Wednesday, August 7, 2013

Montalcino, seus vinhos incríveis e suas belas paisagens

Pouco se passava das duas horas da tarde quando ao final de uma estrada sinuosa, com muitos sobes e desces incrivelmente margeada por muito verde, muitos vinhedos e um intenso clima de paz, que chegávamos a comuna de Montalcino, no alto de mais uma colina. Seus altos muros escondiam mais uma cidadela com vielas estreitas, alguns quase labirintos, fachadas de pedra. Assim como o período medieval exigia e se moldava. Como trafegar de carro dentro dos muros históricos da cidade também era proibido (aliás, uma constante em nossa viagem à Itália) fomos primeiro ao hotel pra depois nos deliciarmos com a cidadela. O hotel escolhido era o Hotel Dei Capitani.

Vista do quarto do Hotel Dei Capitani

Vista do restaurante do hotel durante o café da manhã


Chegando ao hotel a primeira (de muitas) agradáveis surpresas desta passagem por Montalcino. O hotel era incrivelmente bem localizado e próximo a todos os pontos e atrações principais que a cidadela nos reservava. Um aviso aos incautos: esteja preparado também para caminhar muito, pois o mais gostoso da região é conhecer as cidadelas a pé. Malas no quarto, tênis nos pés, partimos rumo a mais uma aventura com direito a muita caminhada, muito vinho e vistas de cair o chapéu. A cidade se mostrava a cada ruela que adentrávamos, com muitas casas em tons de areia e seus telhados em terracota. Além disso, existiam muita ladeiras que testavam nosso preparo físico. Montalcino é outro lugar pitoresco, que parece um set de filmagem a cada esquina, com direito a uma grande fortaleza, um antigo mosteiro, uma praça com um palácio e muitas outras atrações. Mas como os vinhos são a estrela maior deste blog, o primeiro contato com os preciosos líquidos de Baco desta famosa região vinícola se deu logo. As ruas são apinhadas de enotecas e de pequenas lojas que também contam com degustações de vinhos e iguarias da região.

Ladeiras e...

..mais ladeiras

Um breve parêntese. Montalcino é a terra de, na minha opinião, os melhores vinhos da região da Toscana (os famosos Brunellos e Rossos di Montalcino). É aqui que crescem as uvas Sangiovese Grosso, variedade genética da Sangiovese e que dá origem a vinhos incrivelmente elegantes e musculosos, harmônicos e extremamente gastronômicos.

Nós e a Enoteca La Fortezza ao fundo

Vista do interior da Fortezza

Voltando a nossa viagem, o primeiro contato com os vinhos da região se deu em uma enoteca chamada "Enoteca la Fortezza di Montalcino", como o próprio nome já diz uma fortaleza medieval que foi transformada em enoteca e que além de contar com uma seleção impressionante de vinhos (tanto em garrafas como para se tomar em taças com algumas máquinas enomatic) tem uma vista privilegiada da cidade em seus altos muros. Adentrando o local confesso que fiquei até intimidado dado a quantidade de vinhos no local, mesmo nas enomatics. Entretanto, resolvi realizar uma extravagancia: provar um Brunello di Montalcino Biondi Santi 2005. E que vinho! Elegante, com couro, frutas escuras, florais, toques terrosos e de especiarias, tudo muito harmônico formando um ótimo conjunto aromático. Belo corpo e acidez bem viva com taninos presentes mas muito redondos e sedosos. Um deleite.

Na Fortezza, provando o meu Biondi Santi (foto cortesia de minha esposa)
Mas pra quem achava que tudo se encaminhava para nenhuma surpresa adicional nesta passagem por Montalcino, chegava a hora de procurarmos um bom restaurante pra jantarmos. Depois de pesquisar um pouco aqui e acolá decidimos pela "Taverna del Grappolo Blu" onde não imaginávamos que faríamos uma de nossas melhores (senão a melhor) refeição na Itália. O local era aconchegante e pequeno, poucas mesas com um atendimento quase personalizado. Um menu enxuto contrastava com uma lista imensa de vinhos, maior do que muito romance por ai! Segundo vários locais que frequentamos por aqui, era época de trufas, então tentamos provar a maioria dos pratos com molhos que tinham a iguaria em sua composição. E foi aqui que um pappardelle ao molho porcini com trufas nos conquistou. Além disso, um belo Rosso di Montalcino acompanhou a refeição que teve ainda um vin santo pra fechar a noite. Tudo incrivelmente delicioso. Extasiados e cansados, retornamos ao hotel para mais uma noite de sono para continuarmos nossa viagem rumo a Siena. Mas isso é assunto pra outro post.

"Pequena" carta de vinhos

O escolhido da noite

Trufas pra que te quero


Até o próximo!

Tuesday, August 6, 2013

A Toscana que eu conheci através de vinhos e suas cidades míticas: Montepulciano

Como alguns aqui já devem saber, no último mês de abril estive em lua de mel na Itália, mais precisamente saindo de Roma e passando por algumas cidades da região da Toscana, famosa por suas paisagens rurais e medievais, gastronomia e vinhos. Desde então eu fiquei de postar aqui algumas dicas e impressões sobre esta viagem. Confesso que com o tempo, esta tarefa se tornou mais difícil do que eu pensava. Não que a viagem tenha sido ruim, muito pelo contrário, foi a viagem mais inesquecível que já fiz até hoje, o problema é que traduzi-la em palavras se tornou algo maior do que eu consegui fazer até agora. Tem me faltado palavras e idéias de como organizar minhas aventuras por aqui. Hoje será uma tentativa, um pouco diferente do que eu havia pensado, pra dividir com vocês um pouco do que vivi naqueles 10 dias maravilhosos. Espero que aprovem.

Visual deslumbrante da estrada

A Toscana fica localizada na região centro-sul da Itália e abrange uma vasta gama de comunas e cidades. Pode-se dizer que sua capital, no entanto, é a mítica cidade de Florença. Começamos nossa viagem com direção a Toscana bem cedo saindo de Roma, e sem dúvida nenhuma, adentrando a estrada já foi possível imaginar o que nos esperava. Paisagens incríveis, estradas cercadas de vinhedos e um clima deslumbrante. Tudo isso e era só o começo. 

Queijo Pecorino, iguaria da região,maturado em cinzas

Degustações em cada portinha

Desembarcamos em nosso primeiro destino, Motepulciano, e já ficamos deslumbrados. A cidade se encontra no topo de uma montanha e é uma das mais altas da Itália. Era necessário estacionar o carro fora da cidade histórica, uma vez que o trânsito de veículos no interior de seus muros é vetado. Caminhando por suas vielas de fachadas irregulares nos sentimos em um set de filmagem, aguardávamos ansiosamente os gritos de "gravando" e "corta". Em cada portinha, era possível encontrar degustações de queijos, embutidos, azeites e vinhos oriundos da região. Aliás, lá o vinho mais conhecido é o tinto "Nobile di Montepulciano", produzido a partir de uvas Sangiovese na região. Lugares para se comer não faltam, então optamos por um almocinho mais básico e tranquilo a base de brusquetas, mussarela de búfala e presunto de parma. O local escolhido foi o restaurante "..E Lucevan le Stelle" , restaurante parte do complexo do hotel "Locanda San Francesco". O local é agradável e tranquilo, com um deck que possui vista para as cadeias de montanhas e muito verde típico da região. Sofás confortáveis e aquela sensação de pique-nique que contagiam. Tudo deliciosamente harmonizado a taças de Nobile di Montepulciano, é claro. Reserva, de preferência. 

Almocinho básico em Montepulciano
Adentrávamos os primeiros minutos da tarde deste dia, e era hora de partirmos rumo a nosso próximo destino, onde iríamos inclusive passar a noite. E este destino era Montalcino. Mas isso fica pro próximo capítulo de nossa saga. Continuem nos acompanhando. 

Até o próximo!

Monday, August 5, 2013

Emilia Nieto Senetiner Chardonnay e Viognier 2012

E eis que volto com mais um daqueles dias especiais que resolvemos fazer um jantarzinho especial lá em casa e claro, com direito a um bom vinho para acompanhar. A algum tempo compramos aquele livro do famoso chef internacional Jamie Oliver (30 Minutos e Pronto) mas ainda não tínhamos tido a oportunidade de "inaugurá-lo" preparando alguma receita lá contida. Foi ai que decidimos fazer isso neste final de semana. Receita escolhida: Rigatoni a molho de manjericão, amêndoas, anchovas e tomate cereja com um salmão assado pra acompanhar. Aproveitando o calor que estava fazendo no final de semana escolhi o vinho Emilia Nieto Senetiner Chardonnay e Viognier 2012 para acompanhar esta empreitada. Vamos ver o que deu.


Sobre a Bodega Nieto Senetiner, já comentei anteriormente no blog (relembrem aqui) e por isso não irei me estender no assunto. Vocês ainda podem checar um outro post em que cito alguns vinhos da casa, degustados em uma outra oportunidade (aqui). Já no tocante a esta linha de vinhos, que é lançamento da Bodega para o mercado nacional, seguem algumas linhas retiradas de seu próprio site: "Emilia é uma proposta inovadora, um vinho amável, de aromas frutados,cor rica e sabor delicado. É ideal para partilhar e desfrutar de momentos únicos de diversão, relaxamento e prazer, onde as memórias nascem. Emilia nasceu como resultado do compromisso e paixão da Bodega Nieto Senetiner  para inovar permanentemente diferentes propostas que convidam a desfrutar de um bom vinho". Ou seja, em linhas gerais um vinho simples, para o dia a dia mas feito com a qualidade de quem já está a muito tempo neste mercado e entende as necessidades crescentes do mesmo. 

Finalmente o vinho em si, que é feito num corte de Chardonnay - Viognier (sem proporções conhecidas) que são vinificadas separadamente sendo que não ocorre fermentação malolática. Depois de degustação pela equipe da casa, o corte é finalizado e engarrafado. Vamos então as impressões.

Na taça uma bonita cor amarelo palha bem clarinha, muito transparente e brilhante com reflexos verdeais. Lágrimas finas e rápidas, sem nenhuma cor, compunham ainda o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas tropicais e toques cítricos (abacaxi, maracujá entre outros) e leve lembrança mineral.

Na boca o vinho tinha corpo leve para médio e acidez viva e refrescante. Retrogosto confirma olfato e o final longo tem um quê de marinho (lembrança salgada em boca) em contraponto a sensação de doçura do ataque inicial frutado. 

Um ótimo vinho para o dia a dia, sem defeitos e que deve agradar em cheio tanto iniciantes como pessoas com mais experiência no mundo dos vinhos. Único senão a harmonização não ficou tão interessante, o vinho se tornou um pouco mais alcoólico com a comida. De qualquer forma, eu recomendo a prova.

Até o próximo!

Friday, August 2, 2013

Curiosidade: A origem da uva Pinotage

A algumas semanas atrás tivemos um Winebar com vinhos sul africanos (relembrem aqui) e dentre os vinhos degustados havia um em especial, feito a partir da uva considerada símbolo do país no tocante ao plantio e produção de vinhos, a Pinotage. Depois do evento fiquei curioso em tentar descobrir um pouco mais sobre esta uva intrigante, que normalmente gera vinhos mais porrada mas que vem conquistando merecida atenção no mercado e fui atrás de mais informações sobre ela. Agora, venho ao blog dividir um pouco do que aprendi com vocês, caríssimos leitores.


A uva Pinotage pode ser considerada ainda jovem no cenário vitivinícola mundial se comparada as grandes uvas europeias como Cabernet Sauvignon e Merlot, por exemplo, mas segundo especialistas é "filha" de duas outras européias: Pinot Noir e Cinsault (também chamada de Hermitage). Sim, prezados leitores, ela é oriunda de um cruzamento genético destas duas outras uvas, gerando mais do que uma união dos nomes das duas uvas (Pinot + Age) mas uma uva de mais fácil trato do que a Pinot Noir (mantendo algumas de suas características) e a resistência e fartura na colheita da Hermitage. Entretanto, a facilidade de amadurecimento e o rendimento elevado nas vinhas faz com que os enólogos tenham muito trabalho desde o plantio até a obtenção do caldo final. 

Os vinhos desta uva tem ainda  algumas características geralmente associadas como por exemplo, taninos mais rústicos e difíceis de se controlar; aromas remetendo a frutas escuras e vermelhas, especiarias e em alguns casos florais e chocolate; não menos comum, a acidez é um pouco mais baixa do que o desejável tornando o vinho um pouco enjoativo entre as mais comumente encontradas.

Entretanto, com o crescimento do consumo e produção de vinhos na África do Sul, muito tempo, dinheiro e dedicação tem sido aplicado no campo vitivinícola do país em prol da obtenção de vinhos sedosos, aveludados, voluptuosos e de certa maneira, sedutores. Hoje no Brasil já existe uma boa gama de vinhos desta uva disponível no Brasil e um recente evento realizado em São Paulo, prova que esta evolução é real.

E vocês, prezados leitores, qual experiências tem com esta uva e com estes vinhos Sul Africanos? Tem mais informações a cerca desta uva? Dividam conosco aqui nos comentários ou mesmo se utilizando da Fan Page do blog no Facebook.

Até os próximos! 

Thursday, August 1, 2013

Gordon Estate Syrah 2009


Mais um jantar especial em casa, que pedia um bom vinho pra acompanhar, ainda mais se levarmos também em conta o frio que anda assolando a cidade de São Paulo e o Brasil de um modo geral (aparentemente já passou). O prato consistia de filet mignon selado ao molho de páprica (estilo alemão, bebê!) com bolo de batata de guarnição (prato especialidade da minha esposa, diga-se de passagem). Pra combater a untuosidade do bolo de batata e do molho de páprica além da leve picância do mesmo, nada melhor do que um Syrah bom de briga. E o escolhido foi o Gordon Estate Syrah 2009, um americano proveniente do Columbia Valley em Whasington, nos EUA.


Já comentei um pouco sobre a região e a vinícola em um post anterior de outro vinho e safra deles (relembrem aqui) mas vamos relembrar um pouco, pois já dizia o ditado: "recordar é viver". A região recebe quase 300 dias de sol por ano, o que ajuda no amadurecimento das uvas, tem vinhedos plantados em altitude também o que faria com a amplitude térmica aumentasse na relação dia noite, o que também ajuda no cultivo e amadurecimento das vinhas. Além disso, a região pode ser considerada também mais seca do que outras em mesma latitude e protegida por montanhas, criando um clima propício para o cultivo destas uvas. Possui ainda abundância de fontes naturais de água e solo com formação antiga e com um mix de componentes. Quanto a vinícola, a Gordon Brothers State Family Vineyards é considerada uma das pioneiras na região, com início de plantio em 1980. A primeira safra que pode ser considerada é a de 1985, quando liberaram um pequeno lote de vinhos Chardonnay para o mercado interno.

Falando um pouco do vinho em si, um varietal 100% Syrah com 14% aproximadamente de álcool que teve uma difícil fase de amadurecimento de suas uvas em virtude de um clima mais difícil nesta safra, mas que com o emprego de modernas técnicas de vitivinicultura e esmero dos produtores aportou um vinho com grande estrutura. Após todo processo fermentativo/produtivo, o vinho passa as barricas de carvalho onde permanece por 22 meses para afinamento e amadurecimento. Vamos as impressões.

Na taça uma bonita cor violácea de média para grande intensidade, com pouca transparência e algum brilho. Lágrimas finas, ligeiramente mais lentas que o usual e com alguma cor.

No nariz o vinho abriu com aromas de frutas vermelhas, especiarias (notadamente pimentas) e toques de chocolate amargo. 

Na boca o vinho mostrou muita estrutura com taninos marcados porém suaves e macios, boa acidez e corpo médio. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Mais um grande vinho trazido pela Smart Buy Wines que vale a pena se conhecer. Fizemos ainda uma experiência ao final da refeição, experiência esta que gosto muito, e harmonizamos o vinho com chocolate. Ficou divino! Eu recomendo.

Até o próximo!