Tuesday, September 26, 2017

Beau-Séant Merlot 2008

O vinho de hoje é produzido pela Stambolovo Winery, situada no sul da Bulgária, em estreita proximidade com as fronteiras com a Grécia e a Turquia. A região é de importância geográfica chave. O caminho mais curto da Europa para a Ásia e Ásia Menor passa por estas terras. Muito provavelmente esta foi a via pela qual as primeiras videiras foram trazidas para o que é hoje o território da Bulgária. Esse fato se deve, em grande certeza determinar a região como um dos primeiros centros de vinificação na Europa. Com uma história de quase 80 anos de atividade, atualmente a vinícola está entre os principais produtores de vinho na Bulgária. Devido às características benéficas climáticas e terroir da região, bem como a qualidade e tradição comprovada, hoje a marca Stambolovo é considerado pela maioria dos profissionais de negócios do mundo do vinho como a vinícola com os melhores, de maior qualidade e mais típicos vinhos Merlot na Bulgária.


Falando sobre o Beau-Séant Merlot 2008, podemos dizer que este vinho faz parte de uma coleção especial de vinhos, produzidos e engarrafados mediante marcação e licença sob o controle da Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - Magnus Prioratus Magistralis Bulgariae, a ordem dos Templários, ordem militar de monges guerreiros foi fundada sob o nome de Os Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, posteriormente conhecida com o nome atual, Ordem dos Templários, cujo lema era: Non Nobis Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo Da Gloriam (Não para nós, Senhor, não para nós, mas para o seu nome dar glória). 

Passando aos detalhes viticulturais do vinho, acrescentamos que o vinho é feito com uvas Merlot de uma microrregião controlada no sul da Bulgária, com amadurecimento em carvalho e posterior envelhecimento em garrafa, para liberação ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e incolores também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, especiarias doces, chocolate amargo e leve toque de tabaco.
Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos fininhos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média para longa duração.

Mais um belo vinho que foi apresentado pelo Winelands Clube do Vinho, o clube que eu assino e recomendo. E mais vindo das terras de meus antepassados, alimentando minha vontade de um dia passar por lá e verificar tudo isso e muito mais in loco.

Até o próximo.

Tuesday, September 19, 2017

Comenda Grande Tinto 2014

A exploração agrícola da Comenda Grande, produtora do vinho de hoje, foi iniciada por Maria José de Almeida Margiochi, neta de José Maria Eugênio de Almeida (hoje Fundação Eugênio de Almeida). Herdada pela senhora D. Maria Madalena de Noronha e seu marido D. João de Noronha, esta exploração agrícola de referência da casa Margiochi é hoje continuada por sua filha Maria de Lourdes S.A. de Noronha Lopes, pelo seu marido Eng. António Lopes e pelos filhos, compreendendo uma área de 750 hectares. Na vinha instalada, em que cerca de 36 hectares são castas tintas e 7 hectares castas brancas, privilegiaram-se as castas mais marcantes do Alentejo – Trincadeira e Aragonez nas tintas e Arinto e Antão Vaz nos brancos mas existem outras tais como Alfrocheiro, Tinta Caiada, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Syrah e Baga nas tintas, bem como Verdelho, Sauvignon Blanc e Roupeiro nas brancas. A Comenda Grande está sediada em Arraiolos, Alentejo, Portugal.


Falando sobre o Comenda Grande Tinto 2014 especificamente, podemos acrescentar que é um vinho feito a partir de um corte das uvas Aragonez, Alicante Bouschet e Trincadeira complementadas por Syrah, Tinta Caiada, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon. Após a fermentação o vinho passa por amadurecimento de 12 meses em barricas de carvalho francês e envelhecimento em garrafa de 6 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com ligeiro halo granada, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias doces, baunilha e flores.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Mais um bom vinho português degustado e aprovado por aqui que vale a prova, eu recomendo.

Até o próximo!

Monday, September 18, 2017

Visitando a Vinícola Guaspari em SP

Eu confesso que sempre fui muito cético com vinhos nacionais, embora tenho visto uma boa evolução nos últimos anos, principalmente no tocante ao uso do termo terroir único e coisas correlatas. Afinal, mundo a fora, o termo terroir é empregado a locais "seculares" e que possuem toda uma cultura ancestral quando falamos de cultivo de uvas e produção de vinhos, coisa que o Brasil ainda não tem a curto e médio prazo. De qualquer forma, a descoberta de novas regiões produtoras de vinho de qualidade aqui no Brasil tem despertado atenção e portanto eu, como apreciador da bebida de Bacco, quis conhecer mais sobre o assunto. E em mais um "capítulo" da viagem enoturística adquirida junto a Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho, fomos brindados com a visita a uma das vinícolas que muito tem se falado aqui no Brasil e também em alguns lugares do mundo, a Vinícola Guaspari.



A menos de 200 km de São Paulo encontramos a cidade de Espírito Santo do Pinhal, que possui aproximadamente 50.000 habitantes, onde está localizada a Vinícola Guaspari, uma das mais belas e premiadas vinícolas nacionais. O início da vinícola se deu em 2001, pelo menos conceitualmente, com a chegada de uma família muito ligada ao campo a esta região tradicionalmente cafeeira e identifica condições muito favoráveis à viticultura e depois fisicamente falando, com a aquisição de uma antiga propriedade, já em 2002. A altitude, clima seco, amplitude térmica elevada principalmente na época da colheita e demais característica do local foram o chamariz.




Na companhia de uma enólogo da casa, o passeio se inicia em frente a um imponente logo da empresa e segue até os vinhedos, que aprendemos mais tarde terem sido plantados em meados de 2006 com algumas mudas importadas da França, e que para obter-se o vinho ali, o sistema de dupla poda foi empregado, criando o que chamamos de "colheita de inverno". O termo "terroir de inverno" surge novamente. Aqui descobrimos que cerca de 80 ha da propriedade estão cobertas com vinhas, dentre as quais encontramos Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Franc e Sauvignon, entre outras. Continuamos então a visita ao restante da vinícola, do recebimento das uvas a parte produtiva, tanques, engarrafamento, caves de envelhecimento em barricas e em garrafa até o derradeiro final na sala de degustação. Tudo com muita tecnologia empregada, afinal o investimento feito ali passa da casa do milhão de reais. Além disso, descobrimos também que a vinícola conta ainda com o enólogo-residente chileno Cristian Sepúlveda e consultoria do americano Gustavo González, que são quem assinam os rótulos. Além do visual acachapante da vinícola e da região, a hora mais esperada é a da degustação, e como de praxe por aqui, iremos destacar dois vinhos para vosso deleite.


O primeiro vinho a destacarmos aqui é o Sauvignon Blanc Vale da Pedra 2015, um vinho que apesar de ser feito com uvas 100% Sauvignon Blanc, passa por um "blend" onde parte da fermentação foi realizada em tanques de inox e tanques de concreto em formato de ovo de concreto (tecnologia que proporciona a micro-oxigenação e uma fermentação mais delicada) e a a outra parte do vinho estagiou em barrica de carvalho francês de 600 litros. Após 12 meses, fez-se uma assemblage do tanque com a barrica. Como resultado temos um vinho de coloração amarelo palha bem clarinha com alguns reflexos dourados. No nariz aromas de frutos cítricos e tropicais, aspargos e uma leve lembrança floral. Na boca apresentou corpo leve para médio, acidez na medida e retrogosto marcado pelo cítrico, mas que confirma o olfato. Um bom vinho, mais equilibrado que muitos chilenos disponíveis por aqui. 


O segundo vinho foi o Syrah Vista da Serra 2014, considerado um dos ícones da vinícola. Como o próprio nome já diz, o vinho é feito com uvas 100% Syrah da parcela que dá nome ao vinho, "Vista da Serra", com amadurecimento de 20 meses em barricas de carvalho francês. Como resultado, observamos um vinho de coloração violácea profunda, escura, com algum brilho e limpidez. No nariz o vinho apresentou aromas de frutos negros em compota, especiarias, chocolate e algo que lembrava eucalipto. Em boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era longo e saboroso. Excelente vinho, bate de frente com a maioria de seus "concorrentes" chilenos e argentinos.



Incrível é quebrar paradigmas e verificar que o Brasil pode sim fazer bons vinhos, em diversas regiões do país, e que pode sim competir com alguns de nossos vizinhos. Tudo isso numa paisagem incrível e com muita organização, investimento e coisa e tal. O grande questionamento que eu deixo aqui é que, dadas todas as variáveis envolvidas no processo produtivo e de vendas de vinho (como a de taxação e impostos, a mais sensível no mercado nacional), o preço aplicado aos vinhos nacionais não me parecem compatíveis com o que o mercado consumidor está disposto a pagar, nem tem condições para tal. Gostaria de saber a opinião de vocês.

Conforme eu havia dito anteriormente, esta visita foi parte de um pacote de viagem enoturística preparada e apresentada pela Stelltour Viagens, uma agência de viagens que tem como mote viagens com destinos relacionados ao vinho. Atualmente a agência tem criado pacotes relacionados ao mundo do vinho no Brasil em conjunto com a sommeliére Mikaela Paim, que dentre outras atividades, podemos citar que é sommelière desde 2007, Presidente da Confraria Vinhos do Brasil, colaboradora da Osteria Generale há 15 anos e ainda trabalha com consultorias e Eventos Enogastronômicos. Eu recomendo tanto a visita como os pacotes de viagens da agência.

Até o próximo!

Thursday, September 14, 2017

La Conreria Priorat 2010

La Conreria d'Scala Dei, produtora do vinho de hoje, nasce da vontade e do entusiasmo de um grupo de pessoas historicamente ligadas ao Priorat, com o desejo de compartilhar com o mundo os vinhos magníficos que são feitos nesta terra. O nome da adega contém em si uma história e um legado que nos levam a conhecer uma antiga tradição. Situada na antiga vila de Scala Dei, à direita do belo Montsant (montanha santa) e ao lado do mosteiro do século 12, Cartoixa d' Scala-Dei, é hoje o símbolo da região de Priorat. Da antiga propriedade da família Rialp, houve a modernização de suas instalações para fazer os vinhos e compartilhar o legado histórico desta terra e suas pessoas nos magníficos arredores de Scala dei e Priorat e com seus visitantes. Com uma cuidadosa seleção de videiras e clusters, dos 265 hectares arrendados e de propriedade, e com todo esforço por trás de cada uma das 85.000 garrafas que são produzidas anualmente, esses vinhos se tornam realidade com a marca peculiar de El Priorat.


Sobre o La Conreria Priorat 2010, podemos ainda acrescentar que é um vinho feito a partir das castas Garnacha, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Cariñena com fermentação malolática acontecendo em barrica onde permanece para amadurecimento sobre as leveduras por aproximadamente 3 meses. Após, o vinho ainda envelhece 4 meses em garrafa antes de ser liberado para o mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de média para grande intensidade com algum brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e praticamente incolores também se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, eucalipto, especiarias, ervas, tabaco e algo de café com leite.

Na boca o vinho se mostrou encorpado com boa acidez e taninos redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final era de longa duração.

Um excelente vinho espanhol provado por aqui. elegante, complexo e que evolui com o tempo em taça. Creio estar em seu ápice. Eu recomendo a prova.

Até o próximo.

Tuesday, September 12, 2017

Quinta de Camarate Tinto 2014

Falar da José Maria da Fonseca, produtora do vinho de hoje, é um tanto quanto difícil dado seu tamanho, importância e história no mundo do vinho de Portugal. Para se ter uma ideia, a empresa foi fundada em 1834 e a sua marca mais famosa de vinhos, a Periquita, lançada ainda em 1850. Nem mesmo a morte do fundador, o Sr. José Maria da Fonseca ainda em 1884, fez com que seu legado se perdesse e a família assumiu a empresa, desde então. A partir daí, diversas novas marcas e produtos foram lançados tanto no mercado português como também nos mercados internacionais (o Brasil incluído). Hoje é um dos líderes nas áreas da produção e comercialização de vinhos de mesa e generosos, encontrando-se as suas marcas presentes em mais de 70 países, possuindo mais de 30 marcas, distribuídas por vinhos de mesa, generosos e licorosos, e por cinco regiões: Península de Setúbal, Alentejo, Douro, Dão e Vinhos Verdes.


Situada em Azeitão, perto de Setúbal, a Quinta de Camarate foi adquirida por Antonio Soares Franco Jr. em 1914 e é hoje propriedade dos irmãos António e Domingos Soares Franco, os proprietários da José Maria da Fonseca. Esta quinta tem uma área de 120ha, 39 dos quais estão plantados com vinhas. A restante parte é utilizada para pasto das ovelhas que dão origem ao famoso queijo de Azeitão. As vinhas da Quinta de Camarate estão plantadas em solos argilocalcários, localizados no sopé da Serra da Arrábida. Nesta propriedade foram plantadas, para além das castas destinadas à produção de vinho, castas portuguesas e estrangeiras, que constituem a coleção ampelográfica da José Maria da Fonseca com mais de 560 castas. Com a replantação das vinhas iniciada em 1994 e a introdução de novas castas, foi possível modernizar o estilo dos vinhos lá produzidos.

Falando agora do Quinta de Camarate Tinto 2014, podemos afirmar que o vinho é feito a partir de um corte das castas Touriga Nacional (48%), Castelão (30%), Aragonês (17%) e Cabernet Sauvingon (5%) sem passagem por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e limpidez. Lágrimas finas, rápidas e quase incolores se faziam notar.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, flores, especiarias, toques mentolados e de ervas. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos macios. O retrogosto confirma o olfato e o final era de média duração.

Mais uma boa opção de vinho para o dia a dia trazido pelo Pão de Açúcar e que tende agradar os paladares dos iniciantes e dos mais experientes, por que não? Eu recomendo a prova.

Até o próximo!