Tuesday, September 30, 2014

Bosque Olivos: O Brazil do Azeite Extra Virgem que não conhecemos!

O Brasil é um país curioso, cheio de altos e baixos e que vive um momento de incertezas dado a proximidade com que as eleições presidenciais se aproximam. Independentemente do que vier por ai, tenho em mente de que não será muito fácil, mas isso não vem ao caso. O que eu queria mesmo dizer aqui é que recentemente descobri que fazemos azeite de oliva extra virgem de boa qualidade por aqui. Posso ser até taxado de ignorante por não saber disso anteriormente mas, enfim, estou sendo sincero. E eis que uma amostra deste belo Bosque Olivos Azeite de Oliva Extra Virgem surgiu em minha vida e eu quis compartilhar com vocês um pouco a respeito.


A empresa Bosque Olivos surgiu no Rio Grande do Sul, mais precisamente em 2006 com o intuito do estudo de viabilidade de fruticultura em uma propriedade de aproximadamente 11 hectares de terra que, após muito estudo, acabou apostando no plantio e cultivo de oliveiras. Já em 2007 o projeto piloto se iniciou e em 2008, a empresa como é conhecida hoje, foi finalmente batizada e fundada oficialmente. Atualmente a empresa conta com mais de 3000 árvores plantadas na propriedade sendo que aproximadamente 9 hectares de terra estão cobertos por esta cultura. Hoje passadas as dificuldades iniciais, o projeto tem crescido consideravelmente e as pesquisas tem dado bons frutos.

A principio, a primeira safra que gerou azeite de oliva foi a safra 2014 nas variações monovarietais arbequina, arbosana, picual e koroneiki. Ainda se utilizando desta safra, estão sendo experimentados diferentes blends para que agradem o consumidor final. Tive acesso ao varietal arbequina e vou compartilhar minhas experiências nas linhas que seguem.

O azeite era bem límpido e sem partículas em suspensão. No aroma era basicamente frutado e com toques ligeiramente amendoados, Na boca o azeite não era fluído de tudo mas também não era dos mais viscosos, diria que está no "meio termo", muito saboroso e com um leve picante no final. Não deixava qualquer amargor final. Bom frescor. 

Surpresa, o azeite agradou em cheio tanto a mim como a minha esposa, pois somos ambos apaixonados por esse alimento. Eu recomendo a prova e fico contente de descobrir mais uma faceta deste nosso Brasil varonil. Para maiores informações acessem:


Tenho certeza de que não irão se arrepender.

Até o próximo!

Monday, September 29, 2014

Visita a Cervejaria Funky Buddha em Oakland Park, na Flórida!

As viagens a trabalho as vezes nos rendem surpresas agradáveis e possibilidades até então inimagináveis. Quando você tem um final de semana livre, as vezes procura novidades na região em que você se encontra para evitar os lugares já manjados, ainda mais se você já tiver visitado o local anteriormente. E foi exatamente assim que acabei descobrindo a Cervejaria Funky Buddha, em Oakland Park, Flórida. O local fica a cera de uns 40 minutos de Miami, lugar em que me encontrava e não pensei duas vezes em ir lá visitar. Ainda mais depois de ver que era possível fazer um tour pela fábrica, beber as cervejas ali no bar da cervejaria ou ainda comer pratos diferentes em um dos food trucks que costumam parar lá na porta.


A história da Funky Buddha  Brewery começou em 2007, quando o proprietário Ryan Sentz comprou um lounge de chá em um trecho despretensioso de lojas na Rodovia Federal em Boca Raton. O local logo se expandiu e se tornou ponto de encontro para amantes de uma boa cerveja artesanal. Logo o espaço em Boca Raton se tornou pequeno e depois de alguns estudos e convites, a aquisição do local atual em Oakland Park foi uma consequência e a realização de um sonho: tornar profissional sua atividade de cervejeiro caseiro. E assim, em setembro de 2010, Sentz e sua equipe levantaram um copo e brindaram a todos a nova Funky Buddha  Lounge & Brewery. Os primeiros lotes foram um sucesso instantâneo: cervejas como Rum-Soaked Oak-Aged Red Ale, Orange-Creamsicle Wheat e a Ginger Lemongrass fizeram com que os fãs de cervejas artesanais começassem uma caravana rumo ao lugar. Então, alguns meses depois, Sentz criou uma cerveja que quebrou todos paradigmas: a Maple Bacon Coffee Porter. Esta cerveja tinha de tudo um pouco: bacon salgado e defumado, um grosso e doce xarope de syrup e café torrado. Ela também bateu perfeitamente no renascimento da cerveja artesanal varrendo sites como BeerAdvocate.com e RateBeer.com na época. Nesta época também a Funky Buddha chegou a ser considerada a 27a melhor cervejaria do mundo de acordo com o RateBeer


A visita se dá basicamente mostrando todos os equipamentos da fábrica, desde a moagem dos grãos até a fermentação da cerveja em tanques de aço inox. Falamos também sobre as principais matérias primas que compõe a cerveja: água (a mais chata, segundo nosso guia Trevis), malte, lúpulo e as leveduras. Aliás o uso de vários tipos de lúpulo vindos de várias partes do mundo juntamente as leveduras selecionadas é que diferenciam as cervejas aqui. Vale lembrar que nenhuma cerveja é filtrada e/ou pasteurizada, o que reduz o shelf life consideravelmente. Além disso toda a visita é movida a cerveja: começamos com a OP Porter, densa, aromas de mocha e tostados além de um chocolate amargo; passamos a flagship deles a Hop Gun IPA, muito caramelo, mel, frutas e aquele amargor final delicioso e refrescante; depois veio a Floridian Hefeweizen, uma cerveja de trigo estilo alemã mais leve e refrescante, que trás muita banana e especiarias, num final seco e quase "salgado"; e para finalizar uma tripel belga de cair o queixo, deliciosa cujo nome me fugiu da memória.


Os tours pela fábrica estão disponíveis em 3 horários aos sábado e domingos e dois horários as terças e quintas, se não me engano. E ainda os planos aqui são ousados: estão expandindo um pouco a fábrica e estão incluindo uma linha de envase para  que isso possa acontecer. Já estão presentes em bares e restaurantes espalhados pela Flórida mas a idéia é expandir dentro de todo o território nacional americano. Quem sabe um dia não desde um pouco mais e aparece em terras brasilis? Eu recomendo a visita e a cerveja.


Para maiores informações, reservas de tours e compras on line acessem:


Até o próximo!

Sunday, September 28, 2014

Ervideira Invisível 2012: Um vinho português que vai te surpreender!


Continuando com algumas surpresas da prova de vinhos do Alentejo que sucedeu a Materclass "A arte do corte", Portugal sempre surpreende com alguns vinhos interessantes, o que não foi diferente com este Ervideira Invisível 2012. Vamos ver os por quês abaixo?


As herdades do Monte da Ribeira e da Herdadinha, pertencem à família Leal da Costa, descendente direta do Conde de Ervideira, agricultor de sucesso dos séc. XIX e XX. O Conde, que recebeu o título de D. Carlos I pelo função social que a família desempenhava na região, deu início à produção de vinho em 1880 como atestam as garrafas que ainda hoje a empresa exibe na sala de provas. Com 160ha de vinhedos divididos pela Vidigueira (110ha) e por Reguengos (50ha), a administração da Ervideira é assegurada por Dona Maria Isabel, a matriarca da família, e pelos seus seis filhos, sendo Duarte Leal da Costa o diretor executivo. A direção enológica é da responsabilidade de Nelson Rolo.

Sobre o Ervideira Invisível 2012, a surpresa principal: é feito a partir da casta Aragonêz, uma casta típica portuguesa que é tinta, mas que aqui foi vinificada em branco pelo pouco (ou quase nenhum contato) do mosto com as casas das uvas. Não passa por barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração amarelo palha bem clara, quase prateada, com reflexos verdeais com muita transparência e brilho. Lágrimas finas, rápidas e sem cor também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de pêras, herbáceo e leve toque de especiarias.

Na boca o vinho se mostrou de corpo leve para médio com bom frescor. Retrogosto confirma o olfato e o final é de médio para longa duração.

Um bom vinho português, além do curioso fato da maneira como é produzido. Eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, September 26, 2014

Masterclass Vinhos do Alentejo: A Arte do Corte

No último dia 15 de Setembro aconteceu no Hotel InterContinental São Paulo a Masterclass ‘A Arte do Corte’, conduzida pelo crítico de vinhos português Rui Falcão através da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana. O evento foi organizado pela Essência do Vinho e integra a programação do Tasting anual da CVR Alentejana, que aconteceu no mesmo dia. A assessoria de imprensa ficou a cargo da sempre competente Alessandra Battochio Casolato através da CH2A Comunicação, mestre no quesito. Na prova, Rui Falcão falou sobre como o Alentejo tem conseguido combinar diferentes variedades de uvas alcançando vinhos que são um conjunto superior à soma das partes. Complicado né? Vamos ver a seguir se consigo simplificar um pouco o que aconteceu por lá.


Primeiro é preciso dizer que, se você um dia tiver a oportunidade de visitar Portugal (eu ainda não tive, mas vou ter) nunca diga que você quer um vinho de corte. Eles não vão entender! Afinal quase tudo que se faz por lá é a mistura de mais de uma uva. E mais, lá se você quiser realmente conversar sobre o assunto, fale em vinho de "lote". Enfim, particularidades da língua. E foi mais ou menos assim que Rui começou a aula, ou melhor, o show.


Mas a pergunta que começou a povoar a cabeça dos presentes (mentira, começou a povoar a minha cabeça) era o por que do uso quase que integral de cortes dos vinhos ao invés de se pensar em vinhos varietais. E Portugal, através de Rui Falcão, justificou: pluralidade de uvas autóctones, complementação de uma uva com a outra (características distintas), preferência pura e simples entre outros motivos. O mistério começava a se desfazer. 


Antes porém é preciso ressaltar que o Alentejo é uma das regiões mais consumidas no mundo. Some-se a isso o fato de se produzir vinho por lá a milhares de anos e as recentes inovações tecnológicas que por lá se empregaram para termos uma região muito interessante para se provar. E nada melhor do que provar vinhos e tentar entender o que acontece por lá. De brancos a tintos, muita coisa boa passou pelas taças. Vamos aos astros principais:


Adega de Borba Tinto 2012: corte de Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet com uma cor bastante escura e vibrente, frutos escuros, caramelo e toques florais no nariz. Na boca tem um corpo médio, boa acidez e taninos marcados. Final de médio para longo;

Cortes de Cima Tinto 2011: aqui já entram uvas internacionais como Petit Verdot e Syrah com as tradicionais Touriga Nacional e Aragonês. Violáceo de grande intensidade, fruta, flor, especiarias e tostado no nariz e confirmado no paladar. Taninos marcados, bom corpo e acidez na medida;

Esporão Reserva Branco 2013: feito a partir das castas Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Semillon, este branco tinha coloração amarelo palha bem clarinha e brilhante, aromas de maracujá, lichia, coco e tostado. A acidez era marcada com um corpo médio e um final de média duração;

Vila Santa Reserva Branco 2012: este tem em sua composição Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc. Mostra alguma evolução para um amarelo dourado com toques herbáceos, de abacaxi e maracujá no nariz. Na boca é untuoso, mineral e fresco com um final de longa duração;

Tinto da Talha Grande Escolha Tinto 2009: talvez um dos melhores, senão o melhor da noite, feito com um corte simples Alicante Bouschet/Touriga Nacional já apresentava traços evolutivos granada com muita complexidade aromática: fumo, fruta, floral, medicinal e toques terrosos. Na boca mostrou corpo e acidez invejáveis com taninos bem marcados e um final longo e delicioso;

Dona Maria Reserva Tinto 2008: corte de Alicante Bouschet, Syrah e Petit Verdot trazendo aromas frutas, balsâmico e toques animais. Guloso e encorpado na boca, com taninos macios e uma boa acidez. Um vinho mastigável e delicioso;

Paulo Laureano Premium 2012: famoso bigode do mundo do vinho, seu vinho é um corte de Alicante Bouschet, Trincadeira e Aragonês de coloração violácea escura e sem transparência, com muita fruta e especiaria em primeiro plano. Encorpado, taninos marcados e de boa acidez.

E foi assim que essa intrigante região vinícola, eleita como umas das melhores do mundo para se visitar por uma publicação americana, se apresentou neste dia. Muita diversidade, muitas uvas e muito vinho bom.

Até o próximo!

Saturday, September 20, 2014

Espumante Les Amis Brut Rosé: Todo charme de Provence na taça!

Continuando a falar sobre os vinhos do último Winebar com a Importadora Expand e os vinhos franceses da Les Amis, é hora agora de falarmos de uma região e de um vinho famoso mundo a fora mas que não havia sido degustado por aqui nem tão pouco escrito, ou se foi aconteceu por uma ou duas vezes no máximo. Estou falando do Espumante Les Amis Rosé, da região da Provence, na França. A Provence é famosa por seus delicados e frescos vinhos rosés que são sinônimo de verão e de ambientes alegres e descontraídos. Vamos ver se este espumante também é assim?


Este projeto denominado "Les Amis" advém da união de alguns vinicultores franceses, amigos, que possuem propriedades e empreendimentos vinícolas em diversas regiões da França e que juntos, no melhor estilo cooperativa, lançam vinhos sob os rótulos "Les Amis". E desde então, além da produção em mercado nacional, começaram a exportar seus vinhos para outros lugares do mundo e voilá, a Importadora Expand nos presentou com seus rótulos em território nacional. No caso específico deste espumante, a vinícola fica localizada em Provence e é uma empresa familiar criada em 1952, especializada em produzir vinhos, principalmente espumantes de qualidade premium. A região recebe chuvas intensas no outono e na primavera e os verões são secos e quentes. Apesar das temperaturas serem altas, a diversidade do relevo proporciona variações importantes mesmo em pequenas distâncias. Já sobre o Espumante Les Amis Rosé, podemos acrescentar que é feito com 100% de uvas Grenache e não consegui identificar ou mesmo obter informações sobre o método de produção (charmat ou convencional). Vamos as impressões?

Na taça o espumante apresentou uma bonita coloração rosé bem clarinha, lembrando casca de cebola com perlage fina, borbulhas pequenas e bem persistentes.

No nariz o espumante mostrou aromas de frutos vermelhos e toques de panificação. Leve lembrança floral.

Na boca o espumante se mostrou fresco, corpo leve para médio e com um retrogosto que confirmava o olfato. Equilíbrio é a palavra que melhor o descreve. O final é de média duração.

Um bom exemplar da Provence, deve agradar em cheio principalmente em dias mais quentes para se jogar conversa fora, sem acompanhar nenhuma comida ou mesmo com pratos leves e entradinhas. Eu recomendo. 

Até o próximo!