quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Casa Mayor Carmenére 2008

Mais um vinho para acompanhar uma jantinha básica em casa. Este por sua vez é um varietal chileno do Vale do Colchagua que é feito pela Bodegas Santo Domingo e composto 100% com a casta símbolo do Chile, a Carmenére. Vamos as impressões.

Em taça apresentou uma cor rubi violácea intensa e brilhante, com lágrimas abundantes, finas e incolores.

No nariz apresentou um aroma muito gostoso de groselha com um leve tom de especiarias ao fundo, lembrando pimenta. De início o álcool sobressaiu um pouco, lembrando seus 13,5%, mas se arrefeceu depois de um tempo em taça.

Ao palato se apresentou seco, com taninos presentes mas leves, acidez na medida, corpo médio, enfim um conjunto bem harmônico. A groselha se confirmou no paladar. Ao final, um leve amargor que não prejudica o vinho de maneira alguma.

Vinho simples porém bem gostosinho, para o dia a dia funciona e muito bem!

Saúde!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2009


Mais um vinho comentado no blog, já está até se tornando uma rotina. Quase uma reviravolta, pois de início eu imaginava outra cara pro blog, mas às vezes a vida nos dá novos rumos e novas oportunidades, e assim devemos seguir.

Desta vez um vinho nacional da Vinícola Aurora, o Pequenas Partilhas Cabernet Franc 2009, elaborado como o próprio nome já diz com uvas da casta francesa Cabernet Franc. Segundo o produtor, o nome faz alusão a vinhos de pequenas produções que tem como diferencial a qualidade superior, e por este motivo só seria feito em colheitas consideradas muito boas. O interessante é que esta uva até pouco tempo era mais comumente usada em cortes ao melhor estilo bordalês (juntamente com a irmão mais famosa Cabernet Sauvignon e com a Merlot ou ainda em casos mais raros entra-se ai também a Petit Verdot) mas que hoje em dia tem apresentado varietais muito consistentes e de muita qualidade. Vamos as impressões.

Em taça o vinho apresentou uma coloração rubi bem concentrada, instransponível e ao mesmo tempo muito brilhante. Lágrimas abundantes, finas, rápidas e incolores.

No nariz o primeiro ataque foi um frutado muito gostoso, quase que era possível sentir a fruta fresca no pé ainda, mas não identifiquei ao certo qual era a fruta (preciso treinar melhor meu nariz), juntamente com algum herbáceo e alguma coisa que lembrava animal também, quase como couro. Ainda era possível sentir notas de baunilha.

Em boca o vinho apresentou corpo médio, taninos finos e elegantes amplamente integrados com a fruta já presente no nariz sem nenhum amargor final. Tinha um final de boca de média duração, quase doce. Apesar de seus 13% de álcool não foi possível detectá-lo tanto no nariz quanto na boca, provando que o conjunto estava numa boa harmonia.

Este eu recomendo e muito, e foi mais uma indicação da Dna. Cecília da DO Brasil, e como sempre, ela acertou em cheio!

Saúde e bons goles a todos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Les Bartavelles Chateauneuf du Pape 2006


Este vinho foi escolhido para acompanhar a ceia de natal aqui de casa, que foi composta de carré de cordeiro, risoto de cogumelos com palmito e salpicão de frango. O natal é uma data importante para além de reunirmos a família, fazermos uma reflexão e agradecermos tudo que recebemos de graça no ano. E acho que nem importaria tanto o vinho escolhido pois a companhia de meus pais seria suficiente mas escolhi um vinho que considero mais especial e que estava guardado em minha “adega” para uma destas ocasiões.

O vinho é oriundo de uma AOC francesa  (denominação de origem francesa, com regras específicas para fabricação e comercialização dos vinhos, em poucas palavras) muito famosa  que é a de Chateauneuf du Pape, dentro do vale do Rhone e é composto por um blend de 3 uvas em proporções iguais, a saber: grenache, mourvédre e syrah. Potente,  o vinho possui 14,5 % de graduação alcoólica. Este vinho recebeu boas notas e avaliações da wine spectator (89) e da Wine Enthusiast (91). Produzido pelo famoso enólogo Jean-Luc Colombo.
 
Vamos  as impressões.

Em taça o vinho apresentou uma cor vermelho rubi muito intenso e brilhante com lágrimas lentas, esparsas e incolores. 

No nariz o primeiro ataque foi de muita fruta escura com destaque nítido para ameixas pretas. Ao fundo um gostoso aromas herbáceo que com o tempo em taça  evoluiu para alguma coisa como couro, algum aroma animal muito interessante. Um vinho bem complexo com aromas terciários inclusive, oriundos do envelhecimento em carvalho de primeiro e segundo uso.

Em boca se mostrou de médio corpo com taninos finos e macios. A acidez não se mostrou muito presente, o que é de se esperar.  A lembrança de ameixa do nariz se fez presente novamente. Vinho de média persistência, não apresentou amargor deixando seu final muito saboroso. Ao fundo uma leve lembrança de tostado no retrogosto também.

Enfim, um vinhaço para uma ocasião especial. Não dá pra se beber sempre porém, ficará na memória com certeza.

Saúde!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Cava Negra Malbec 2008

Este foi o vinho que acompanhou uma despretenciosa pizza numa noite qualquer. E assim como eram as espectativas, ou falta de, o vinho se confirmou. Simples, entrega o que vende sem grandes floreios.

Este vinho é feito pela Bodega Barberis, em Mendoza na Argentina. Composto 100% por uvas Malbec este vinho é definido pelo produtor como de uma linha de jovens varietais que tem como característica a harmonia e a média estrutura com um final de boca de certa maneira ligeiro. Vamos as impressões.

Em taça o vinho apresentou uma cor vemelho púrpura muito brilhante, já mostrando toda sua jovialidade. Presença abundante de lágrimas, espassadas entre si, incolores e bem escorregadias.

No nariz o ataque inicial foi de um gostoso frutado, frutas vermelhas sem conseguir identificar claramente qual seria, porém com aquele ar muito fresco. Álcool levemente perceptível no início, mas que arrefeceu com o passar do tempo. Vale lembrar que o exemplar tinha 13,5% de álcool.
Já na boca o vinho se apresentou pouco encorpado, com lembrança da fruta já comentada também no palato porém com um leve amargor no final que de início incomodou um pouco mas que melhorou com o decorrer do tempo. Taninos quase doces e pouco perceptíveis e acidez na medida. Final curto e seco.

Pela meia garrafa foi pago algo em torno de R$ 14,00 e creio que salvo alguma indicação muito enfática não o compraria de novo, porém não foi uma decepção. Simplesmente um vinho para se conhecer e ponto.

Saúde!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Espumante Vivere Brut

Este espumante foi o tomado neste final de semana aproveitando do calor que estava em São Paulo e o peixe com molho de queijo que meus pais fizeram para o jantar. Este espumante é feito pela Casa Venturini, em Flores da Cunha em Rio Grande do Sul pelo método charmat e a partir de uvas Prosecco e Shöenburger (segundo o site da vinícola e confesso que não conferi na garrafa). Vamos as impressões.

Antes porém um parentese, como este é o primeiro espumante que coloco aqui no blog, gostaria de explicar brevemente como funciona o método charmat de fabicação dos espumantes. O vinho, após sua primeira fermentação, é levado a tanques de inox a fim de passar por uma segunda fermentação. É ai que o vinho incorpora o gás carbônico que produz a perlage presente principalmente quando abrimos a garrafa ou servimos as taças.

Quanto ao espumante, já na taça ele se mostrou com uma cor palha levemente esverdeada expressando toda sua jovialidade. Apresentou um colar de borbulhas bem legal, apesar de que este aspecto nem deve ser levado muito em consideração pois a limpeza da taça entre outros fatores podem altera-lo.

O aspecto aromático do espumante me lembrou maçã verde e muita citricidade. Alguma coisa de floral também apareceu. No fundo era possível sentir aromas da fermentação, algo como pão doce.

O primeiro ataque em boca mostrou um espumante que preenche muito bem a boca, formando uma espuma muito gostosa. Com uma acidez bem aparente se mostrou muito fresco, agradável e quase doce apesar de ser brut. Final longo e persistente, com excelente retrogosto frutado trazendo de novo frutas cítricas em especial maçã verde.

Pelo preço pago (em torno de R$ 25,00) se mostrou um excelente custo benefício. Devo pedir desculpas por duas coisas: não tirei foto desta vez e como não sou um grande consumidor de espumantes, minha degustação ainda é muito crua e não tenho ainda muito embasamento pra discorrer sobre o assunto. De qualquer maneira fica a indicação pra quem não quer gastar muito e aproveitar as festas de final de ano juntamente com o calor que tem feito em sampa.

Patacon - Bananas Verdes Fritas!


Mais um post da série de descobrimentos gastronômicos que tive em Miami durante minha viagem. Desta vez o destaque vem da cozinha colombiana.

O prato é composto basicamente de uma panqueca ao melhor estilo dos burritos mexicanos e um recheio a sua escolha. O que difere esta panqueca no entanto, é que ela é feita de banana verde frita, normalmente daquelas bananas da terra que conhecemos bem. Lá no entanto a banana é chamada de plantano.

O modo de preparo é bem simples, onde a banana é pré frita até que fique macia e depois  retira-se a mesma do fogo, passa-se um rolo por cima dela a fim de abri-la até quese forme uma panqueca e que fique com não mais que 1 cm de espessura sendo que a partir dai ela passa por uma segunda fritura, normalmente em azeite, para que fique bem dourada e crocante.

No restaurante eu escolhi um recheio composto por frutos do mar, camarões e um molho meio picante. O recheio é servido a parte em pequenos potes a fim de que o próprio cliente faça a mistura que melhor lhe convenha. O mais tradicional no entanto para os latinos em geral é a mistura de arroz branco, feijões pretos e carne. Esta deve ser a combinação que eu tentarei escolher uma próxima vez.

Não conheço restaurantes de cozinha colombiana em Sampa mas tentarei descobrir. Se alguém aqui o conhece e quiser compartilhar, por favor utilize o espaço de comentários do blog. O mesmo vale para quem quiser compartilhar experiências gastronômicas com cozinhas estrangeiras.

Bom apetite!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ceviche – Frutos do mar ao estilo Peruano


Conforme prometido vou soltar o primeiro post sobre algumas de minhas descobertas gastronômicas durante minha viagem a Miami.

Na minha primeira noite não estava muito a fim de sair em busca de algo para comer e como o hotel se encontrava ao lado de um pequeno centro comercial com algumas opções de restaurantes, em sua maioria latinos, resolvi apostar no desconhecido. Aliás, eu gosto muito de fazer isto enquanto estou viajando e gosto de experimentar comidas que até então não conhecia e tal. Eis que surgiu na minha frente um restaurante com inspiração peruana, o nome era algo como El Polo Inka. Movido por uma grande curiosidade, entrei no local e procurei um lugar para me sentar.

Logo me foi disponibilizado um menu para observar o que a casa tinha de especialidades e pratos para saciar minha fome. Passando os olhos pelo cardápio pude perceber que o carro chefe do lugar eram os frutos do mar. Aliás, frango e frutos do mar são os ingredientes principais da culinária peruana, conforme eu viria a descobrir mais tarde pesquisando sobre o assunto. Bom, minha escolha recaiu então sobre o prato mais famoso do Peru, o Ceviche. Vamos as impressões.

O ceviche é uma receita onde peixe cru, geralmente de carne branca, é colocado a marinar em sucos de frutas cítricas (normalmente limão siciliano) juntamente com cebola, pimenta e algumas ervas aromáticas tais como salsa, coentro, etc. No meu caso ainda exisitiam camarões, anéis de lula e pedaços de polvo junto ao pescado original da receita pois eu pedi um ceviche de frutos do mar. O prato é servido ainda com os acompanhamentos de batata doce e milho.

O cítrico do caldo que se forma acaba por cozinhar os pescados crus, deixando a carne firme e um pouco mais opaca mas com um gosto delicioso. A batata doce serve para quebrar um pouco a acidez do prato e em conjunto com o milho da formas finais ao conjunto, colocando um que salgadinho na mistura. Enfim, eu sou um grande apreciador de frutos do mar e fiquei realmente encantado com este prato! Valeu por conhecer. Agora procuro boas indicações de restaurantes que sirvam este prato aqui em Sampa para efeito de comparação. Sugestões?

Vinho Riberasur Gran Reserva Carmenére 2007


Mais um post sobre vinhos degustados no final de semana, este um chileno típico da casta que se tornou símbolo do país, a Carmenére e proveniente de uma região que eu até então desconhecia, o Vale da Sagrada Família na região central do Chile.

 Aliás, uma estória que eu acho bem curiosa é a da uva Carmenére. Diz a história que esta casta estava quase que extinta no mundo devido a filoxera que assolou a europa num determinado período mas foi redescoberta de uma maneira inusitada no Chile. Durante muito tempo se imaginou que seriam uvas Malbec que não estavam maturando direito e geravam vinhos muito verdes. Isto quando um pesquisador descobriu que na verdade existiam algumas vinhas de Carmenére misturadas a vinhas de Malbec e que por sua maturação mais tardia, estavam sendo colhidas antes do prazo e por isso gerando vinhos com características de frutas mais verdes. Quando se separam tais vinhas e as uvas Carmenére passaram a maturar da forma ideal começaram a produzir excelentes vinhos provenientes desta casta no Chile, tornando-se então a uva símbolo do país.

Outro ponto a se destacar é que mesmo com a inscrição Gran Reserva no rótulo, a legislação vinícola chilena não determina quaisquer controles adicionais a produção destes vinhos diferentemente do último vinho postado, um espanhol, que possui legislação onde determinadas inscrições no rótulo demonstram maiores controles a cerca da produção. De qualquer forma, os produtores sul americanos em geral utilizam estas escrita no rótulo normalmente para diferenciar linhas de maior qualidade em sua produção. Vamos as impressões sobre o vinho.

Produzido pela vinícola Korta para exportação (não encontrei informações mais detalhadas na internet sobre o vinho) este exemplar é típico da variedade. Na taça apresentou uma cor violeta muito intensa e brilhante, lágrimas finas, abundantes, rápidas e também com muita cor chegando até a tingir a taça.

No nariz abriu com aromas que lembravam groselha bem fresco e com um toque herbáceo ao fundo. Após algum tempo mostrou também uma baunilha e toques amadeirados, mostrando bastante complexidade. Já ao final da taça ainda existia um toque de tostado. 

Na boca o vinho apresentoucorpo médio,  taninos vivos e marcantes porém muito finos e elegantes, uma acidez bem característica tornando o vinho excelente gastronomicamente falando além de uma natural refrescância para combater o calor senegales que se fez presente neste domingo em Sampa. O álcool não se fez presente apesar dos 14,5% deste varietal, se mostrando muito equilibrado com o conjunto. Mais uma vez o frutado de groselha se fez presente com alguns toques vegetais bem discretos. Final longo e persistente com um leve amargor, o que não prejudicou o vinho. 

O vinho foi degustado em conjunto com uma bela rabada e polenta cremosa e não fez feio, criando um bom conjunto com o prato. Este também foi comprado em Atibaia e não passou dos R$35,00, o que pra mim faz um excelente custo benefício. Recomendado!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Conde de Los Andes Gran Reserva 2001


Mais um grande exemplar espanhol degustado neste final de semana, desta vez um gran reserva. Este vinho é feito com as uvas Tempranillo e Mazuelo, ambas características da Espanha. O produtor é Federico Paternina e possui vinícolas em Rioja, Jerez e Ribeira Del Duero.

Fazendo uma parentese na apresentação do vinho, falemos um pouco sobre o que quer dizer  a escrita gran reserva em seu rótulo.  Esta denominação que geralmente aparece nos vinhos espanhóis, assim como crianza e reserva, tem relação com o tempo mínimo pelo qual este vinho deva passar por envelhecimento em carvalho e em garrafa antes de ser posto no mercado para venda, o que no caso do gran reserva significa normalmente no mínimo 18 meses em barrica e algo em torno de 12 meses em garrafa. No caso específico deste vinho, segundo o site do produtor o mesmo permaneceu 30 meses em carvalho, sim, acreditem, 30 meses! 

Voltando ao vinho em questão, o rótulo muito bonito e trabalhado já demonstra o cuidado que o produtor tem na produção deste exemplar, sendo este um dos top de linha da vinícola. Ao colocar o mesmo na taça já era possível verificar seu grau de evolução pois sua cor era um vermelho acastanhado com reflexos granada. Lágrimas em abundância, rápidas e incolores.

No nariz um vinho bem complexo, abrindo com frutas maduras em abundância, sem conseguir identificar ao certo, mas eu pensei em algo como framboesas. Depois de um pouco de agitação os aromas provenientes da evolução em barricas se apresentaram: algo como baunilha e couro, muito bem integrados faziam parte do conjunto. 

Ao paladar o vinho é muito elegante, taninos presentes e firmes apesar da idade o que pode indicar que o vinho ainda pode evoluir um pouco em garrafa. Álcool muito bem integrado ao conjunto (13%) e acidez na medida. Trazia de volta ainda a fruta inicial e um pouco de tostado. Retrogosto duradouro. Um vinho bem gostoso mesmo, fácil de beber apesar de certa rusticidade.

Este foi comprado em Atibaia, numa lojinha de um senhor que tem muita história e conhecimento pra passar deste mundo vinícola, que vale a visita pra quem estiver por lá. Infelizmente não lembro o nome da loja mas meu irmão poderá me ajudar caso venha a ler o post!

Enfim, mais um recomendado!