quarta-feira, 21 de maio de 2014

1o Cantu Day São Paulo: Um portfólio de respeito

Ontem, dia 20 de maio, mais um belo evento de vinhos agitou a cidade de São Paulo, já muito bagunçada e agitada em virtude de greves e manifestações. Deixando de lado os problemas e percalços enfrentados, a Cantu Importadora abriu as portas de seu depósito na Vila Leopoldina para apresentar seu vasto portfólio, onde ainda contaram com a participação de alguns produtores de diversas regiões vitivinícolas mais importantes do mundo. Uma oportunidade e tanto de conhecer vinhos que provavelmente não o faria em outras ocasiões. Além disso, em uma ação junto a sua força de vendas, a Cantu Importadora também apresentou seu site B2B para que seus clientes tenham mais facilidade para a compra de seus produtos.


Foram apresentados mais de 130 rótulos de regiões vinícolas tais como: Argentina, Chile, Alemanha, África do Sul, Brasil, Espanha, Portugal, França, Itália e Uruguai. O local fora dividido em duas áreas maiores, onde logo junto a entrada tínhamos o "Espaço Clássicos", que contava com os expositores de vinhos do velho mundo, e o "Espaço América", que contava basicamente com os vinhos da América do Sul e vinhos espumantes em geral. Em um evento desta magnitude e com um portfólio extenso como este, fica até difícil separar poucos vinhos para falarmos detalhadamente sobre eles. Mas de uma maneira geral, existiam vinhos para todos os bolsos e gostos. Para mim, no entanto, o grande destaque se deu com a Itália e França.


Começando a falar um pouco da Itália então, primeiro com os vinhos da Toscana. Aqui o produtor Folonari mostrou suas "armas" para o mercado nacional com um belo supertoscano de entrada, o Santa Martina Tinto, corte de Merlot com Sangiovese que é bem leve, fresco e extremamente frutado além de ser muito fácil de beber. Outro supertoscano que chamou a atenção e me lembrou de minha lua de mel na Itália foi o Campo Al Mare Bolgheri, um belo corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot mais "sisudo" porém guloso e extremamente gastronômico. Passando agora para o produtor I Giusti & Zanza encontramos também dois supertoscanos de história curiosa: seus nomes remetem a personagens da ópera que narra a paixão de um plebeu (Nemorino) por uma jovem da nobreza (Dulcamara) e toda a epopéia em busca do "Elixir do Amor". Enfim, Nemorino e Dulcamara (Sangiovese & Merlot / Cabernet Sauvignon & Petit Verdot respectivamente) são belos vinhos, de uma gama intermediária  mas que também sugerem uma boa comida num almoço de domingo com a mama. Nos deslocando mais ao norte eis que chegamos a região do Piemonte e seus longevos vinhos. Aqui o destaque vai para a produtora Rivetto e seus vinhos: um Dolceto D'Alba incrivelmente saboroso, alegre e um Barolo Riserva 2004 de se tomar de joelhos, muito calmamente, pois estava no decanter já a 3 horas e ainda estava se abrindo. E por fim, se é que isso é possível de se dizer, já na região do Vêneto, o destaque foi para o produtor Montresor e seu belíssimo Amarone cujas uvas passam pelo processo de apassimento (secagem) por até 3 meses, perdendo cerca de 50% do seu volume. Um vinho denso, complexo, instigante e que requer também uma boa dose de tempo pra se tomar.


Hora de pegarmos o avião e seguirmos rumo a França e seus belos caldos. E por coincidência, todos meus destaques ficaram para os lados da Borgonha. Primeiro, do produtor LGCF temos o Pasquier Desvignes Chablis, muito mineral com fósforo em harmonia com fruta madura, gordo em boca e suculento com um final longo e delicioso. Depois, mais um branco só que desta vez do Château De Santenay, o  Château De Santenay Hautes-Côtes de Beaune Clos de La Chaise Dieu, outro grande representante da Borgonha que estagia por 10 meses sur-lie e apresenta um belo corpo, acidez viva e sabores e aromas difíceis de descrever. Para finalizar nosso tour pela França vem um belo tinto,  o Nuits Saint-Georges (que te o mesmo nome da apelação aonde é produzido) do Domaine Michel Noellat e Fils, um vinho tinto classudo que passa mais de ano em barricas de carvalho, mantendo toda sua elegância com aromas de frutos vermelhos e cedro além de um ter um bom corpo, acidez na medida e um final quase mastigável. 

Sem dúvidas os vinhos aqui listados são poucos em comparação ao apresentado no evento, mas para não me tornar retórico e chato, resolvi resumir o que vi e gostei a estes aqui. Vale ressaltar que o evento foi muito bacana, organizado e ainda contava com uma mesa onde era servidas pizzas das mais variadas assadas na hora, uma tentação. Sem dúvidas de alto nível. Aguardemos novas edições.

Até o próximo!

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