quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cem Reis 2009 - Um português com cara "moderna"

Mais uma mudança de país nos vinhos do final de semana, que diga-se de passagem foram incríveis, desta vez indo para a terra de nossos patrícios portugueses, mais precisamente para o Alentejo, uma das regiões mais incríveis e fascinantes no mundo e claro uma das minhas preferidas. Não escondo de ninguém que morro de vontade de ir pra lá conhecer este lugar, juntamente com o Douro, e suas paisagens incríveis, vinhos sempre muito bons (salvo exceções), facilidade de comunicação pela língua entre outros mil motivos que eu poderia ficar elencando aqui pra vocês, mas não vou ser chato e ficar fazendo melodrama não.


O vinho de hoje é produzido pela Herdade da Maroteira, que segundo o site da própria: "propriedade agrícola  pertencente a uma das famílias Anglo-Portuguesas estabelecidas na Região do Alentejo, Portugal, há mais de cinco gerações. Abrangendo uma área de 540 hectares, no sopé da Serra d'Ossa, 20 km a sul de Estremoz e 35 km a norte de Évora, a Herdade da Maroteira dedica-se à preservação do montado de sobro e azinho, numa lógica de sustentabilidade agro-silvo-pastoril. Mais recentemente, a Herdade da Maroteira diversificou a sua oferta produtiva a novas áreas de negócio: ao turismo, através de duas unidades de Alojamento Local (AL), e à vitivinicultura, produzindo as uvas que dão corpo ao reconhecido vinho Cem Reis.

A Herdade da Maroteira tem vindo a fomentar o seu potencial produtivo através do desenvolvimento de actividades complementares à silvicultura, tendo plantado, em 2003, 10 ha de vinha, numa zona de vale aberto. A escolha das castas recaiu sobre a Alicante Bouschet, Aragonêz, Touriga Nacional e Syrah. Grande parte da produção vitícola é vendida; apenas uma pequena selecção - as uvas de qualidade superior -, é aproveitada para a produção de vinho da Herdade da Maroteira. A grande referência vinícola da Herdade da Maroteira é a marca Cem Reis, e em 2011 foi lançada uma nova marca, denominada 10 GULDEN".

Voltando ao vinho, o mesmo é feito com uvas 100% Syrah e estagia por cerca de 14 meses em carvalho francês e americano (70 - 30%) para afinamento/envelhecimento. São produzidas apenas entre 13 e 15 mil garrafas e para nossa infelicidade não encontramos o vinho por aqui, o que é uma pena dada sua qualidade. Mas opa, ainda nem descrevi as sensações sobre ele. Bom, sem mais delongas, vamos a elas.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea intensa, escura, quase sem nenhuma transparência nem halo de evolução. Lágrimas finas, rápidas e coloridas compunham também o conjunto visual. 

No nariz o vinho abriu com notas de frutos escuros maduros bem evidentes e muita especiaria (pimenta em geral) também marcantes. Uma leve lembrança de coco também podia ser sentido. Ao fundo de taça um leve toque de tostado. Tudo muito exuberante, lembrando vinhos do novo mundo.

Na boca o vinho tinha corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos, presentes porém extremamente macios e redondos. Retrogosto que trazia muita fruta e um final de longa duração que sempre pedia o próximo gole.

Um grande vinho, trazido diretamente de Portugal e que gentilmente foi aberto pela minha amiga Roberta, a quem não canso de agradecer pela experiência inenarrável. Se você, caro leitor, estiver por Portugal e encontrar alguma garrafa deste vinho, eu recomendo que compre e traga pois não irá se arrepender.

Até o próximo!

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