domingo, 31 de julho de 2011

Baixos rendimentos nos vinhos do Porto são esperados após granizo e queimaduras solares

Voltando a lidar com o assunto de aquecimento global, sustentabilidade e afins, encontrei esta reportagem que de alguma forma poderá nos afetar, uma vez que somos grande consumidores do vinho do porto e o que aconteceu poderá aumentar preços, diminuir a disponibilidade do produto e assim por diante em terras brasilis. Reportagem traduzida e adaptada do site da revista Decanter. Espero que gostem.

Produtores de vinho do porto no Vale do Douro esperam rendimentos baixoa este ano depois de terem seus vinhedos atingidos pelo granizo e calor extremo nos últimos dois meses.

Depois de um maio incomumente quente e um começo mais ameno de junho, as temperaturas subiram até os 40 graus Celsius durante o último fim de semana do mês, causando as piores queimaduras na memória viva das vinhas.
Escrevendo no seu blog na Graham´s, o viticultor da vinícola Symington Family Estates, o Sr. Edlmann Miles disse que o calor afetou em particular o Vale da Vilariça, que também havia sido danificado pelo granizo no início do mês.

Os efeitos do sol foram piores no Douro Superior, em vinhas viradas para a região sudoeste e entre plantações de Tinta Barroca, acrescentou.
"Parcelas (de vinha), que conseguiram unir a infeliz conjunção de variedade, sub-região e exposição perderam toda a produção", disse Edlmann.

"Em outros lugares, bagas mais vulneráveis ​​foram mortas, deixando o resto da planta intacta. Nem mesmo os mais antigos caseiros lembram de ter visto queimaduras solares como as deste ano."
 
Outras variedades impactadas pelo calor extremo incluem a Sousão de pele fina e a Touriga Francesa, que geralmente se dá melhor em altas temperaturas.

A qualidade da safra 2011 não deve ser afetadas, disse Edlmann, mas o rendimento vai ser "para baixo em toda a região" como resultado.

sábado, 30 de julho de 2011

Chianti e Chianti Clássico

Tomando como base meu último post que tratava da lenda do Gallo Nero, símbolo de um dos maiores ícones do mundo vinícola italiano e mundial, resolvi trazer pra vocês um texto interessante que fala brevemente sobre Chianti, Chianti Clássico, algumas diferenças e a região da Toscana como pano de fundo disto tudo. Espero que gostem.

Não há quem nunca tenha ouvido falar na reputação dos vinhos de Chianti, ou na beleza desta que é uma das mais antigas gegiões produtoras de vinho da Itália e do mundo (no caso a Toscana). No entanto, ainda hoje existe muita confusão entre Chiante em geral e Chianti Clássico, e no passado a região chegou a sofrer por excesso de fama, por um lado (com uma superprodução de vinhos demasiadamente comerciais, engarrafados naqueles típicos "fiascos" de palha) e, por outro lado, pelas regras excessivamente restritivas da denominação de origem. Os acontecimentos em Chianti Clássico nas últimas décadas marcaram indelevelmente o vinho italiano pra sempre - com o surgimento dos supertoscanos, a transformação das exigências da DOCG e o ressurgimento de Chianti Clássico como uma das mais prestigiosas e elegantes denominaçõs de origem da Itália. Aqui a sangiovese brilha em plena elegância, em contrapartida à potência dos Brunellos di Montalcino, produzidos mais ao sul.

De fato, os Chianti Clássico dos melhores produtores são vinhos de marcante finesse, com uma deliciosa acidez que os permite ser o acompanhamento perfeito para um grande número de pratos. São vinhos que vão especialmente bem com a comida, e que são estilosos, preciosos, moldados no ponto certo. Muitos dos melhores vinhos têm destacado carácter mineral, ou um toque terroso, com um belo perfume e proporções perfeitas. No entanto, existe uma diferença enorme entre a denominação de Chianti Clássico e Chianti em geral. Os vinhos de Chianti Clássico são somente aqueles produzidos em uma zona muito mais restrita - a zona histórica de Chianti, demarcada em 1716, que inclui comunas como Castellina in Chianti, Gaiole in Chianti, Radda in Chianti e Greve in Chianti. Deve também respeitar todas as regras determinadas pela denominação de origem, com rendimentos mais baixos, uso de determinadas uvas (80% de sangiovese mínimo), e assim por diante. A zona histórica de Chianti foi expandida em 1932 para incluir uma área muito maior - quase toda a Toscana! A diferença de qualidade pode ser gritante, na verdade. Passaram a existir vários outros "Chianti", dependendo da zona de produção, como Chianti Colli Fiorentini, Chianti Colli Senesi, Chianti Montalbano, Chianti normal...nenhuma destes é Chianti Clássico, e não é só o terroir, como também as regras de produção (e a qualidade) são muito diferentes.

Até o próximo!

Texto original retirado e adaptado do catálogo de outono da Mistral.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A lenda do Gallo Nero

Todo mundo tem suas histórias e lendas e como não poderia deixar de ser, o mundo dos vinhos também possue as suas. E a algum tempo eu estava lendo esta história e resolvi compartilhar com vocês. Como a maioria dos leitores já sabe, o símbolo que vem nos selos das garrafas dos famosos vinhos Chianti Clássico é um galinho preto. Mas todos já pararam para se perguntar da onde vem e qual a história por trás deste famoso galinho? Segue uma lenda sobre o tema e caso vocês leitores tenham mais alguma a respeito, por favor compartilhem-na comigo!

Na verdade, desde sempre o galo negro é o símbolo de toda a região de Chianti, com origens remotas, perdidas no tempo. Não é possível determinar exatamente quando e como o Gallo Nero surgiu, mas ele já era o emblema da Liga do Chianti, que governava a região desde o princípio do século XIV. No famoso e antigo Palazzo Vechio, em Florença, os belos tetos pintados por Giorgio Vsari já mostram o galo como alegoria da região de Chianti, no Salão dos Quinhentos.

http://www.chianticlassico.com/


Segundo uma lenda, para colocar fim a uma interminável rivalidade e guerras entre Siena e Firenze na Idade Média, as duas cidades decidiram fixar suas fronteiras com base em um duelo. Dois cavaleiros deveriam parir de manhã cedo de suas respectivas cidades, ao primeiro canto do galo, cada um em direção ã cidade rival. Onde quer que eles se encontrassem seria demarcada a fronteira entre as duas potências toscanas. Os elegantes habitantes de Siena escolheram um belo e refinado galo branco, que passou a ser tratado como uma celebridade e logo engordou bastante, com todo o excesso de ricas comidas que lhe eram servidas. Os florentinos, ao contrário, escolheram um galo negro e esfomeado. Ele foi deixado em tamanho jejum que, no dia da competição, se despertou e cantou antes mesmo do nascer do sol. Com isto, o cavaleiro de Florança partiu muito antes do cavaleiro de Siena, e ambos se encontraram a apenas 10 km desta última, na altura de Fonterutoli. E com isto a região histórica de Chianti veio a ser dominada quase que integralmente por Florença.

Bom pessoal, esta é a história, espero que tenham gostado. Gostaria também de deixar um pedido: usem os comentários, deixem suas críticas e/ou sugestões e proponham assuntos a serem abordados, afinal de contas vocês são o motivo deste blog existir!

Até o próximo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vega Saúco Piedras Crianza 2005

Aproveitando o feriado no meio da semana que aconteceu por aqui, institui o dia da preguiça e aproveitei pra incluir um vinho no meio deste. E o vinho acabou entrando por acaso na história, por que eu havia saido pra caminhar e acabei entrando em um supermercado que eu não utilizo com tanta frequência por aqui. Encontrei este vinho que inclusive já participou de degustações às cegas em eventos, e por sinal bateu concorrentes muito mais caros e renomados. Estou falando é claro do Vega Saúco Piedras Crianza 2005, conforme o título do post.

O vinho é produzido pela gigante espanhola Vega Saúco, na região de Toro, com 100% uvas Tinta de Toro (como é conhecida a Tempranillo lá). A região começa a dar sinais de grande evolução em seus vinhos, que não eram considerados de grande qualidade até 15 anos atrás aproximadamente. Segundo o produtor o vinho descansa por 14 meses em carvalho, sendo 70% nas barricas de carvalho de origem francesa e 30% nas de origem americana. Vamos as impressões.



Na taça, tentando contradizer sua idade, o vinho apresenta uma cor violácea até bem escura, com algum halo já tendendo ao granada. Lágrimas finas, abundantes e ainda levemente coloridas completam o conjunto. 

No nariz o vinho abriu com bastante fruta, tendendo para cereja e ameixa, num mix de frutas vermelhas e escuras maduras, mas não em compota. Toques de especiarias doces, me lembrando cravo e canela, misturados com alguma coisa de pimenta e baunilha ao fundo apareceram também depois de um pouco de aeração.

Na boca o vinho se mostrou redondo, taninos finos mas ainda presentes, boa acidez e um pouco quente de início. Cofirmou o frutado do nariz e ainda foi possível sentir um final que misturava chocolate e tostado. Final de média persistência.

Mais um excelente vinho, justificou a "fama" das degustações às cegas e valeu os incríveis R$ 36,00 pagos por ele no supermercado aqui. É trazido pela Ravin e é um tiro certo na relação custo x benefício.

Até o próximo!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Apresentação e Degustação de Vinhos do Tejo

Ontem tive uma oportunidade muito interessante de participar de uma degustação da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, região demarcada de vinhos de Portugal, realizada no restaurante Praça São Lourenço em São Paulo. Neste post tentarei descrever como aconteceram as atividades, destacarei alguns vinhos que achei interessantes e tentarei compartilhar o máximo de informações possíveis com vocês, caros leitores.

Primeiramente falemos um pouco da região do Tejo, em Portugal, que até 2009 era conhecida como Ribatejo e também por produzir vinhos sem muita preocupação com a qualidade e em grandes quantidades. Apesar disso é reconhecidamente uma das regiões produtoras de vinho mais antigas do mundo, datando da Idade Média. Com o intuito de mudar esta imagem, principalmente para os mercados internacionais, os produtores em consenso com os órgãos reguladores de Portugal resolveram modificar um pouco a demarcação da área, modificar o nome e focar na produção de maior qualidade para alavancar seus vinhos aproveitando o bom momento que o país vive em relação a seus vinhos mundialmente, sendo considerados de melhor custo benefício quando tratamos de vinhos do velho mundo. Se aproveitando da presença do Rio Tejo, que corta a região no sentido norte-sul quase que em duas metades, adotaram o nome Tejo notadamente com o intuito de associar a região vitivinícola ao rio. Aliado a estas mudanças tivemos um grande salto qualitativo na qualidade dos vinhos produzidos e nos processos enológicos empregados para tal. Encravada em uma região onde o clima se encontra em um meio termo entre o atlântico e o mediterrâneo, ainda com a influência do rio Tejo que ameniza as temperaturas e o clima, com solos entre o aluvião e o arenoso, pobres, seus vinhos tem se apresentado amigáveis, com estilo moderno (se utilizando de castas internacionais para tal), onde uma boa acidez contra contrabalanceia com boa fruta e preços acessíveis.

Voltando ao evento de ontem, cheguei ao local marcado por volta das 15h para participar de uma palestra organizada pelo pessoal da ABS apresentando a região para os participantes, divulgando algumas características e fazendo um painel de degustação comentado com 8 vinhos de diferentes produtores. Pelo que sei anteriormente a isto a comissão regional do Tejo fez uma apresentação mais fechada para mídia e profissionais especializados. A palestra basicamente descreveu os assuntos que eu tentei compartilhar no parágrafo acima, por isso não serei repetitivo. O que mais interessava realmente era conhecer os vinhos e se realmente seriam bons. Após esta palestra pudemos entrar em contato com produtores e importadores que trabalham com os vinhos do Tejo. Além disso tinhamos uma grande mesa que contava com queijos, pães, embutidos e alguns outros petiscos para acompanhar os vinhos. Tudo muito bacana ainda que, a meu ver, o espaço disponível para a degustação e conversa com os produtores era um pouco pequeno e o acesso as mesas se tornava moroso. De qualquer maneira, tudo acabou se saindo muito tranquilo e pude conhecer alguns vinhos muito interessantes. No próximo parágrafo tentarei colocar alguns vinhos que me chamaram a atenção e que podem ser boas opções, dependendo é claro do preço final praticado no nosso mercado. Incluirei todos os vinhos destacados no mesmo parágrafo, sejam eles da palestra ou das mesas de degustação, dividindo-os por produtor, a meu ver facilitando a leitura.

 
É preciso destacar em primeiro lugar que os vinhos se mostraram em sua maioria muito macios, fáceis de se beber, com muito frescor e sem aquela carga tânica exagerada, aparentemente em sintonia com o paladar mais comum nos dias de hoje.

Do produtor Agro-Batoréu, eu destacaria o Terra Silvestre 2009, um vinho jovem, pronto pra beber, com muita fruta e ligeiro toque herbáceo e muita persistência. Me parece que é o vinho de entrada da vinícola e não tem preço nem importador definido no Brasil, o que pode ser uma grande oportunidade de mercado.



Passando agora ao produtor Casal Branco, antigo e conhecido produtor português, se fosse para ser sincero, quase toda sua linha de produtos apresentados se mostraram de boa qualidade em seus nichos de mercado, porém eu destacaria: Terra de Lobos 2009, vinho de entrada da vinícola, boa fruta, taninos macios, boa acidez e nenhum amargor; Falcoaria Branco 2008, muito fresco, bom corpo, pedindo sempre mais um gole; Falcoaria Clássico tinto 2008 e o Falcoaria Reserva tinto 2007, vinhos considerados de alta gama da vinícola, ambos classudos, mais encorpados, boa fruta mas já com aromas de evolução como couro, especiarias, alguma coisa de côco e baunilha, enfim mais complexos e potentes que valem ser conhecidos. Estes são trazidos pela D’Olivino, mas os preços podem ser mais salgados para os dois últimos especialmente.



Já do produtor Casa Paciência eu destaco o Quinta do Chabouco 2010, frutas negras, côco, exelente acidez deixando o vinho extremamente vivo, boa persistência. Infelizmente o vinho ainda não apresenta importador no país, mostrando ai mais uma janela de oportunidade.

Um produtor já conhecido que eu revisitei e conheci outras opções é o Fiuza & Bright, cujo o vinho 3 Castas eu já havia provado (relembre aqui). Mas os destaques, a meu ver são: Oceanus Tinto 2009, simples, frutado, vinho de entrada da vinícola e que é ótimo para bebericar em uma conversa com amigos; Fiuza Premium tinto 2008, muita fruta escura, tostado, chocolate amargo, boa acidez, complexo e persistente; Fiuza Ikon tinto 2008, top da vinícola, encorpado, taninos mais presentes mas de muita qualidade, pede comida e deve ir bem com carnes de caça, por exemplo. Estes vem pro Brasil pela Vinea, e vale a visita na loja ali do paraíso.

Outro vinho que revisitei com um pouco mais de calma foi o Mythos tinto 2007, do produtor Quinta do Casal da Coelheira, top da vinícola que apesar de toda complexidade, apresentando aromas de café torrado, fruta em compota, chocolate e floral tem um final um pouco curto e um preço que talvez não justifique o investimento, mas o vinho tem qualidade! Este vem pela Max Brands.

Por último mas não menos importante, um rosé um pouco diferente, feito com 100% Aragonez (Tinta roriz ou ainda como  os espanhóis a conhecem, Tempranillo), o Terras de Touros Rosé 2010. Bons aromas de fruta, muito frescor, mais encorpado e escuro que os rosés convencionais e que pede sempre mais um gole. Este por sua vez do produtor Quinta do Casal Monteiro e que pelo que vi não tinha importador, mas não estou com certeza absoluta.

Este é o resumo do evento. Espero que tenham gostado.

Até o próximo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cuvée Chaponnières 2009

E com a chegada de mais um final de semana, nada melhor do que provar aquele vinho que você comprou com muito carinho e aguardava uma oportunidade pra degustar. A oportunidade veio para testar uma harmonização, ainda pensando em meu último post (lembre aqui), que é muito discutida e que eu ainda não cheguei a um veredicto: peixes com vinhos tintos, é possível ou não? É claro que se pensarmos em peixes mais gordurosos ou em comidas regionais, há quem acredite (e eu me incluo nesta gama) que por exemplo salmão assado ou mesmo bacalhau em determinadas receitas aceitam muito bem um vinho tinto. Diante disso, escolhi este borgonha da região de Rully para uma prova com salmão, temperado somente com sal, pimeta e assado inteiro no forno por boas horas. Vamos as impressões do vinho e da harmonização.



O vinho apresentou em taça uma coloração esperada para um pinot noir: um rubi claro, transparente e com ligeiro halo aquoso. Lágrimas finas, espassadas, em pouca quantidade e incolores completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas bem marcados de frutas vermelhas bem frescas, como cereja e principalmente morango. Com a agitação e tempo em taça abriram ainda aromas de champignons, tostado e algo de especiarias.

Na boca o vinho apresentou corpo leve, taninos finos e bem fundidos quase imperceptíveis, acidez muito boa e álcool sem sobras. Confirmou o morango, especiarias e tostado em boca. Final de curto para médio sem amargor residual. Muito interessante.

E não é que o vinho foi bem com o peixe? Aguentou a gordura sem maiores problemas, ajudava a limpar o palato e não criou aquele gosto metálico por possuir taninos finos e elegantes. Aprovado.

Só preciso confessar uma coisa: não tenho muita "litragem" em pinots ou borgonha mas o vinho me pareceu um excelente exemplar da cepa e da região. Sabe quando o vinho parece quase que didático? Pois é o que este vinho me pareceu. Como não poderia deixar de ser, importado pela Cave Jado que é uma das minhas importadoras preferidas, se não a preferida.

Até o próximo.

domingo, 24 de julho de 2011

Harmonizando comida e vinho: abordagens e diretrizes interessantes

 Este é um assunto que gera ainda hoje muitas discussões e quase nunca existe consenso quanto ao que é "certo" ou "errado". Entretanto, gosto muito de trazer bons artigos aqui para o blog e arrumei um artigo que eu achei bem interessante e que pode enriquecer nossas discussões. O artigo original se encontra no site da revista Wine Enthusiast. Espero que gostem.

Os sabores do vinho são derivados de componentes específicos: açúcar, ácido, fruta, tanino e álcool. Alimentos também têm componentes de sabor, como a gordura, o ácido, sal, açúcar e amargo. As mais bem sucedidas combinações de comidas  e vinhos apresentam componentes complementares, riqueza e texturas.

Você pode tentar tanto harmonizar utilizando as semelhanças ou os contrastes. Para massas com molho de molho rico, por exemplo, você poderia cortar a cremosidade da gordura do molho com um vinho branco, seco e sem passagem por madeira. Ou você poderia envolver o sabor do vinho em torno da riqueza do molho, escolhendo um grande, maduro e macio chardonnay ou um corte roussanne/marsanne.


Claro que você vai precisar para relembrar um pouco sobre o básico de vinhos brancos e tintos  para entender os sabores de cada uva. Armado com o conhecimento das variedades de uva, você pode seguir estes elementos dos alimentos para uma combinação perfeita:


6 Elementos da harmonização de vinhos e comida


Existem alguns elementos que fazem tanto a harmonização de vinhos tinto e brancos funcionarem, e eles são derivados das características dos alimentos e como eles se misturam com as do vinho. E estes elementos são: a gordura, o ácido, o sal, a doçura, o amargor e a textura.


A gordura


Muitos de nossos alimentos favoritos, tanto a carne e produtos lácteos, têm altos níveis de gordura. Vinho não contém gordura, por isso quando a correspondência de um vinho com alimentos gordurosos, lembre-se que ela tem de equilibrar essa gordura com ácido, cortá-la com tanino, ou jogar a sua riqueza com o álcool.


É por isso que um corte nobre de carne tem um gosto tão bom com um vinho baseado na uva cabernet, a proteína da carne e a gordura amaciam os taninos secantes do vinho na boca. Isso prepara a língua para as frutas do vinho e os sabores da floresta para complementar o defumado e os sabores da carne do bife.

A acidez

A acidez é outro elemento-chave em ambos os alimentos e o vinho. No vinho, ele adiciona o frescor, o vigor, e a altura do vinho na boca. Ela pode fazer o mesmo com os alimentos, como quando o limão é espremido em um pedaço de peixe fresco. Ao procurar um vinho para acompanhar um prato de ácido, você deve se certificar de que a acidez percebida no vinho seja pelo menos igual ao do alimento, ou o vinho terá um sabor brando e aguado.


As saladas são muitas vezes um desafio para combinar com vinho, mas você pode fazê-lo funcionar se você moderar a acidez no molho diminuindo o uso do suco de limão ou vinagre. Tente usar algo picante, verduras amargas e compensá-los com os sabores de ervas de um sauvignon blanc ou um semillon.


O sal


Alimentos salgados parecem limitar as suas opções de vinho. O sal pode fazer um chardonnay com passagem por madeira ter um gosto estranho, tira a fruta de um vinho tinto e por sua vez vinhos de álcool elevado se tornam amargos. Mas com um pouco de imaginação, você pode conjurar algumas combinações notáveis de alimentos salgados e vinhos doces. Queijos azuis e Sauternes é outra clássica combinação de alimentos e vinhos.


Vinhos espumantes são um golaço com alimentos salgados e fritos. A carbonatação e os ácidos da espuma emulam uma cerveja e limpam o sal do seu paladar, enquanto adiciona texturas mais interessantes e novas nuances de sabor. O sal é também um dos sabores principais em frutos do mar, como ostras. Vinhos ácidos limpam o sal e equilibram os sabores ricos do oceano nas ostras.


A doçura


Sobremesas doces e outros alimentos açucarados parece fácil - basta pegar um vinho doce - mas cuidado. Aqui é onde realmente uma regra precisa ser observada.


Existem graus de doçura. Algumas receitas terão apenas uma pitada de açúcar, tal como um molho de frutas servido ao longo de um lombo de porco. Esta doçura leve frutada pode ser combinada muito bem com vinhos brancos ricos, como chardonnay. De álcool mais elevado tende a dar uma impressão de doçura, e equilibra o açúcar do molho.


Com sobremesas você deve ter certeza de que o vinho seja mais doce que a sobremesa, caso contrário a sobremesa vai tirar a doçura do vinho e torná-lo amargo ou azedo. Apesar de vinho tinto e chocolate ser uma combinação, muitas vezes promovida pela indústria do vinho, você tem que ter muito cuidado com isso. Use um chocolate amargo, escuro e um vinho tinto com alguma doçura, como um zinfandel de colheita tardia, e poderá ser maravilhoso. Mas uma sobremesa de chocolate ao leite e um tinto seco? Terrível!


O amargor


E sobre os sabores amargos? Em algumas culturas, sabores amargos são valorizados, mas a maioria das vezes eles devem ser evitados. Nada mais do que apenas uma sugestão é susceptível a ser percebida como desagradável. No vinho, o amargor geralmente resulta de uvas verdes, ou uma falha para se separar os cabos e sementes para fora do tanque de fermentação, ou má utilização de barris de carvalho. Quando o amargor do vinho se equipara com o amargor dos alimentos, agem de maneira oposta ao açúcar. Uma não anula a outra, eles simplesmente se combinam.


A textura


Para harmonizar texturas, pense em leve e pesado. Alimentos leves são melhores com vinhos leves, comidas pesadas com vinhos pesados. Essa é a forma mais segura neste assunto. Um caminho mais aventureiro é a experiência do contraste: combinando alimentos leves aos vinhos pesados ​​e vice-versa. Isso exigirá mais testes, para manter a dinâmica de tensão e evitar que os sabores mais leves sejam atropelados e fiquem a sombra por aqueles pesados.


Para cada regra de harmonização de vinhos, muitas vezes você vai encontrar o mesmo número de dissidentes. No entanto, a regra mais importante de tudo é confiar no seu próprio paladar e divirta-se!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A indústria da rolha corre com programas de pesquisa em busca de alternativas

Em época de muito movimento em torno de processos de produção sustentáveis, de muita preocupação com o meio ambiente em que vivemos, de aplicação de técnicas biológicas/biodinâmicas nas culturas agronômicas, é a vez da indústria da rolha de cortiça tradicional também se movimenta para desenvolver matérias primas alternativas ã cortiça para a criação de maneiras sustentáveis/ambientalmente amigáveis para a vedação de garrafas de vinho e ainda para favorecer o envelhecimento de vinhos de guarda. E Laura Ivill nos brinda com um excelente artigo a respeito desta indústria e o panorama do mercado atual. A matéria foi traduzida e adaptada por mim, caso tenham interesse sugiro ler a coluna original no site da revista.

Como a colheita da cortiça começa na floresta de Montado na região do Alentejo no centro de Portugal, a indústria da cortiça está a emergir de uma década de crises com uma bateria de medidas de investigação destinada a enfrentar os desafios de vedantes alternativos.

A ascensão inexorável de screwcaps e vedantes sintéticos nos últimos dez anos tem sido seguido da crise bancária global e, em Portugal, o colapso da economia.

Várias médias empresas da cortiça faliram, e a indústria tem visto uma boa dose de consolidação. "Mais de cinco dúzias de empresas de cortiça  foram adquiridas ou fecharam nos últimos anos," disse Carlos de Jesus na Associação Portuguesa de Cortiça (Apcor).

"Entre as últimas, a maior empresa a sucumbir foi a Vinocor, com empresas de médio porte tais como a FOC e ACT também passando por processos de falência."

Amorim, o maior produtor de cortiça do país, insiste que teve seu melhor ano em 2010 enquanto Ana Cristina Mesquita, Gerente de R & D  da Cork Supply Portugal, disse que embora tenha havido falências, "estamos crescendo de 20-25%. É uma indústria tradicional, mas podemos inovar em muitas maneiras."

A indústria corticeira portuguesa aumentou as exportações em 8% no ano de 2010 e em 7% no primeiro trimestre de 2011, de Jesus acrescentou, atribuindo este crescimento ao grande investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Parte deste processo, Amorim diz, é um objetivo declarado de testes '100% '- isto é, a triagem de cortiça para cada TCA (o composto que produz' sabores rolha ou mofo no vinho).

Amorim desenvolveu uma máquina que eles estão chamando o GC TCA Detector , capaz de analisar as rolhas individuais para TCA. Ele está sendo testado de setembro a dezembro deste ano - os resultados dos ensaios sendo positivos -25 máquinas serão lançadas em todas as suas fábricas de produção.

Outra pesquisa envolve a investigação de produção de rolhas técnicas - aquelas feitas de terra e granulado reconstituído  de cortiça natural - com preços diferentes e examinar se e por que têm vantagens sobre as rolhas vedantes alternativas em termos de permeabilidade.

De Jesus diz que a indústria da cortiça moderna enfrenta desafios sem precedentes e está convencido de que o caminho a seguir é convencer produtores de vinho que a cortiça é confiável.

"Nós nunca vamos voltar aos dias acolhedores da década de 1980", diz de Jesus. "Mas não é uma rolha de plástico rosa que me mantém acordado durante a noite - o que a indústria da cortiça necessita é de uma maior consistência média."

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O que precisa ser dito no mundo do vinho?

Mais um grande artigo de Matt Kramer sobre o mercado mundial de vinhos. Obviamente é preciso um pouco de imaginação e muita adaptação para aplicarmos tais conceitos no Brasil, mas de qualquer forma, vamos ao artigo.

O que precisa ser dito.

É melhor deixar as pessoas se sentirem confortáveis​​?


Eu tive uma conversa recentemente com um colega que consistiu em dizer a ele sobre uma coluna que eu estava escrevendo para a Wine Spectator sobre adegar vinho.

Agora, talvez ingenuamente, pareceu-me que para uma publicação para entusiastas como a Wine Spectator, justificar a conveniência e as virtudes de se adegar vinhos era desnecessária. Meu colega discordou.


Ele disse: "Uma vez que os amantes do vinho não estou mais acostumados a adegar no dias de hoje, eu acho que você tem que fazer mais de um argumento. Conheço muitas pessoas que comparariam a esperara de 10 ou 15 anos com caminhar na lua. Você diz-lhes para esperar, e eles vão rir e dizer: “E se eu esperar até eu chegar em casa a partir da loja?"


"Eu tenho que te dizer", acrescentou, "que para a maioria das pessoas com menos de 40 anos, o conceito de envelhecimento de vinho de é quase como uma outra lingua. É triste mas é verdade."


Eu não posso negar o que todos sabemos: estudos de mercado mostram repetidamente que a maioria dos vinhos comprados nas lojas são consumidos dentro de 24 horas após serem levados para casa.


Assim, não há como negar que não só a maioria das pessoas não adega, como aparentemente não têm interesse em fazê-lo. Então, talvez o meu colega está certo em dizer que é necessário, mesmo nas páginas da Wine Spectator mostrar mais do um estudo sobre algo que os os amantes do vinho já sabem a gerações: a de que bons vinhos, dignos dessa designação, merecem e retribuem o envelhecimento adicional em uma local adequado.


Teríamos então atingido um ponto onde é absolutamente necessário se dizer certas coisas do vinho? Mesmo que pareçam óbvias para alguns e de outro mundo para os outros? A necessidade e conveniência de se adegar vinhos parece um exemplo clássico.


Francamente, até que essa conversa recente com um colega, eu mesmo não teria pensado que a conveniência de se adegar vinhos seria algo que "precisa ser dito." Mas nossa troca de palavras me fez pensar o contrário. Dada a natureza do que eu faço, eu provavelmente tenho vivido muito tempo em um casulo.


Então aqui está o desafio de hoje: O que você acha que "precisa ser dito"? Ofereço meus próprios pensamentos sobre o assunto, mas estou ansioso para ouvir o de vocês. Algo me diz que, dado o meu casulo acima, eu estou deixando passar algumas coisas muito óbvias mas que são assuntos que estão precisando ser ditos quando falamos de vinhos. Por exemplo:


É preciso ser dito ...


Vinhos bacanas merecem e recompensam o envelhecimento
. Eu não quero insistir no ponto, mas no espírito da coluna, bem, isto precisa ser dito. Se você ama o vinho e você está comprando algo minimamente decente, digamos qualquer vinho que custe US$ 20 ou mais, você precisa saber que as chances são muito boas que o vinho que você está comprando hoje tenha um sabor melhor e seja mais gratificante para você , se você colocá-lo em um local adequado por um ano ou mesmo cinco a 10 anos.

Agora, percebo que a criação de uma adega de vinhos é um sonho para muitas pessoas, especialmente aqueles que são jovens e / ou têm pouca ou nenhuma renda discricionária. (Lembro-me muito bem.) Ainda assim, se você pode, você pode querer pensar sobre a compra de uma garrafa extra ou duas e "perde-la" em um espaço adequado. Vinhos bacanas merecem envelhecer em uma adega. Não deixe ninguém te dizer de forma diferente.


Que a maioria nem está sempre certa
. Rapaz, se alguma vez houve algo que precisa ser dito, é isso. Vivemos numa época em que a "sabedoria da multidão" se tornou quase sacrossanta.

Para uma geração mais jovem, a idéia de não confiar nem reconhecer uma figura de autoridade qualquer, chamada de especialistas, é a versão mais recente do mantra dos “baby boomers" de 1960: “Não confie em ninguém com mais de 30". Como alguém que cantou algumas vez es este mesmo slogan, seria hipócrita da minha parte não ser simpático ao mantra atual de confiar na maioria.


Mas é preciso ser dito: a maioria nem está sempre certa. Muitas vezes, uma boa parte da maioria é apenas um bando de ovelhas. Não importando se eles se tocam disso ou não (e geralmente eles não o fazem), a maioria dos exemplos de "sabedoria" da maioria são, na realidade levantados a partir da pesquisa e orientação das mais singulares fontes, os temidos especialistas. Como nada menos do que um gênio Albert Einstein disse a famosa frase "O segredo da criatividade é saber como esconder suas fontes."


É preciso ser dito que o ceticismo tão justamente aplicado a certas “autoridades” do mundo dos vinhos (sejam estas autoridades jornalistas, acadêmicos ou figuras da indústria do vinho) seria igualmente bem aplicada a sabedoria da maioria. Antes de investir a sua credulidade na opinião de alguém, vale a pena, em todos os sentidos, olhar um pouco mais de perto a base para suas opiniões e julgamentos.


Que não há tal coisa como o preço certo
. A polêmica atual sobre os preços dos vinhos cru e grand gru 2010 tintos de Bordeaux em premieur é apenas o exemplo mais recente de uma indignação moral recorrente e enraizado na noção equivocada de um "preço justo".

Eu tenho escrito muitas vezes, e nunca lisonjeiramente, sobre as loucuras que atingem os preços dos Bordeaux. No entanto, há muito tempo eu cheguei à conclusão de que não há tal coisa como o "preço justo" para qualquer vinho. E o crescimento dos preços dos crus e grand crus tintos de Bordeaux em premieur comprova isso.


Permitam-me ressaltar que quando os preços da safra 2000 de Bordeaux apareceram pela primeira vez, as pessoas ficaram boquiabertos que os vinhos em premieur custariam US $ 400 por garrafa no varejo. No entanto, quando a safra de 2005 apareceu, estes mesmos varejistas vendiam – e como venderam - uma garrafa no varejo a US $ 600 ou $ 700. Agora, a safra 2010 está em oferta, e os vinhos top serão vendido por mais de US $ 1.000 por garrafa.


"Isso é loucura!" Você diria. Isso é o que as pessoas diziam há 10 anos, há 15 anos e até 20 anos atrás também. Eles diziam o mesmo quando Opus One pediu pela primeira vez (para a sua safra inaugural de 1979) inimagináveis US$ 50 por uma garrafa.


Por isso é precisa ser dito: há muito dinheiro rolando neste mundo. Só porque você (e eu) não temos isso, não significa que outros não. Eles possuem e eles estão dispostos a gastar, felizes! Basta perguntar a qualquer sommelier em qualquer restaurante chique de Monte Carlo até Xangai.


Quando se trata de vinho, o mercado livre estabelece o "preço certo." Todo o resto é apenas, bem, subir de tom. Pergunte aos proprietários dos famosos chateaux de Bordeaux. Eles estão a subir de tom, também, todo o caminho até o banco.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Motivos pra comemorar

Pode parecer meio piegas o post a seguir, mas particularmente eu tenho encontrado motivos para comemoração e felicidade em pequenas coisas de minha vida, que só tem melhorado. Eu estou aqui apenas por dois motivos: para agradecer e compartilhar com vocês leitores minhas últimas conquistas pessoais. Vamos então aos motivos do post.

O primeiro motivo pelo qual escrevo este post aqui é que o blog, em menos de um ano, na verdade em 11 meses, atingiu e passou rapidamente por 10 mil acessos. Para muitos que estarão lendo este pode parecer pouco mas para mim, que a princípio criou o blog como uma diversão e passa tempo quase que pessoal, que ficou quase que este mesmo período sem fazer propaganda e tal, é um número elogiável. E este número vem crescendo bem rápido, sinal de que o esforço e trabalho que eu tenho colocado no blog tem atraido novos e velhos leitores, estou conseguindo criar um espaço democrático para a troca de informações e enfim, estou atingindo muitos outros objetivos que não os iniciais com o blog. Tudo isso motivou nos últimos 2 -3 meses mudanças de lay out, maior número de atualizações e busca incessante por assuntos novos para postar e dividir com as pessoas. Espero que eu continue atingindo cada vez mais pessoas nesta minha empreitada! E é claro que conto com cada leitor, antigo ou não, para a divulgação do blog entre seus meios.


O segundo motivo que eu quero comemorar e dividir com vocês é que finalmente eu consegui me formar no curso de sommellerie para enófilos da escola Ciclo das Vinhas. E na última segunda feira tivemos ainda um belo jantar de confraternização com o pessoal do curso e as professoras, Alexandra Corvo e Ana Paula Montessu. O local escolhido foi o restaurante Ráscal, localizado na Alameda Santos, próximo ao bairro dos Jardins em São Paulo. O atendimento despendido conosco e a atenção por parte de garçons e outros profissionais da casa foi louvável. E videntemente a presença da ilustre Alexandra Corvo pode ter facilitado tudo. A questão é que a possibilidade de dividir a mesa com pessoas tão interessantes, colegas alunos e professores, a prova de vinhos excelentes (cada um trouxe um vinho para o encontro) dentre outras coisas legais, foi muito bacana. Imaginem vocês que em meio a tantos vinhos bacanas, pude ainda provar o incrível EPU 2007, cortesia do colega Thiago!! Nem vou comentar sobre os vinhos por que sinceramente não procurei ficar guardando muito sobre eles, mas deixo com vocês as fotos acima e abaixo mostrando um pouco do que foi o encontro.
Agora é rumar a novas conquistas, com humildade, perseverança e vontade de vencer. Obrigado a todos que me acompanharam até aqui, vocês são em grande parte o motivo de eu continuar em frente. E quando falo a todos, falo de família que me apoiou, namorada que sempre que pode visita o blog e me apóia, amigos, leitores, pessoas que conheci através do mundo da internet e dos eventos e por ai vai.

Até o próximo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aquecimento global está adiantando colheitas na França

Parece realmente que o aquecimento global está pegando mesmo para os viticultores ao redor do globo. Após os produtores de Bordeaux, Borgonha e Champagne alardearem aos quatro ventos que suas colheitas serão as mais cedo de anos, agora é a vez dos produtores do Vale do Loire seguirem o mesmo caminho. Quem nos conta em maiores detalhes é Adam Lechmere do site da Decanter.com. Leiam abaixo:

O Loire é a região mais recente de vinhos a anunciar que sua safra será uma das mais adiantadas já registradas neste ano.

Os viticultores de Bordeaux, Borgonha e Champagne já cancelaram férias e feriados a fim de gerenciar as colheitas que vão começar semanas mais cedo que o normal.


Agora, o corpo de comércio  do Vale do Loire, Vins de Loire, disse que a maturação mais adiantada, condições de seca e temperaturas bem acima das normalmente registradas sazonalmente significa que a colheita começará no final de agosto.

"As condições durante o período de floração foram excelentes", um porta-voz Vins de Loire disse. "Isso começou na área Muscadet em 15 de Maio e na Touraine, no final de Maio -. Umas boas três semanas mais cedo do que a média'.

De acordo com Vins de Loire, as colheitas devem começar na terceira semana de agosto na área Muscadet e no final de agosto em Nantes, áreas de Anjou, Touraine e Saumur,

As uvas Cabernet e Chenin Blanc estão previstas para aguentar até por volta de 10 de Setembro.

O porta-voz acrescentou que os viticultores estavam otimistas sobre a condição das vinhas e da saúde da fruta em si, mas como sempre, as semanas que antecederão a colheita são cruciais.

sábado, 16 de julho de 2011

Jovens enólogas austríacas se despiram para calendário

Parece que a moda pegou pra valer. Depois de algumas aeromoças (Variug/Aeroméxico/etc.), jogadoras de futebol e polo aquático ao redor do mundo resolverem tirar a roupa em prol de suas companhias e/ou times, na época em dificuldades financeiras ou em processo de falência, agora vem esta notícia lá da Austria sobre suas belas enólogas fazendo algo semelhante para angariam fundos para auxílio a todas as vinícolas da região. A notícia foi tirada, traduzida e adaptada por mim do site da revista Decanter.

Um grupo de enólogas austríacas posou com pouca roupa para um novo calendário que promete ser 'sexy, mas não excessivamente erótico.

O Jungwinzerinnen ou o calendário de 2012 das Jovens Enólogas é uma criação da editora Ellen Ledermüller-Reiner, que começou a trabalhar no projeto há nove anos.

"É, realmente ajuda as vinícolas, porque nós temos tanta publicidade a partir do calendário, que é um grande sucesso", disse Reiner Ledermüller a Decanter.com.


"Ele (o calendário) deve atrair a atenção e ser sexy, mas não ser barato ou excessivamente erótico", acrescentou.


As jovens enólogas enfrentaram reações diferentes da família e dos amigos quando lhes disseram que estavam aparecendo no calendário, de acordo com entrevistas com o jornal austríaco Krone.

"Na véspera de Natal eu dei todos na minha família um calendário e disse-lhes que eles precisavam comprar um no próximo ano, porque eu vou estar nele ", disse StefanieSauer, 23 anos, da Weingut Sauer na cidade austríaca de Grossklein.

Houveram alguns desagradáveis minutos de silêncio até que a família deu o seu consentimento, ela disse. "Eu garanti a eles que não estaria nua."


"Meu namorado não estava tão animado com a idéia, mas ele está me apoiando na minha decisão", disse Cornelia Gamser, 18 anos, da Weingut Gamser na cidade de Leutschach.


Cerca de 3.500 cópias foram feitas do calendário, que sai para venda em setembro por 25 €.

Ele pode ser encomendado on-line em www.e-ledermueller.com. 

Uma pena que provavelmente não poderemos ver o resultado final aqui pelos lados da terras brasilis.
Até o próximo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Grandes regiões vinícolas italianas

O Norte

O topo dos Alpes italianos de fronte pra as extensões das planícies do rio Pó cria pequenos bolsões  e micro-climas ao longo do sopé das montanhas que são ligados cada qual ao seu próprio vinho especial. Começando no noroeste do Piemonte, as uvas Nebbiolo formam dois grandes pilares do legado do vinho da Itália : Barolo e Barbaresco, com o nome na tradição francesa referenciando as colinas das aldeias onde os vinhos nasceram. Como na Borgonha, a exclusividade destes vinhos tem muito a ver com a batalha dos enólogos "contra a natureza" e a habilidade extraordinária do vinho de envelhecer. Colheitas raras como as estelares 1985 ou 1990 em Barolo são as queridinhas dos coletores de vinho.

Mais a leste, na região do Veneto, os viticultores seguem uma fórmula antiga, em que o vinho é feito de uvas passificadas em esteiras de palha. Com a sua maior concentração e álcool, o sedoso Amarone é o vinho italiano mais distinto e pode comandar preços recordes para lançamentos recentes. O Veneto, Trentino, Alto Adige, e Friuli-Venezia Giulia são célebres por seus vinhos brancos, tais como o sucesso fenomenal Pinot Grigio. O melhor vinho espumante da Itália é feito em Trentino e na área Franciacorta da Lombardia (conhecido como o "Champagne da Itália"), sob regulamentação rigorosa com uvas Pinot Noir e Chardonnay.

O Centro
Com as suas montanhas ciprestes e belas fazendas encravadas na paisagem, a Toscana é a rainha pin-up da enologia italiana. A paisagem iconica da região tem ajudado a promover a imagem do vinho italiano no exterior, como nenhuma outra. Dentro das fronteiras da Toscana existe um tesouro de excelentes vinhos: Chianti Classico, Brunello di Montalcino, Vino Nobile di Montepulciano, brancos de San Gimignano e os tintos de Maremma e Bolgheri. A revolução italiana do vinho começou aqui quando os produtores históricos como Piero Antinori trabalhavam fora dos regulamentos  das denominações de origem para fazer vinhos misturados com variedades internacionais, como Cabernet Sauvignon. Estes vinhos são conhecidos como Super Toscanos e são considerados pareados com os top crus de Bordeaux e na Califórnia.

A região central da Itália oferece muito mais vinhos emocionantes, como o Sagrantino da cidade de Úmbria de Montefalco, o denso e escuro Montepulciano de Abruzzo, e o branco Verdicchio de Le Marche.

O Sul e as Ilhas italianas

As regiões do sul da Itália e a ilha da Sicília, em particular, são consideradas como fronteiras enológicas da Itália: uma regulamentação mais flexível e o aumento da experimentação criaram a promessa de um futuro brilhante para viticultores e investidores. De muitas maneiras o sul da Itália é uma região vinícola considerada "novo mundo" trancada dentro dos limites da realidade de um "velho mundo". Esta dualidade única tem muitas apostas em sua promessa enológica.

A Campania ostenta brancos maravilhosas, como Fiano e Greco di Tufo  que incorporam características mineralis frascas dos solos vulcânicos. Seu tinto emblemático é o Taurasi ("o Barolo do sul") feito a partir de uvas Aglianico. Esta mesma uva faz o muito alardeado Aglianico del Vulture na Basilicata. A Puglia, o "salto" da bota, foi principalmente um produtor de vinho a granel mas se mantém até hoje entre as próprias regiões vinícolas nascentes com a sua potentes uvas Primitivo e Negroamaro.

A Sicília tem mostrado habilidade de marketing para trazer a atenção da mídia para suas uvas nativas, como o Nero d'Avola (tinta) e Grillo (um branco, uma vez utilizada na produção de vinho fortificado Marsala) e tem feito um grande trabalho de promoção do sul de Itália em geral. Alguns dos vinhos de sobremesa mais sensuais da Europa vêm de ilhas satélite da Sicília, tal como o melado Passito di Pantelleria. Outra grande ilha do Mediterrâneo é a Sardenha, que está constantemente trabalhando em suas uvas Cannonau e Vermentino para elevar seu nível de qualidade.

A medida que você degusta através de várias regiões da Itália que você virá a compreender o dicionário do vinho italiano e que faz de cada região e a variedade de uvas autóctones, tão especial.

Traduzido e adaptado da página da Wine Enthusiast.

E assim encerramos os posts relacionados a Itália. Espero que tenham gostado pois eu mal posso esperar para começar a próxima série de posts. 

Até lá.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Itália: Fatos e Termos relacionados ao vinho

A pouco tempo atrás eu fiz alguns posts sobre a Nova Zelândia (I e II) e sobre Portugal (I , II ,III e IV) descrevendo um pouco sobre as características do país, principais regiões e assim por diante. Seguindo este modelo, resolvi falar sobre um país que me causa grande adimiração e se tornou quase que um "sonho de consumo" no quesito país vinícola que eu quero visitar. Utilizando um texto que li na revista Wine Enthusiast e de aulas que eu tive, pretendo criar alguns poucos posts (provavelmente dois) sobre o país. Neste primeiro post, falarei um pouco da história vitivinícola da Itália ao longo do tempo. Espero que gostem.

Nos tempos antigos, a península italiana era comumente referido como Enotria, ou "terra do vinho", devido à sua rica diversidade de variedades de uva e muitos hectares dedicados às vinhas cultivadas. Em mais de uma maneira, a Itália tornou-se um viveiro gigante e um centro comercial casualmente posicionado no coração do Mediterrâneo para o que se tornaria o primeiro produto "globalmente" comercializado por uma civilização ocidental: o vinho.

A proeminência da Itália na indústria mundial de vinho em nada diminuiu apesar de milênios de história. A Península Norte-Sul banhada pelo sol, que se estende desde o trigésimo sexto  até o quadragésimo sexto paralelo engloba bolsões de perfeição geográfica, geológica e climática entre o Alto Adige e a ilha de Pantelleria para a produção de vinhos de qualidade. A tradição italiana é tão intimamente enxertada na videira que o bom humor e atitudes fáceis associados à cultura do vinho são espelhados no temperamento da nação.

A Revolução do vinho italiano

Apesar da longa afinidade da Itália com a vitis vinifera, a indústria italiana de vinho experimentou um renascimento revigorante ao longo das últimas três décadas que verdadeiramente o distingue de outras nações européias produtoras de vinho. Novatos do mundo do vinho podem ainda recordar Valpolicellas aguados ou Chiantis Classicos embalados naquela garrafa ovalada envolvida por palha, ou ainda os vinhos genéricos "branco" e "tinto" da Corvo de Sicília. Vinhos como estes cimentaram a reputação da Itália como um produtor de vinhos em quantidade (em oposição à qualidade, como na França) vendidos a preços atrativos. Mas como a Itália ganhou confiança durante os prósperos anos pós-guerra nas áreas de design, moda e gastronomia, demonstrou renovada atenção ao vinho. Graças a um pequeno grupo de viticultores principalmente na Toscana, a Itália lançou-se com determinação agressiva no palco mundial como produtor de alguns dos melhores vinhos já produzidos em qualquer lugar: Amarone, Barolo, Bunello di Montalcino, e Passito di Pantelleria. Informações e experiências vinícolas italianas se encontram agora entre as mais cobiçadas do mundo.

Como uma epidemia feliz, viticultura e técnicas enológicas modernas varreram a península italiana durante os anos de 1980 e 1990: forma de condução de espaldeira nas vinhas; aço inoxidável com temperatura controlada, fermentação e envelhecimento em barricas de carvalho, e assim por diante. Como os lucros aumentaram, os produtores reinvestiram em tecnologia, pessoal, e consultores a altos preços e uma revolução do vinho italiano moderno, de repente aconteceu.

Termos vinícolas italianos

Tal como está, a Itália é o segundo maior produtor mundial de vinho depois da França (não consegui a certeza de que a Itália passou a ser a primeira em produção atualmente). 

Todo ano, um em cada cinqüenta italianos está envolvido com a colheita de uvas. E como a França, a Itália adotou um sistema de denominação controlada rigoroso que impõe rígidos controles de qualidade com os regulamentos que regem vinhedos, os rendimentos por hectare e práticas de envelhecimento entre outras coisas. Existem mais de 300 vinhos DOC (Denominazioni di Origine Controllata ) e DOCG (Denominazioni di Origine Controllata e Garantita) hoje, e as classificações aumentaram para mais de 500 quando os vinhos IGT (Indicazioni Geografica Tipica) são computados. Graças a este sistema, 50000 adegas da Itália desfrutam de uma vantagem competitiva quando se trata da produção e venda de vinhos de qualidade. Estes termos vinícolas italianos permitem aos consumidores compreender os vários níveis de designação para que eles possam tomar decisões de compra.

As uvas para os vinho italianos

Curiosamente, há em curso uma segunda revolução vinícola que promete desbloquear o potencial unicamente associado com a Itália. É a re-avaliação e celebração do rico patrimonio da Itália de uvas "autóctones". (como algumas variedades originaram-se realmente fora da Itália, os produtores muitas vezes se referem a eles como "tradicionais" ao invés). Tais uvas - como Nero d'Avola, Fiano, Sagrantino e Teroldego - só podem ser oferecidas pela Enotria moderna aos consumidores do mundo. Como resultado, um número crescente de viticultores de vinte regiões vinícolas da Itália estão apostando nas "variedades "tradicionais" para distinguir-se em um mercado dominado por variedades "internacionais" como Merlot, Cabernet Sauvignon, e Chardonnay.

Vou ficando por aqui neste post para que o mesmo não fique muito comprido e cansativo. No próximo, falarei brevemente das regiões vinícolas da Itália. Até lá!