sexta-feira, 14 de março de 2014

Don Giovanni: Um complexo enoturístico!

Finalizando nossa visita pelos Vinhos de Montanha de Pinto Bandeira, nos dirigimos a Vinícola Don Giovanni e posso dizer que além das paisagens que nos guiaram até lá, o que vi quando finalmente adentramos o complexo enoturístico realmente me espantou. Explico: tinha a idéia de que, até por não ser tão divulgada aqui na terra da garoa, a vinícola fosse menor e com uma linha de produtos mais enxuta. Não foi bem o que eu vi por aqui.


A Vinícola Don Giovanni é um complexo enoturístico que reúne além dos vinhedos e da vinícola, varejo para venda e degustação dos vinhos, pousada e restaurante. E tudo isso localizado num terroir a 700 metros acima do nível do mar, entremeado de uma vasta e bela vegetação com estradinhas que por alguns momentos me lembravam minha viagem a Toscana. São cerca de 18ha plantados com vinhas sendo que entre estas, se encontram as seguintes castas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Pinot Noir, Ancellota e Pinot Noir. Possui uma produção média de 120 mil garrafas/ano sendo que destas, cerca de 70% são de espumantes. Além disso produzem ainda um destilado de vinho, o Brandy. Hoje quem cuida da propriedade e de sua produção é a quarta geração da família. Interessante ver que eles guardam em suas caves, garafas de safras mais antigas que podem até ser vendidas, mediante encomenda do cliente.


Mantendo o ritmo das outras postagens, escolherei aqui dois produtos que mais gostei e escreverei sobre eles algumas linhas seguir. Notem que como a linha de produtos deles é muito grande, desde espumantes charmat e champenoise, passando por vinhos brancos e chegando aos vinhos tintos, posso não agradar a gregos e troianos.

A primeira escolha não é obvia se levarmos em conta que a casa conta com uma maior produção de espumantes. Estou falando do Don Giovanni Merlot, um vinho simples porém que me cativou por dosar na medida certa a fruta e madeira, sem mascarar a verdadeira essência. Frutas negras em primeiro plano, algo de tostado e tabaco sem exageros. Boa acidez e taninos marcados porém de excelente qualidade. Fácil de beber sozinho, deve acompanhar bem uma pizza portuguesa, minha preferida.


Depois, e como não poderia deixar de ser, a segunda escolha é um espumante: Don Giovanni Brut. Também de um linha mais de entrada da vinícola, me cativou por apesar de ser produzido pelo método tradicional, não ficou pesadão e manteve o frescor e a fruta vivas, apesar da coloração já tendendo a uma amarelo ouro mais escuro. Boa formação de perlage, bem persistente e com borbulhas bem pequeninas. Aromas de frutos de polpa amarela bem maduros, seguidos de leve toque de fermento e algo de mel. Em boca continua complexo sem pesar com uma acidez na medida, nem agressiva nem "mole". Delicioso, com certeza daqueles que evaporam da garrafa.

E assim nos despediamos dos vinhos de montanha com a certeza de que as descobertas aqui feitas, entrariam de vez em nossas vidas enquanto consumidores de vinhos e que a qualidade dos vinhos que íamos encontrando surpreendia cada vez mais. Será que mais surpresas viriam por ai? É esperar para ver.

Até o próximo!

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