Saturday, November 16, 2013

Um estilo, duas cervejas: Karavelle Weiss & Los Dias Golden Ale

Não sendo profundo conhecedor de cervejas, tenho tido algumas aulas com um amigo que conheci em São José dos Campos e que possui um empório de cervejas artesanais/gourmet (o Celso, beer sommelier do Empório Hopfields). Dia desses atrás estive no empório procurando uma cerveja para aplacar o calor e ele me sugeriu uma cerveja que embora não indicasse claramente no nome, era uma Weissbier "disfarçada", a cerveja Los Dias Golden Ale. Como tenho tomado algumas dessas cervejas ultimamente e curtido, resolvi apostar. E comparando esta cerveja com uma outra que tomei recentemente, a Karavelle Weiss, resolvi comentar por aqui as diferenças que senti e o que achei de ambas.

Pausa para explicar: Weissbier é uma cerveja feita a base de trigo e característica do sul da Alemanha, região da Baviera. Normalmente seguem um padrão de fabricação criado pelos bávaros. São cervejas claras e opacas, onde sobressai o trigo com o qual foram produzidas, bem como sabores frutados (banana e maça), cravo e florais. Bastante refrescantes e de graduação alcoólica moderada (entre 5 e 6%), são opacas e normalmente não filtradas. Produzem, em geral, um creme denso e persistente (retirado do site www.brejas.com.br). Dito isso, vamos as impressões sobre ambas.


A Karavelle Weissbier me pareceu uma típica Weissbier, já copo mostrando aquela cor amarelo opaco e turvo, creme denso e espesso com aromas de banana e especiarias doces como cravo, por exemplo. Já na boca um corpo médio, pouco amargor e muito refrescante. Possui teor alcoólico ao redor dos 5%. É produzida de forma quase industrial nos dias de hoje e não se encaixa mais no rótulo de cervejas artesanais, mas ainda produz cervejas de qualidade muito superior as mais antigas do nosso mercado.


De outro lado tinha a Los Dias Golden Ale, que apesar de ser chamada desta forma é também uma Weissbier só que puxando para um estilo American Wheat Beer, onde desde sua coloração amarelo mais acobreada e quase sem turbidez até seus aromas mais cítricos e frutados, diferia em mundo da cerveja do parágrafo anterior. Era também bastante refrescante e tinha um amargor final um pouco mais pronunciado que a anterior. Esta cerveja é produzida na região do Vale do Paraíba, mais especificamente em Taubaté na cervejaria de mesmo nome, Los Dias. Também possui teor alcoólico em torno dos 5%.

Ficam ai duas dicas interessantes de cervejas nacionais que, mesmo sendo do mesmo tipo, diferem bastante no paladar e no prazer em se degustar. Se tivesse que apostar em uma das duas, ficaria com a Karavelle pois faz mais o meu estilo.

Até o próximo!

Friday, November 15, 2013

Curiosidade: O que são os taninos?

Os taninos são um tipo de biomolécula de ocorrência natural encontrada em certas madeiras e outras plantas, como o chá, nozes, especiarias e frutas. O vinho recebe seus taninos a partir da casca e das sementes da uva, bem como a partir dos barris de carvalho. Mesmo que os taninos estejam presentes em todos os tipos de vinhos, eles estão em um nível mais elevado e, portanto, mais perceptíveis nos vinhos tintos do que nos vinhos brancos, porque os vinhos tintos são fermentados com suas peles e sementes (e os vinhos brancos são fermentados sem - usualmente).

Os taninos não têm um gosto específico mas sim muito mais como uma sensação que eles conferem quando os "degustamos". Eles são responsáveis por aquela "pegada" que sentimos principalmente em nossa gengiva e parte frontal do maxilar bem como uma sensação de tração em nossa língua. Se você reparar bem, quando ingerimos algum alimento e/ou bebida que faz com que tenhamos aquela sensação de amarramento na boca e automaticamente franzirmos o rosto, esta pode ser a sensação dos taninos.

Os taninos são apenas uma parte da estrutura de um vinho, juntamente com o glicerol, álcool e a acidez. Dependendo da quantidade de tanino de um vinho tem e sua relação com os outros elementos, os taninos podem ser descritos como empoeirados, aveludados, em borracha, firmes, redondos ou mesmo maduros.

Matéria original em www.winespectator.com

Thursday, November 14, 2013

Mettler Family Vineyards Epicenter Old Vine Zinfandel 2010: revisitando o passado!

Sábado é aquele dia que tem que ser desprovido de compromissos e horários, onde você aproveita a família, se distrai e enfim, descansa do dia a dia agitado que levamos. Só que não. O último sábado foi bem corrido com ida ao supermercado, apresentação da minha enteada na escola e outras coisitas mais. Pois bem, quando a noite caiu sobre nossas cabeças, queríamos mesmo era relaxar e nada melhor do que uma boa pizza, vinhozinho e uma tvzinha no sofá, certo? E o vinho escolhido para esta tarefa foi o Mettler Family Vineyards Epicenter Old Vine Zinfandel 2010, vinho este que eu já havia provado outra safra e que seria a oportunidade de confirmar ou não sua qualidade, até então percebida.


Relembrando um pouco sobre a uva Zinfandel e o vinho de hoje: "Muito utilizada principalmente em vinhos norte-americanos, como no caso do vinho em questão, esta uva é dada como parente das uvas Primitivo (italiana da Puglia) ou ainda da uva croata Crljenak Kasteljanski, sendo a segunda teoria a mais aceita hoje em dia, após exames de dna em ambos os frutos. Com esta uva são produzidos uma infinidade de estilos de vinhos, desde rosés claros e levemente adocicados até tintos encorpadões, escuros, tânicos e de boa estrutura de envelhecimento. O vinho de hoje está mais para a área dos tintos escuros e encorpados. Proveniente da AVA Lodi, tida como a melhor nos EUA para plantação de zinfandel e com terrenos menos caros que Napa Valley porém com tanta qualidade quanto a prima mais famosa, o vinho é produzido pela Mettler Family Vineyards, uma vinícola com mais de 100 anos de tradição e cultivo de uvas nos EUA e que vem passando a arte de geração a geração. Sem mais delongas vamos as impressões".

Na taça uma bonita cor violácea bem escura, densa e com pouca transparência mas bom brilho. Lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas também ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz aromas de frutos escuros em compota, coco, toques de especiarias e lembrança floral. Um vinho bem fragrante. Palavras de minha esposa: "um vinho diferente, não"?

Na boca o vinho mostrou corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos firmes, marcados mas de excelente qualidade. Retrogosto confirma o olfato com frutas escuras e coco principalmente num final longo e levemente picante.

Realmente um bom vinho, mas sei que muitos irão arremessar pedras dizendo que vinhos Zinfandel geralmente não tem muito a apresentar mas eu sou um fã e acho que o vinho é muito curinga, indo bem em diversas situações, principalmente as mais despretensiosas. Eu recomendo.

Até o próximo!

Tuesday, November 12, 2013

Santa Chiara Vernaccia di San Gimignano 2011: lembranças eternas!

Na última sexta feira fui surpreendido com um jantar especial preparado carinhosamente por minha esposa: uma bela bacalhoada à portuguesa com muito azeite, batatas, cebola, pimentão, azeitonas pretas e ovos cozidos. Haviam inúmeros motivos para comemorarmos, e não irei aqui listá-los por não ver a necessidade. Só que a ocasião pedia é claro um vinho mais especial. Confesso que diante deste prato eu  sempre gosto de ter um bom vinho tinto português a mão, um alentejano ou duriense, mas que na hora por falta de um e pela vontade de trazer boas memórias a tona (logo falarei mais sobre isso), optei por este branco Santa Chiara Vernaccia di San Gimignano.


Este vinho é feito na comuna de San Gimignano, na Toscana, centro sul da Itália. A uva Vernaccia di San Gimignano não é muito conhecida por aqui nem tão pouco é muito difundida mundo a fora, se concentrando basicamente em fazer vinhos para o mercado interno italiano principalmente por não ser largamente plantada. Entretanto este produtor, a Tenute Niccolai, é um grupo grande que possui vinhedos e vinícolas em alguns lugares estratégicos na Itália e principalmente na Toscana, fazendo desde vinhos brancos que podem ser considerados mais simples até os potentes Brunellos de Montalcino. Dito isto, tem distribuição no Brasil pela importadora Vinea.

Sobre o vinho em si, como dito anteriormente, é feito com uvas 100% Vernaccia di San Gimignano de vinhedos com altitude média de 300 metros acima do nível do mar e que passam apenas por envelhecimento e afinamento nos tanques de inox e na própria garrafa, por um mínimo de 6 meses antes de ser liberado ao mercado. Se maiores delongas, vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha com reflexos verdeais, muito brilho e transparência. Lágrimas finas e rápidas também podiam ser notadas.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas cítricas, florais e toques de pedra molhada. Um vinho extremamente fragrante. 

Na boca um vinho fresco com boa acidez, corpo médio e com um retrogosto que confirma o olfato trazendo muita fruta cítrica e toques salinos que lembram água do mar. Um final longo e saboroso.

Realmente o vinho confirmava minhas expectativas. E além disso trouxe memórias, agora descritas, pois foi com este vinho que brindei meu casamento em meio aos vinhedos da vinícola, em San Gimignano. O único arrependimento, por assim se dizer, é não poder e não ter trazido mais do vinho em minha mala. 

Até o próximo!

Monday, November 11, 2013

Barbera D'Alba DOC Annunziata 2009

Mesmo não tendo a oportunidade de conhecer os lados do Piemonte e proximidades quando estive pela Itália, sempre que provo um bom vinho de lá já fico com saudades da vez que estive por lá. E a cada vinho daquele país que provo, fico cada vez mais apaixonado por ele. Como um país pode ser tão encantador como a Itália? Eu realmente não consigo explicar só em palavras. Mas voltando ao vinho alvo do post de hoje, em um jantar com colegas de trabalho tinha a missão de escolher algo que agradasse a todos e o escolhido na oportunidade foi o Barbera D'Alba DOC Annunziata 2009.


O produtor se chama Rocche Costamagna e está situado na região de Las Moras, no Piemonte. Sua história remonta meados do século 19, quando Luigi Costamagna, filho do fundador Francesco Antonio Costamagna, recebeu a licença para comercializar seus vinhos produzidos em La Morra. Dai pra frente só se fez crescer a reputação de seus vinhos com prêmios e afins. Teve um período de baixa quando se passaram algumas gerações até que em meados da década de 60 o negócio foi retomado com força, novos vinhedos plantados e com uma boa modernização da vinícola. Com a expansão das vendas a o redor do mundo, a Roche Costamagna ficou então conhecida como um dos grandes produtores do Piemonte. O vinho em questão é um 100% produzido com uvas Barbera da região da La Morra. Passa cerca de 12 meses em carvalho esloveno e francês para afinamento. Vamos as impressões.

Na taça uma cor rubi violácea de média intensidade, toques atijolados nas bordas e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores compunham também o conjunto visual.

No nariz aromas de frutas vermelhas, toques de especiarias e lembrança de aromas terrosos. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato com frutas e toques apimentados. Final de média a longa duração.

Mais um grande vinho italiano, interessantíssimo e que foi muito bem com um risoto parmigiano e medalhões de filé ao gorgonzola. Eu recomendo que provem. Pelo que pude averiguar, é trazido ao Brasil pela Ravin.

Até o próximo!