quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Afinal quem realmente bebe o Beaujolais Nouveau? E por que?

O Beujolais Nouveau é um vinho tinto feito a partir de uvas Gamay plantadas na região de Beaujolais, na França. É um vinho popular, "vin de primeur", fermentado por apenas algumas semanas após a colheita das uvas e é liberado para a venda na terceira quinta-feira de novembro de cada ano. É com ele que os produtores dão início as vendas dos vinhos da safra do ano. Muito se fala sobre este "famoso" vinho francês: desde ser ridicularizado sendo chamado de chamariz até um vinho festivo e alegre, tendo em vista sua alta demanda no mercado mundial. O que é realmente verdade neste pedacinho de mundo vitivinícola?


Os foliões se reuniram na cidade de Beaujeu na última quinta-feira para celebrar a chegada do primeiro vinho Beaujolais da safra 2014. A quase 10 mil quilômetros para a leste, além de várias horas antecipadamente, festeiros no Japão tinha feito a mesma coisa. Alguns consumidores particularmente entusiasmados mesmo se jogaram em banhos de vinho para brindar a nova safra em Hakone Kowakien Yunessun, resort japones, de acordo com o Wall Street Journal. A noite do Beaujolais Nouveau, como dito anteriormente sempre na terceira quinta-feira de novembro, sempre divide as opiniões entre os consumidores de vinho.

Ainda que em alguns países como o Reino Unido, o Beaujolais Nouveau tenha perdido um pouco do seu encanto, dados os esforços em se mostrar que a região tem muitos mais atrativos, como por exemplo a região de Beaujolais Villages e os 10 Crus de Beaujolais, é inegável que exista demanda para ele ao redor do mundo. Além do consumo interno, mais de 13,3 milhões de garrafas foram exportados em 2013 (cerca de 47% da produção do vinho), ainda que com um decréscimo de cerca de 9% em relação a 2012, de acordo com dados divulgados pela Ubifrance e Inter Beaujolais. Só o Japão, por exemplo, recebeu o equivalente a quase 8 milhões de garrafas, enquanto a China ainda é um player em desenvolvimento (no mundo vitivinícola em geral). O país estava apenas atrás do Reino Unido em 2013, conforme os dados divulgados.

E o que torna este vinho tão "apelativo" para o mercado então? De maneira mais simplória impossível, é o mais leve e mais próximo que um vinho tinto pode se aproximar de um vinho branco, por exemplo. Como o contato com as cascas e outros é muito pequeno, os compostos fenólicos e em especial os compostos adstringentes, como os taninos, estão presentes de maneira muito pequena e não chegam a "incomodar" tanto quanto nos vinhos tintos "convencionais". É um bom vinho de transição para quem está mais acostumado com vinhos brancos e quer começar no mundo dos vinhos tintos. Além disso é um triunfo de marketing e promoção uma vez que as pessoas tendem a se sentirem mais "especiais" sabendo que a mesma celebração em torno de seu lançamento está ocorrendo em diversas partes do mundo ao mesmo tempo. 

Enfim, não é um vinho que tem as características de um clássico, mas é sempre bom conhecer um pouco a seu respeito e prova-lo ao menos uma vez (no nosso caso mais em função dos preços assustadores do que outra coisa). Eu já provei uma vez e achei um vinho gostoso e despretensioso. E você, caríssimo leitor, já provou?

Até o próximo!

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