sexta-feira, 17 de junho de 2011

O que esperar da safra 2011 na América do Sul?

Estes dias atrás estive lendo um breve report da Wine Spectator sobre como foi a safra 2011 e o que esperar dos vinhos nos países considerados novo mundo, e resolvi destacar aqui em meu blog alguns pontos interessantes. Neste primeiro post destaco o report feito sobre a Argentina, numa tradução livre do artigo. Se tiverem interesse, acessem o site oficial da revista (www.winespectator.com) e leiam a reportagem original, na seção wine news. Esta parte da matéria tem créditos de Nathan Wesley.

Vinhedos nos EUA e Europa estão começando a florescer, mas já existe mosto fermentando nos tanques mais ao sul, no hemisfério sul mais precisamente. A temporada 2010-2011 de crescimento das uvas foi fresca e nublada na América do Sul. Uma geada precoce reduziu os rendimentos na Argentina, e o tempo chuvoso fez de Fevereiro, um mês estressante. Do outro lado da Cordilheira dos Andes, enólogos chilenos só esperavam que as uvas pudessem aguentar nas vinhas tempo suficiente para seu amadurecimento. Aqui segue um preview da safra que vem por ai:

Argentina


Uma geada precoce muito severa em Mendoza, região vinícola líder da Argentina, deu o tom para uma safra 2011 desafiadora para os enólogos, que também tiveram de enfrentar períodos de ventos fortes, granizo, seca e chuva pesada.


Temperaturas baixas durante toda a estação retardaram a maturação das uvas, mas um verão Indiano amadureceu as uvas momentos antes da colheita. Os vinicultores estão esperando vinhos com estilo elegante, com níveis de acidez maiores do que o habitual.

"Os níveis de álcool estão entre 0,1 e 0,2 por cento superior ao normal", disse Luis Reginato, diretor da Bodega Catena Zapata. "A razão para isso é que tivemos os meses de março e abril extra-secos. O que é notável é a alta acidez em 2011 em comparação com safras normais."


Achával Santiago, presidente da Achával-Ferrer, disse que a geada precoce, que atingiu a segunda semana de novembro, foi a pior do tipo desde 1992 e causou a perda de flores nas vinhas e as fez experimentar frutos pobres. O dano foi intermitente, com a Mendoza Ocidental e o Vale do Uco, ao sul, sendo os mais atingidos.


Segundo Laura Catena, presidente da Catena Zapata, o gelo poupou o vinhedo La Pirâmide em Agrelo, enquanto o vinhedo Angélica Sur localizado no Valle de Uco perdeu o fruto em 288 de seus 360 hectares. José Manuel Ortega, dono da Bodegas y Viñedos de O. Fournier no Vale do Uco, disse que perdeu colheita em 60 por cento de seus 312 hectares de vinhedos.


Após a geada, o clima frio e seco persistiu até fevereiro, com as condições de seca exacerbada por um inverno seco em 2010, o que significou degelo limitado para a irrigação. A chuva finalmente chegou ao final de fevereiro, mas em seguida continuou até a primeira semana de março. Alguns viticultores estavam prevendo um fracasso. Felizmente o tempo finalmente melhorou, com abundância de dias ensolarados com duração até abril.


"Na verdade, este poderia ser um ano excepcional para toda Mendoza. Os rendimentos foram naturalmente reduzidos pela geada de novembro ", disse Achával, que diz também que em seus vinhedos foram necessárias menos colheitas verdes que o usual.

No norte da província de Salta, o enólogo Randle Johnson da Bodega Colomé disse que houve clima quente de novembro a janeiro, mas, "em Fevereiro, os céus se abriram e quase não havia um dia ensolarado. Uma grande quantidade de chuva de um lado a o outro do vale”. Johnson disse que a Bodega Colomé recebeu de 12 a 14 polegadas de chuva, quase o triplo da quantidade normal.
Granizo também atingiu vinhedos de altitude, prejudicando ambos folhas e frutos. Salta também se beneficiou de um verão indiano, mas as vinícolas tiveram que analisar cuidadosamente as uvas colhidas para manter a qualidade.

Na região sul da Patagônia, Piero Incisa della Rocchetta, que produz um dos mais bem cotados Pinot Noir engarrafados no país em sua propriedade, a Bodega Chacra, relatou condições de verão leve seguido por um clima mais quente levando a colheita. "No geral, para a variedade Pinot, foi uma grande safra", disse ele. "Nosso amadurecimento foi bom, sem pragas ou outros problemas na vinha. Nossos níveis de pH são elevados e álcool um pouco mais baixo, mas ainda superior à da safra anterior".

No próximo post tratarei das espectativas para a colheita no Chile.
Até lá!

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