terça-feira, 18 de novembro de 2014

Winebar, Galvão Bueno e Itália: quer saber o que deu esta mistura?

E para nossa alegria ontem participamos de mais um Winebar, degustação on line conduzida pelo Daniel Perches (blog Vinhos de Corte) e Alexandre Frias (blog Diário de Baco), desta vez com a ilustre presença do o italiano Roberto Cipresso, winemaker da vinícola Bueno Wines, do apresentador/narrador/comentarista da rede Globo Galvão Bueno. E chegou a hora de compartilharmos por aqui as nossas impressões. Antes, um pouco de história sobre a vinícola e sobre o winemaker.


Criada por Galvão Bueno, a Bueno Wines foi fundada como Bueno Bellavista Estate, na região do Seival, na Campanha Gaúcha, no paralelo 31, a mesma latitude dos vinhos produzidos na Argentina, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul. Os primeiros lançamentos foram um vinho tinto, de corte bordalês: o Bueno Paralelo 31 e depois um espumante, o Bueno Cuvée Prestige, em 2009. O sucesso foi imediato e, com ele, o incentivo para expandir os horizontes com novos lançamentos: o Bueno Bellavista Pinot Noir e o Bueno Bellavista Sauvignon Blanc. em 2010 nasce o primeiro resultado da grandiosa união de Galvão e Roberto Cipresso, enólogo italiano: o Bueno La Valletta. A parceria deu tão certo que os dois lançaram mais tarde o Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino. Tais vinhos são produzidos na vinícola Poggio al Sole, no coração da Toscana.

Sobre Roberto Cipresso, muito se pode dizer. Natural do Veneto, Roberto Cipresso dedicou-se, inicialmente, ao estudo das técnicas agrícolas. Depois mudou para a Toscana, onde começou sua carreira de enólogo em Montalcino, trabalhando com os mais importantes produtores de vinhos da região. Em 1999, fundou a Winemaking, grupo de consultoria agrônoma e enológica que atende vinícolas da Itália e do exterior. Seu conhecimento o levou a criar a Winecircus, uma adega-laboratório experimental, dedicada à pesquisa da atividade vitivinícola, em parceria com as Universidades de Padova, Trento, Pisa e Udine. Cipresso foi eleito o “Melhor Enólogo Italiano”, durante o “Wine Oscar 2006”, e o “Homem do Ano”, pela revista Men’s Health, em 2008, na categoria “Comida”. Seu Brunello di Montalcino Riserva 2006 La Fiorita foi listado como um dos melhores vinhos italianos no “Best Italian Wines Awards 2012” e recebeu a medalha de ouro no “Merano Wine Festival 2012”.


No entanto acho que vocês meus leitores estão mais interessados em saber sobre os vinhos degustados ontem, certo? Vamos a eles. O primeiro vinho que degustamos por aqui foi o Bueno Paralelo 31 2011, vinho produzido a partir das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot provenientes da Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Passa por madurecimento em barricas novas de carvalho francês e americano por 12 meses. De coloração rubi violácea de grande intensidade com bom brilho e quase sem transparência. Aromas de frutos escuros, chocolate, tabaco e toques herbáceos. Corpo médio, taninos marcados mas de boa qualidade e uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração com ligeiro amargor final. Foi degustado com queijos diversos e torradas, sendo um bom par para eles.


Depois veio o astro da noite, segundo nossa humilde opinião: o Bueno La Valletta Sangiovese 2011. Como o próprio nome já diz, um vinho 100% Sangiovese, produzido na Toscana por Roberto Cipresso e com maturação de 14 meses em barricas de segundo uso de carvalho francês. Além disso ainda passa mais 6 meses em garrafa antes de ir ao mercado. Vinho rubi violáceo de média para grande intensidade, mostrando já na taça sua juventude. Aromas de frutos vermelhos, couro, especiarias com toques florais, terrosos e tostados. Bela complexidade aromática, que tende a melhorar conforme o vinho é aerado. Encorpado, com aquela acidez característica dos vinhos toscanos (que abrem o apetite e pedem uma comida) e taninos presentes e marcados, mas de excelente qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração. Vinho incrível e que mostra grande potencial de evolução. Foi harmonizado com um belo risoto de carne e cogumelos ao vinho tinto.

E assim fechamos mais um evento do Winebar, com mais vinho interessantes e propostas diferentes. A única ressalva fica por conta do preço dos vinhos ao consumidor, que pode ser um pouco proibitivo. De qualquer forma eu recomendo a prova.

Até o próximo!

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