também, e uma colheita em baixo de muita chuva diminui ainda mais o rendimento.

Argentina

A boa notícia: uvas brancas colhidas antes das chuvas mostraram boa qualidade. Uma maior acidez nas uvas tintas como a Malbec, por exemplo, promete um potencial de longo envelhecimento.

A má notícia: A geada de primavera danificou muitas vinhas em Mendoza, com alguns vinhedos de Chardonnay enfrentando perdas de até 40 por cento na produtividade. A colheita em um período chuvoso e úmido significou também botrytis em alguns pontos, diminuindo ainda mais a produção.

Os viticultores argentinos enfrentaram uma montanha-russa de condições climáticas durante todo o ano, culminando em uma colheita fria e úmida. Além disso, a geada em partes de Mendoza combinada a situação da colheita, reduziu os rendimentos de um modo geral. O degelo abundante teria feito dessa uma grande colheita, se tudo não tivesse se abrandado com o tempo frio em fevereiro, março e abril somados a severa geada de setembro. Segundo relatos, a geada atingiu principalmente o leste e o norte de Mendoza e San Juan, e também algumas partes do Vale do Uco e Luján de Cuyo. Graças ao clima e as chuvas frias durante a colheita, a botrytis foi generalizada em Mendoza, e foi necessária muitos cuidados aplicados a viticultura para colher uvas saudáveis. A paciência é necessária para alcançar uma boa maturidade. O teor de álcool dos vinhos é mais baixo do que o normal. A colheita sendo particularmente atrasada e com o tempo frio, vai levar os melhores tintos a alcançar sua fermentação malolática somente na próxima primavera, o que é bastante tarde em termos de Argentina.

Chile

A boa notícia: O tempo quente e seco durante o período de crescimento levou a uma colheita precoce e a promessa de vinhos concentrados e cheios de sabor .

A má notícia: Uma grave geada de primavera  acabou danificando novos brotos. Os rendimentos caíram pela metade ou chegaram a um terço para a maioria das variedades.

A geada da primavera durante o período de crescimento foi uma dos mais prejudiciais na história do Chile. As regiões costeiras perto de Santiago, incluindo Casablanca e Leyda, foram duramente atingidas, bem como os vales fluviais no sul, como Bío-Bío por exemplo. As castas mais afetadas foram Chardonnay e Sauvignon Blanc para os vinhos brancos e Pinot Noir e Merlot para os vinhos tintos. Embora a colheita seja pequena, a qualidade é alta em todas as áreas, de acordo com muitos viticultores.

Matéria original em www.winespectator.com

Wednesday, May 28, 2014

Vinho e HQ: Os Ignorantes mostra uma harmonização possível!

A sinopse desta obra, lançada pela editora Martins Fontes, é sugestiva: "Étienne Davodeau é autor de HQ e não sabe muita coisa do mundo do vinho. Richard Leroy é vinicultor, quase nunca leu quadrinhos. Durante mais de um ano Étienne foi trabalhar nos vinhedos e na adega de Richard, que, em troca, mergulhou no mundo da HQ. Étienne Davodeau afirma que existem tantas maneiras de fazer um livro quantas de produzir vinho. Ele constata que ambos têm o poder, necessário e precioso, de aproximar os seres humanos. O livro oferece o relato alegre dessas iniciações".

Foto da capa do livro tirada diretamente do site da editora

Confesso que ainda não tive contato com a obra em quadrinhos, mas todo o burburinho e destaque que a mesma tem tido na midia especializada me chamou a atenção e aguçou minha curiosidade. A estória se passa na França, mais precisamente em uma localidade no Vale do Loire. Dois mundos teoricamente bem diferentes mas que trazem a criatividade e as relações humanas como pano de fundo para o desenrolar da narrativa. 

Alguém já leu e quer dividir comigo suas impressões? Assim que tiver a oportunidade, volto aqui e conto um pouco mais sobre o assunto. 

Até o próximo!

Espumante Palavrar Brut: Um vinho espumante português cativante

Este vinho espumante é feito pelo produtor chamado Ampulheta, do Alentejo, em Portugal e sobre o qual pouca ou nenhuma informação consegui descobrir através de minhas andanças on line. Confesso que fiquei curioso e por um descuido de minha parte, acabei por descartar a garrafa antes que pudesse sequer verificar de novo se havia um endereço eletrônico ou coisa do gênero. De qualquer forma, descontando este meu ato falho, nos dediquemos ao que temos de informação, certo?


O Espumante Palavrar Brut é vinificado com 3 castas autóctones portuguesas (Bical / Maria Gomes / Baga) e foi produzido pelo método Charmat, ou seja, a segunda fermentação também ocorreu em tanques de inox, mas descansou por 2 meses em garrafa na cave subterrânea antes de ir para o mercado. Possui 12% de graduação alcoólica. Sem maiores delongas, vamos então as impressões.

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com alguns reflexos dourados. Borbulhas de pequenas para médias, em boa quantidade e de persistência média para alta. 

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos brancos e cítricos, pêssego e limão siciliano, ligeiro toque de panificação e algo de mel.

Na boca o vinho espumante se mostrou com bastante cremosidade, acidez gulosa e no entanto bem equilibrado. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Apesar de não conhecer nem tão pouco ter muita experiência em vinhos espumantes portugueses, confesso que este me cativou por ser fácil de beber por si só mas que deve acompanhar pratos mais leves e a base de frutos do mar de forma incrível. Mais um vinho que pude ter o conhecimento através do Clube de vinhos Winelands. Eu recomendo, o vinho espumante e o clube de vinhos.

Até o próximo!

Tuesday, May 27, 2014

Don Giovanni Cuvée 2004: Elegância e estilo do vinho brasileiro


A Vinícola Don Giovanni é um complexo enoturístico, localizado no Distrito de Pinto Bandeira, que reúne além dos vinhedos e da vinícola, varejo para venda e degustação dos vinhos, pousada e restaurante. E tudo isso localizado num terroir a 700 metros acima do nível do mar, entremeado de uma vasta e bela vegetação com estradinhas que por alguns momentos lembram até as da Toscana. São cerca de 18ha plantados com vinhas sendo que entre estas, se encontram as seguintes castas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Pinot Noir, Ancellota e Pinot Noir. Possui uma produção média de 120 mil garrafas/ano sendo que destas, cerca de 70% são de espumantes. Além disso produzem ainda um destilado de vinho, o Brandy. Hoje quem cuida da propriedade e de sua produção é a quarta geração da família. O que é também interessante é que eles guardam em suas caves, garrafas de safras mais antigas que podem até ser vendidas, mediante encomenda do cliente.



Falando sobre o vinho, o Don Giovanni Cuvée 2004 pode ser considerado o vinho top da vinícola. Tem em sua composição aproximadamente 40% de uvas Cabernet Sauvignon, 40% de uvas Merlot e 20% de uvas Ancellota. Passa por 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Sua graduação alcoólica é de 12,4%. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas compunham também o aspecto visual.

Na taça o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos em compota, especiarias e baunilha. Fundo de taça com algum toque de tostado. 

Na boca o vinho mostrou um bom corpo, acidez na medida e taninos finos, macios e bem redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Mais um bom vinho brasileiro, que continua a confirmar a qualidade do que vem sendo produzido por aqui. E olha que este eu achei por acaso, mesmo tendo visitado a vinícola Don Giovanni mais no começo deste ano, em um passeio a São Roque. Eu recomendo.

Até o próximo!