quinta-feira, 20 de março de 2014

Vinícola Dal Pizzol: uma visita "diferente"

Retomando as postagens relacionadas a nossa recente viagem ao Vale dos Vinhedos, nas Serras Gaúchas, chegou a hora de falar de uma visita que sem dúvida nenhuma não é muito convencional, quando falamos de visitas a vinícolas, que foi a visita a Vinícola Dal Pizzol. E vou explicar o por que.

Antes, uma rápida apresentação sobre a vinícola. A Dal Pizzol é uma vinícola familiar que desde 1974 se dedica a elaboração exclusiva de vinhos finos. De uma produção anual de 300 mil garrafas (225 mil litros), a vinícola possui uma ampla variedade de produtos nas marcas Dal Pizzol (62% da produção) e Do Lugar (38%). Deste total, 51% são vinhos tintos, 12% vinhos brancos, 32% espumantes e 5% suco de uva. Agora que sabemos um pouco mais sobre eles, que tal voltarmos aos relatos da visita?

Sequencia de imagens que mostra um pouco da natureza (coelho) e máquinas antigas ao fundo

O dia ainda se espreguiçava e timidamente o sol começava a dar as caras em Faria Lemos quando chegávamos ao portão de acesso ao "Parque Temático Dal Pizzol". Deve ser nesta parte que você, caríssimo leitor, deve começar a se perguntar: parque temático? Pois é isso mesmo que você leu. A proposta aqui é proporcionar ao visitante mais do que simplesmente degustação de bons vinhos e espumantes mas a de fazer com quem não está acostumado em seu local de residência, ter um contato maior com a natureza e recordar um pouco do que foi a história do vinho na região. Tudo isso num espaço de mais de 80 mil metros quadrados onde antigamente funcionava uma olaria, também da família. Lá existem, além dos lagos, toda fauna e flora presentes, um museu de maquinas vinícolas antigas e um outro museu que conta um pouco da história do vinho (chamado de Eco Museu). Neste último, em um espaço aconchegante e instigante, é possível encontrarmos garrafas das mais variadas épocas e países, uma coleção de saca rolhas, ânforas e maquinas usadas muito antigamente no cultivo das uvas e produção de vinhos entre outras atrações.

Quadro onde consta a coleção de saca rolhas

Um pouco de história: garrafas de várias épocas e países diferentes
Outro grande diferencial do lugar é o que por lá é conhecido como "Vinhedo do Mundo", uma coleção de parreiras com centenas de variedades de uvas de todas as partes do mundo! Com estes vinhedos, a vinícola e suas parceiras tendem a fazer estudos de aclimatação e desenvolvimento dos cultivares na região, através de colheitas anuais de diferentes castas, tornando isto inclusive um evento cultural e institucional.

Imagem da placa que explica um pouco sobre as videiras plantadas no "Vinhedos do Mundo": foto retirada do site do produtor

Existe lá também uma enoteca, local este que serve bem ao propósito dos aficionados por vinhos antigos. Instalada dentro de um dos fornos da antiga olaria, o lugar conta com garrafas de diversas safras antigas da vinícola, onde muitas podem ser consideradas raras e por que não, peças que serviriam também ao museu. 

Mas como tudo aqui acaba em vinho, ao término de todo nosso passeio, nos dirigimos ao varejo da vinícola a fim de provarmos alguns de seus rótulos. Para não alongar ainda mais o post e seguindo minha linha de postagem até aqui, vou falar de dois vinhos que me chamaram atenção.

O primeiro vinho degustado, e aprovado, que vou falar por aqui é o Dal Pizzol Ancellota. Como já devem ter visto eu falar por aqui vez ou outra, gosto e sou curioso em provar vinhos diferentes, seja na casta, seja na região, enfim, coisas que ainda não tinha provado. E este vinho se encaixa na descrição. Esta casta tem origem italiana e é pouco plantada e divulgada por aqui, mesmo com toda imigração e antepassados italianos que Bento Gonçalves e região carregam. Feito com 100% da casta, o vinho não passa por madeira, somente estabilização em tanques de inox e depois garrafa, antes de ser liberado ao mercado. Trás uma bonita cor rubi com tendências ao granada, aromas de frutos vermelhos, couro, tabaco e especiarias. Na boca é de médio corpo, taninos marcados e boa acidez. Me lembrou comida, na hora. Gostoso final.

O outro vinho que gostei é o Dal Pizzol Touriga Nacional. Este feito com esta casta de origem portuguesa (100%) também não passa por barrica, adotando o mesmo processo do anterior, com estabilização em tanques e garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vinho de coloração mais violácea que o anterior, trás nos aromas muita fruta vermelha e um floral intenso. Em boca tem corpo médio, boa acidez e taninos macios e redondos. Final de média para longa duração.

E assim nos despedíamos de mais um visita, revigorados com este encontro com a natureza e com ma vontade de voltarmos ao lugar para que tudo ao redor possa ser insiguinificante perto do que a mãe terra teria a nos oferecer. Mas tínhamos ainda muito a visitar, a jornada continuava.

Até o próximo!

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