terça-feira, 11 de março de 2014

Vinícola Valmarino: apesar do sobrenome famoso, tradição e apego!

Era o dia um de nossa viagem pelo Vale dos Vinhedos e regiões próximas, apesar de termos chegado no dia anterior, com o intuito de conhecer algumas vinícolas nacionais e além disso, e talvez o mais importante, conhecer novos vinhos por lá. Apesar de já ter provado um vinho desta vinícola a um bom tempo atrás, foi depois da indicação do Alexandre Frias (Diário de Baco) que viemos parar aqui. E valeu a pena.


A Vinícola Valmarino está localizada em Pinto Bandeira, distrito do município de Bento Gonçalves, em uma região também conhecida como vinhos de montanha, dada que a altitude média dos vinhedos está ao redor dos 700 metros acima do nivel do mar. Apesar de ter sido fundada por Orval Salton, neto de Antonio Domenico Salton, esta vinícola nada tem de relação com a gigante Salton, a não ser o sobrenome. Esta inclusive era uma confusão que eu fiz algumas vezes, e peço desculpas agora que conheço um pouco melhor sua história. O nome da vinícola, Valmarino, remete ao local de origem dos antepassados da família, em Treviso, na Itália.


Chegando a vinícola e em uma parte do caminho já é possível ver parte dos 16ha de vinhas plantadas na propriedade. Fomos recebidos por uma simpática moça que depois se apresentou como caseira e que cuida da propriedade e entre outras atribuições, recebe turistas como nós em busca de conhecimento. Depois de uma rápida explanação sobre a localização das vinhas, uvas plantadas e processo de vinificação, passamos então ao varejo da Valmarino, onde finalizaríamos a visita e degustaríamos os vinhos da mesma. A vinícola tem uma linha mais simples de vinhos para o dia a dia em bag in box (Tre Fraddei) seguidos de vinhos varietais e uma linha reserva bem interessante. Para não ficar muito retórico e cansativo, destaco dois vinhos em especial, além de uma menção honrosa.


O primeiro vinho que falaremos é um varietal Sangiovese 2013 bem interessante, uva de ascendência Italiana amplamente plantada principalmente na região da Toscana que não é muito usual por aqui. Estagia por cerca de seis meses em barricas e tem uma proposta mais jovem, muito frutado remetendo a frutos vermelhos frescos com leves toques florais. Em boca é muito fresco e me pareceu muito gastronômico, como um verdadeiro Sangiovese deve ser.  Vale conhecer.


Já o próximo vinho é da linha reserva e por ser considerado top da vinícola e alvo de minha curiosidade. Estou falando do Vamarino Cabernet Franc XIII 2008. Este vinho foi criado para comemorar os 13 anos da vinícola e é um deleite em boca, mesmo pra mim que como sabem não sou profundo conhecedor nem fanático pela uva. Passou cerca de 17 meses em barricas (70% do vinho) e ainda algum tempo em garrafa antes de ser comercializado. No nariz se mostrou típico com notas herbáceas, especiarias, frutos vermelhos e toques lácteos. Na boca é encorpado e com taninos marcados, porém é equilibrado e com pouco álcool, o que o torna leve e fácil de beber. Final de longa duração. Um baita vinho.

Como menção honrosa, o Merlot varietal da Valmarino também é muito bom. Fresco, frutado, elegante sem estar carregado de álcool e madeira. Ideal para os paladares mais sensíveis. Sabemos que a Merlot é uma uva francesa e que se adaptou muito bem na Serra Gaúcha, mas muitos exemplares se tornaram um cara do outro e quando temos um destaque como este, temos que compartilhar.

Uma delícia poder conhecer assim os sabores do nosso país, ver este povo que trabalha mesmo e sua em suas terras em busca de um produto realmente único e de qualidade não? Duas coisas começavam a me chamar a atenção neste início de viagem: a capacidade do Brasil em fazer vinhos com teores alcoólicos mais baixos que nossos irmão latinos e uvas que comumente não encontrava por aqui e/ou não era muito fã começavam a fazer minha cabeça. Confirmemos com a continuidade das visitas.

Até o próximo!

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