sábado, 21 de junho de 2014

Esquina Mocotó & Primeira Estrada Syrah 2010: um ode a brasilidade!

Em meio a toda reação nacionalista que uma Copa do Mundo no Brasil conseguiu criar em mim, nada mais interessante que aproveitar a oportunidade de conhecer um restaurante que a tempos ouvia falar a respeito e mais do que isso, aproveitar também a oportunidade de provar um vinho que também a tempos despertava minha curiosidade. Assim surgiu a minha visita ao Esquina Mocotó, restaurante de comida nordestina que fica localizado na Zona Norte de São Paulo.

O Esquina Mocotó é o irmão mais novo, por assim se dizer, do seu vizinho, o Mocotó. Rodrigo Oliveira, chef e dono de ambos os restaurantes, busca no seu filho mais novo, o Esquina Mocotó, criar suas próprias receitas baseadas em produtos nordestinos e locais, aliados a uma alta gastronomia de ponta. Podemos dizer que são receitas modernas que exaltam o paladar brasileiro. O cardápio é sucinto e variado ao mesmo tempo, com destaque para as porções e aperitivos sem deixar de citar, é claro, as entradas e os pratos principais de cair o queixo.


Nossas escolhas não foram simples, mas certeiras e deliciosas. Começamos a petiscar com um prato de petiscos chamado "Porcaria", composto por terrina da casa, embutidos da família Cinque, presunto Salamanca, porco na lata, dadinho de porco e conservas de cebolas. Incrivelmente saboroso, cheio de nuances e texturas, que juntas se tornam um deleite para os paladares mais ávidos. Para acompanhar estas iguarias ainda vem junto uma cesta de pães artesanais e azeite. Para muitos isso já seria suficiente mas como estávamos lá e muitas outras iguarias estavam prontas para serem degustadas, resolvemos provar um pouco mais e nos focamos nas entradas do menu. Fomos então de "Cróque", que nada mais é do que uma paçoca de pato, ovo de gema mole com suspiro de jiquitaia por cima e fomos também de "Tartare de carne-de-sol" com carne curada por três dias, conservinhas da casa (picles de abóbora) e torradas amanteigadas. Comer de joelhos seria um insulto, pois a cada porção que colocava na boca parecia que flutuava rumando ao céu, tocando diretamente o meu coração. Que refeição dos sonhos. Provavelmente umas das melhores refeições que já fiz na vida.


Ai vocês me perguntariam, pela lógica, qual foi o vinho escolhido para acompanhar tal refeição, certo? Como esse nosso Brasil é cheio de surpresas, a carta de vinhos do Esquina Mocotó também apresenta boas opções de vinhos brasileiros até aqui desconhecidos por mim. Eis que o destino sorriu para nós e a oportunidade que eu tanto queria apareceu: eu iria provar o vinho Primeira Estrada Syrah 2010! Este vinho é feito em Minas Gerais, mais precisamente na região cafeeira de Três Corações pela Vinícola Estrada Real. Lá, em virtude do clima e da localização, a Vinícola Estrada Real inova aplicando a técnica de inversão do ciclo de vida da videira, uma vez que a maturação das uvas acontece na época do Outono/Inverno ao invés do que normalmente acontece na Primavera/Verão. Isto ocorre devido a este período ser mais seco e ensolarado na região, criando condições propícias para se obter uvas mais maduras e sãs. A safra 2010 é a inicial e contou apenas com cerca de 10 mil garrafas. Passa 12 meses em barrica de carvalho. Vamos ver o que este vinho mostrou para nós?


Na taça o vinho mostrou uma cor violácea de grande intensidade, com bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e bem coloridas. Já no nariz o vinho abriu com aromas de frutos escuros maduros, pimentas e toques de baunilha e tostados. Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração. Um perfeito acompanhante para este refeição brasileira do começo ao fim.

Se eu recomendo? É preciso mesmo dizer? Acho que quem me lê e está em São Paulo, não pode perder a oportunidade. E para visitantes ocasionais, uma dica de passeio que irá fazer valer o paladar e seu bolso, pois os preços não são tão altos assim. Já estou armando uma outra visita, pois há muito a desbravar por lá. Quem sabe não nos encontramos por lá?

Até o próximo!

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