quinta-feira, 31 de julho de 2014

Decoy Sonoma County Zinfandel 2011: Um belo vinho americano na taça

Mais um dia de falar de uma de minhas uvas preferidas por aqui, a Zinfandel. E olha que os vinhos feitos com esta uva são normalmente do tipo ame ou odeie. Obviamente sou da primeira vertente. A maioria das pessoas que entendem de vinho, com razão, criticam os vinhos feitos a partir da Zinfandel pois muitos são muito simples, planos, sem complexidade, extraídos excessivamente e muitas vezes enjoativos (principalmente pela falta de acidez característica) além é claro dos preços um pouco salgados para os consumidores brasileiros. Eu, por sua vez, tendo sorte de poder assinar o clube de vinhos da importadora SmartBuyWines, tenho a oportunidade de ter contato com muitos vinhos feitos a partir desta casta e gosto da maioria. Enfim, o vinho de hoje é o Decoy Sonoma County Zinfandel 2011.


O Decoy Sonoma County Zinfandel 2011 é produzido pela Decoy Winery, parte do grupo americano Duckhorn. O grupo Duckhorn é composto por 4 vinícolas: Duckhorn, Paraduxx, Decoy e Migration. A experiência do time de enólogos da Paradux, que tem feito blends de Zinfandel de alta qualidade em Napa desde 1994, ajudou a Duckhorn a produzir o Decoy Zinfandel e a explorar a robusta uva Zinfandel como um varietal puro. A Decoy Winery tem obtido lugar de destaque junto ao grupo por seu estilo distinto, que enfatiza vinhos prontos (desde a liberação ao mercado) que são capazes de expressar o seu encanto e complexidade em sua juventude.

Já sobre o Decoy Sonoma County Zinfandel 2011 propriamente dito, é um varietal elaborado com 100% de uvas Zinfandel oriundas da AVA Sonoma County que passa por envelhecimento em barricas de caravalho por 12 meses(90% carvalho francês e 10% americano) sendo que destes, 35% de primeiro uso e 65% de segundo uso. Tem 13,9% de álcool. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, moderadamente rápidas e coloridas também completavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, toques de especiarias e baunilha. 

Na boca o vinho se mostrou encorpado, com uma boa acidez e taninos sedosos e macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Mais um belo vinho apresentado pela SmartBuy Wines. Não é barato, mas satisfaz minha paixão. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Araldica Piemonte Barbera DOC 2007: A hora e a vez do Piemonte na taça

A Itália é um sonho de consumo desde que comecei a me interessar por vinhos, e depois de minha viagem a Toscana em Abril de 2013, outros pedacinhos do céu, ou melhor, outras regiões vitivinícolas de lá só fazem povoar minhas listas de viagens ideais. Mas como ainda não foi possível passear por lá novamente, vamos fazendo nossa litragem nos vinhos de lá. E o vinho da vez, escalado para esta missão, foi o Araldica Piemonte Barbera DOC 2007.


O grupo de empresas Araldica, que abriga a empresa produtora do vinho em questão, é uma força importante na viticultura, produção e distribuição de vinhos com base na região do Piemonte, no noroeste da Itália. Graças à combinação de uma atitude moderna para produção e comercialização de vinhos mas com o compromisso de produzir vinhos que são a cara do Piemonte, o grupo goza de crescente sucesso internacional. Sua história data desde de 1954 quando um grupo de viticultores plantou a semente do que viria a tornar-se uma árvore majestosa. Desde então, muitos percalços foram superados e o grupo só experimentou crescimento.

Já sobre o vinho em questão, o Araldica Piemonte Barbera DOC 2007, as informações disponíveis não são muitas mas vamos à elas: feito com 100% de uvas Barbera da região do Piemonte, sem informações sobre envelhecimento em carvalho ou alguma outra curiosidade. Vamos às impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração rubi com tendência granada, boa transparência e algum brilho. Lágrimas finas, rápidas e incolores preenchiam a taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques minerais.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos e suaves. Retrogosto confirma o olfato num final de média duração.

Um bom vinho italiano, honesto e bem gastronômico. Deve ir bem com massas com molho vermelho, bolonhesas e afins. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Greystone Cellars Cabernet Sauvignon 2012: Califórnia na taça!

Eu sou muito suspeito para falar sobre vinhos americanos por uma série de fatores, mas pelo bem do texto, irei me prender ao fato de que o salta qualitativo que eles tiveram nos últimos anos e a força que as uvas Cabernet Sauvignon e Zinfandel tem mostrado por lá. E por este motivo, sempre que posso e que tenho tais vinhos em minha adega não hesito muito em tira-los de minha adega e coloca-los em minha mesa. E o escolhido "da rodada" foi o Greystone Cellars Cabernet Sauvignon 2012.


O vinho é produzido pela Vinícola Markham Vineyards cuja história é bem curiosa. Quando pensamos em Bordeaux, automaticamente pensamos em vinhos. Mas, ao invés disso, o imigrante bordalês Jean Laurent veio para a Califórnia em 1852 para buscar o ouro. Entretanto, por meandros da vida, construiu sua primeira adega em 1874, dotada de uma modesta estrutura de madeira. O negócio era bom e em 1879 ele construiu o porão de pedra que é o coração da vinícola atual. Laurent foi um dos maiores produtores do boom de vinho da Califórnia dos anos 1880. Naqueles dias, os vinhos eram vendidos a granel e transportados de trem para a costa leste. Depois da morte de Laurent em 1890, a vinícola continuou operando sob uma sucessão de proprietários. É ai que entra na estória Bruce Markham. Ele chegou ao Napa Valley quase 100 anos mais tarde, também pensando em começar uma vinícola. Ele comprou vinhedos em Yountville, Oak Knoll e Calistoga além de, é claro, a antiga adega Laurent, que operava como uma cooperativa na época. Em 1978, ele fundou a Markham Vineyards e a antiga adega Laurent renasceu. Em 1988, a antiga Vinícola Laurent mais uma vez levantou-se como uma Phoenix para assumir outra vida nova. A vinícola foi vendida para a Mercian Corporation e começou um ambicioso programa de quatro anos, vários milhões de dólares em renovação, ampliação e de replantio de vinhas. Tais esforços transformaram a Markham Vineyards em uma das mais avançados e impressionantes instalações de vinificação no país.

Sobre o Greystone Cellars Cabernet Sauvignon 2012, segundo pude apurar, tem 76% de uvas Cabernet Sauvignon e o restante complementados por Barbera, Malbec, Grenache e Tempranillo. Passa por envelhecimento em barricas de carvalho francês e americano embora não tenho o tempo preciso. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresenta uma coloração violácea de média para grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e bem coloridas também compõem o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos bem maduros, alcaçuz, especiarias doces e baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

O que eu posso dizer se não que é mais um ótimo vinho vindo dos EUA e que só mostra a seriedade de um trabalho bem feito. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Aydie L'Origine Madiran 2009: Uma viagem ao berço da Tannat!

Ainda falando da degustação Noites Portuguesas promovida pela Vinhos de Bicicleta em São José dos Campos, uma das partes importantes de tudo isso é ainda poder conviver com pessoas diferentes, apaixonadas por vinhos e que sempre nos ensinam mais e mais. E foi assim que, junto a um casal que lá estava, acabei por degustar o Aydie L'Origine Madiran 2009, produzido pelo Château d'Aydie.


O Château d'Aydie, de propriedade da família Laplace, é amplamente reconhecido como um dos principais produtores de Madiran. Frédéric Laplace, que herdou do negócio da família, que remonta a 1759, assumiu o comando da propriedade e se tornou um produtor pioneiro da região ao engarrafar e vender o seu vinho Madiran sob seu próprio nome no rótulo, quando a denominação foi criada pela primeira vez em 1948. Localizado em no coração da Gasconha no Sudoeste da França, Madiran, junto com Cahors, é um dos famosos "vinhos de negros" da França: profundos, escuros, longevos e que incorporam micro-oxigenação. A principal uva dos vinhos tintos regionais é a Tannat, mas o Château também combina em pequenas proporções de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon para alguns de seus vinhos, acrescentando complexidade e equilíbrio.

Falando um pouco sobre o Aydie L'Origine Madiran 2009, temos um vinho que é corte de 70% de Tannat com 30% de Cabernet Franc. Cerca de 20% do vinho passa por 12 meses de envelhecimento em carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de média intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas também compunham o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de com aromas de frutas vermelhas, notas florais, especiarias e baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, taninos macios e aveludados e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa duração.

Diferentemente do que poderia esperar, um vinho com predominância da Tannat macio e fácil de beber, agradável e que mesmo sendo degustado ao final de uma degustação de grandes vinhos, agradou em cheio, fechando com chave de ouro. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012: Um brinde português!

O sucesso tem como definição uma consequência favorável, um resultado bom, um acontecimento favorável, enfim, quando algo planejado sai como esperado ou excede as expectativas. O sucesso também tem sido motivo de brindes ao longo do tempo e o vinho que irei falar hoje nasceu de uma ocasião de sucesso. Lembram que a alguns dias atrás postei sobre uma degustação de vinhos portugueses que tive a oportunidade de participar na loja Vinhos de Bicicleta de São José dos Campos (relembrem aqui)? Então, devido ao grande sucesso que o evento foi (praticamente esgotado em seus dois dias), o proprietário da loja, Rodrigo Ronconi Ferraz, sacou o Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012 e ao final do evento propôs um brinde para celebrar.


A Vinícola Venâncio da Costa Lima, produtora do Venâncio Costa Lima Vale Pereiro Tinto 2012, é uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. É produtora de vinhos de mesa, Vinhos Certificados (Regional Península de Setúbal e DO Palmela) e Moscatel de Setúbal, tendo inclusive sido reconhecida recentemente como produtor do Melhor Moscatel do Mundo (Muscats du Monde 2011). Sobre o vinho, um corte de 80% de Aragonês e 20% de Castelão com estágio em madeira que lhe confere maior estrutura e complexidade. Atinge 13% de graduação alcoólica. Vamos às impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor rubi violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas também faziam parte do conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, baunilha e toques florais. 

Na boca o vinho apresentou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato e o final é de longa e saborosa duração.

Mais um bom vinho português que provo por aqui, fechou com chave de ouro uma noite bem bacana. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Quinta de Alderiz Alvarinho 2011: Continuando em Terras Portuguesas!

Eu tenho em casa a melhor cozinheira do mundo. Não é brincadeira. Ela pensa sempre em mim, no tipo de comida que eu gosto e sempre que estou em casa ela faz pratos sensacionais, dos mais simples aos mais elaborados. O único requisito é: eu devo escolher o vinho pra combinar com o prato. Com o maior prazer! E em um destes finais de semana ela preparou um filé de Truta sobre cama de cebolas e com alcaparras por cima. Simples porém extremamente saboroso. E qual foi o vinho que escolhi? Este aí que está no título do post, o Quinta de Alderiz Alvarinho 2011.


O Quinta de Alderiz Alvarinho 2011 é produzido pela Sociedade Agrícola da Casa Pinheiro ou, simplesmente, o nome fantasia de Quinta do Alderiz. A vinícola está situada no coração do Alto-Minho, mais propriamente na região de Pias, sub-região vitivinícola de Monção em Portugal, com uma área total de 12 hectares de vinha continua. As vinhas, com uma idade media de 25 anos, estão plantadas em solo de origem granítico-argiloso e se beneficiam de um micro-clima excepcional. Esta região normalmente está mais associada aos vinhos verdes, mas também produz alguns varietais brancos muito frescos e que eu particularmente gosto de associar ao consumo de frutos do mar e peixes em geral. Foi fundada em 1987 pelos filhos de Joaquim Alfredo Esteves Pinheiro, eterno defensor da casta Alvarinho. Em 1988, sob a gestão de José Pinheiro, foi lançado no mercado o primeiro varietal de Alvarinho "Quinta de Alderiz" e desde então, todos os anos, é apresentado o "Quinta de Alderiz".

Falemos então sobre o vinho. É um varietal 100% Alvarinho de vinhas com idade média de 25 anos com produção de cerca de 40 mil garrafas/safra. Não passa por envelhecimento em carvalho. Tem teor alcoólico de 13%. Foi elaborado pelo competente enólogo João Garrido, uma das melhores referências enológicas da região do Vinho Verde. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou amarelo palha com reflexos esverdeados, bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores completavam o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas tropicais, cítricas e toques florais. 

Na boca o vinho tinha corpo médio e acidez deliciosamente refrescante. O retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Mais um bom vinho apresentado pelo clube de vinhos da Winelands. Combinou divinamente com o prato de truta. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 22 de julho de 2014

Vinhos de Bicicleta apresentou: Noites Portuguesas!

Na noite do último dia 17 de julho, tive a oportunidade de participar de uma degustação pra lá de especial na loja Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos no interior do estado de São Paulo. Desta vez, o pessoal da Vinhos de Bicicleta receberia em seu espaço, um simpático casal de portugueses que desde quando vieram de Portugal, buscaram trabalhar com suas origens e montaram por aqui uma importadora de vinhos. Esses profissionais do mundo do vinho iriam conduzir uma degustação especial de rótulos lusitanos de alto padrão. Os vinhos selecionados são verdadeiras raridades no Brasil e expressam as diferentes faces do sul de Portugal. A harmonização fora feita com comidas portuguesas típicas, especialmente preparadas pela talentosíssima chef de cozinha, Adriana Rebouças.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


O primeiro vinho da noite foi o Casal do Cerrado Tinto 2012, vinho este produzido pela Vinícola Venâncio da Costa Lima, uma das adegas mais antigas da região de Palmela, em Portugal, com início das atividades ainda em 1914. Sendo um negócio familiar, esta adega já estas nas mãos da quarta geração. Seu fundador, Venâncio da Costa Lima, nasceu em 1892 , na povoação de Quinta do Anjo e em 1914 fundou a Casa Agrícola de mesmo nome. Durante a sua vida, tornou-se pessoa muito considerada e estimada na região, ocupando inclusive a posição de prefeito de Palmela. O vinho em questão é um corte de 80% Castelão e 20% Aragonez da região de Península de Setúbal, mas ao sul de Portugal e sem passagem por madeira. Sendo assim se mostrou um vinho jovem, fácil de beber, de coloração violácea e aromas de frutos vermelhos bem maduros, corpo médio e boa acidez. Um excelente vinho para o dia a dia. Este vinho foi harmonizado com uma releitura de uma torta típica portuguesa, que recebe presunto, cebola, ervilhas e ovo cozido em seu recheio. Começávamos a noite de maneira bacana.


O segundo vinho mostrado foi o Vidigueira Tinto, vinho este produzido pela Adega Cooperativa da Vidigueira, na região do Alentejo, em Portugal. A vinícola iniciou a sua atividade em 1963, porém a sua história vai muito além dos seus 50 anos de existência, tendo antigas raízes que se entrelaçam com a história da própria Vila da Vidigueira e da história da família dos Gama. Tanto é assim que o vinho faz parte de uma trilogia (Atos I, II e este, o III) que representam passagens das histórias dos navegantes portugueses e as rotas para as Índias. Pois bem, este vinho é um corte de Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, porém desta vez com estágio em carvalho. Já se apresenta com uma coloração rubi com tendências granada, aromas de frutos vermelhos, especiarias e toques de baunilha. Na boca possui corpo médio para encorpado, taninos redondos e uma boa acidez. Tem um final de média para longa duração. Eu diria que está no mesmo nível do primeiro porém um pouco mais complexo. Desta vez a harmonização se deu com um espeto de azeitona recheada e presunto cru. Delicioso!


O terceiro vinho da noite foi o Herdade da Figueirinha Reserva 2011, desta vez produzido pela Vinícola Monte Novo e Figueirinha, novamente na região do Alentejo, em Portugal. Foi fundada em 1998 e tem uma área de 300 hectares de terra plana e boa qualidade, perto de S. Brissos, a cerca de 5 km de Beja, no Alentejo, a região sul de Portugal. O Herdade da Figueirinha Reserva 2011 é um vinho Regional Alentejano produzido a partir das castas Trincadeira, Aragonêz, Alicante Bouschet, Syrah e Cabernet Sauvignon com passagem por carvalho. Possui coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e pouca transparência. Aromas de frutos vermelhos em compota, pimenta e baunilha. Taninos presentes, macios, bom corpo e acidez refrescante. Continuávamos a subir o patamar dos vinhos apresentados. Harmonizado com salada de bacalhau e batatas, foi bem.


E chegávamos ao ápice da noite, o Fonte Mouro Reserva 2004, da mesma vinícola do vinho acima. Outro vinho Regional Alentejano, produzido a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonêz, Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon com estágio em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses. Detalhe: o vinho ficou respirando por cerca de uma hora em decanter antes da prova. Um vinho de coloração rubi com tendência granada e aromas que remetem a frutos escuros maduros, especiarias, notas de flores toques de baunilha. Em boca se mostrou encorpado e opulento, taninos já amaciados com o tempo e acidez ainda viva. Retrogosto confirma tudo até aqui descrito com um belo e longo final. Um baita vinho! Foi harmonizado com, opa, nem me lembro direito pois ele por si só já era um deleite!

Ao final a noite, também era hora de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento. Era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. E com alguns brindes em outros vinhos que relatarei depois, no tempo adequado, saímos com a sensação de quero mais. Se estiverem em São José dos Campos e ainda não conhecem a Vinhos de Bicicleta, recomendo que o façam.
Até o próximo!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Stambolovo Merlot 2007: vinho búlgaro x vinho brasileiro

Em meu último post comentei sobre um vinho lançamento da Vinícola Salton (relembrem aqui). E pouco tempo depois acabei por ter a chance de beber um outro vinho feito da mesma uva, no caso a Merlot, e resolvi postá-lo aqui em seguida numa forma de compará-los. Hoje falaremos do Stambolovo Merlot 2007, vinho oriundo da Bulgária (terra de parte de meus antepassados) e que me inspira ainda hoje curiosidade. Vamos ver o que pude descobrir.


O vinho é produzido pela Vinícola Stambolovo, que tem as suas vinhas e instalações situadas no sul da Bulgária, em estreita proximidade com as fronteiras com a Grécia e a Turquia. A região é de importância geográfica chave. O caminho mais curto da Europa para a Ásia e Ásia Menor passa por estas terras. Muito provavelmente esse foi o caminho pelo qual as primeiras videiras foram trazidas para o que é hoje o território da Bulgária. Com uma história de quase 80 anos no negócio, atualmente a vinícola está entre os principais produtores de vinho na Bulgária. Devido às características benéficas climáticas e terroir da região, bem como com a qualidade e tradição comprovada pelo tempo, hoje a marca Stambolovo é considerado pela maioria dos profissionais de negócios de vinho, a vinícola com os melhores, da mais alta qualidade e mais típicos vinhos Merlot na Bulgária.

Já sobre o vinho em questão, o Stambolovo Merlot 2007, podemos dizer que o mesmo é feito a partir de uvas Merlot de uma micro-região controlada no sul da Bulgária e que depois amadurece em barricas de carvalho por 6 meses e por mais 6 meses em garrafa antes de ser liberado ao mercado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou cor rubi fechada tendendo ao granada e um fino halo aquoso. Lágrimas finas, rápidas e incolores também complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros e especiarias com toques tostados.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos finos e macios. Retrogosto confirma o olfato num final de média duração.

Um vinho no mínimo diferente, evoluído e que agrada paladares um pouco mais exigentes e acostumados com o mundo do vinho em clara diferença ao vinho anterior, mais frutado e encorpado. Vale conhecer e provar. Eu recomendo um tempo de aeração prévio ao consumo.

Até o próximo!

sábado, 19 de julho de 2014

Salton Paradoxo Merlot 2012: Nova aposta da Vinícola Salton

No último Winebar realizado em conjunto com a Vinícola Salton, ainda em épocas pré Copa do Mundo, tivemos a oportunidade de provar mais alguns lançamentos deles para o mercado nacional. E foi daí que surgiu a chance de provar o Salton Paradoxo Merlot 2012. E este vinho se encaixa naquele velho mantra da boa relação entre custo e benefício que nós enófilos brasucas sempre estamos dispostos a garimpar. O que achamos sobre ele?


Sobre a Vinícola Salton já cansamos de falar por aqui e por isso irei poupá-los de mais amolação e repetição de histórias ok? Vamos ao vinho, que é o que interessa. Segundo o enólogo responsável pelo Salton Paradoxo Merlot, as uvas utilizadas (100% Merlot) na produção do mesmo vem da Campanha Gaúcha, região esta que inclusive tem ganhado reconhecimento de maneira bem rápida aqui dentre os nosso terroirs em virtude da qualidade das uvas (e consequentemente dos vinhos) que de lá tem saído. A Vinícola Salton inclusive tem investido pesado por lá e espera que o retorno se mantenha da maneira como tem tido hoje. O vinho, depois de todos processos inerentes a sua produção, passa por um envelhecimento de 6 meses em barricas (50% francesas e 50% americanas) quando ai sim é engarrafado, e disponibilizado ao mercado. Vamos finalmente às impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média para grande intensidade, com bom brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e com ligeira cor também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos maduros, algo que me lembrou fumo e ligeiro tostado. 

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, com taninos macios e redondos e uma acidez refrescante. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média duração.

Um ótimo vinho em sua faixa de preço (em torno de 30 reais se não me engano) e que entrega o que se propõe. Acompanha uma boa pizza numa noite ordinária de sábado. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A vez de Barolo e as tempestades de granizo

Em um verão de tempestades, alguns dos principais vinhedos do Piemonte perderam de 20 a 30 por cento de suas uvas.


No que se tornou um verão com muito granizo em todas as regiões vinícolas europeias, com pedras caindo em Bordeaux, Borgonha e no Languedoc, o mais recente mau tempo atingiu a região do Piemonte, na Itália. Uma violenta tempestade varreu os vinhedos de Barolo, na noite de 8 de julho, com granizo, chuva e, em alguns casos, os ventos fortes. Embora relatórios tem variado bastante, as avaliações iniciais dizem que o dano é mínimo.

Créditos da imagem: Consórcio Barolo & Barbaresco

Os produtores disseram ao público que seus vinhedos tiveram danos em cerca de 5 por cento das uvas, em média, com algumas pequenas parcelas atingindo danos entre 20 a 30 por cento de perda de uvas. As redes de proteção instaladas na parte superior da maioria dos crus ajudou a reduzir o impacto. Por exemplo, em La Morra a situação foi pior para o lado de Santa Maria, mais do que Annunziata, aleatoriamente em Novello e Barolo, ou ainda em Monforte muito, muito ruim, onde a maioria das uvas foram dizimadas. Mesmo com tais redes, alguns vinhedos não eram imunes a pedras de granizo do tamanho de nozes, sendo que em algumas áreas o granizo tinha dimensões maiores e alguns cachos das videiras ainda sofriam algum tipo de avarias. As vinhas mais danificadas são aquelas posicionadas no topo das colinas.

No entanto, os produtores têm agora de controlar a propagação do fungo Botrytis cinerea nos frutos afetados, tratando as uvas, o que irá resultar em maior despesa. Assim sendo, os produtores já imaginam que esta safra vai lhes custar mais, porque os trabalhadores terão que ter muito cuidado ao selecionar as uvas. Horas após o acontecimento foram fundamentais com o início imediato dos tratamentos com sulfato de cobre para curar e higienizar os cachos.

De acordo ainda com outros produtores, mais granizo caiu perto de Monforte d'Alba em 9 de julho. Parece que as tempestades e os padrões climáticos estranhos que assolaram Barolo, Borgonha e o resto da Europa vão continuar a manter os produtores apreensivos durante o verão.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Pérez Cruz Liguai 2007: Um vinho chileno classudo!

Estive afastado por um tempo daqui, e motivos não faltaram, mas a falta de matérias com certeza não é um deles. Eu tenho alguns posts prontos em minha cabeça, só preciso de tempo para coloca-los por aqui. E o post de hoje é um caso destes. Não irei repetir as desculpas ou os motivos pelos quais demorei a escrever sobre o Pérez Cruz Liguai 2007, nem tão pouco o por que ele foi escolhido. O que importa é falarmos sobre o vinho, não é mesmo? Vamos lá.


A Viña Pérez Cruz é considerada uma vinícola boutique por ter uma produção considerada de pequena para médio porte para os padrões chilenos e com uma curiosidade: quase não é conhecida em seu país de origem tendo focado a quase totalidade de sua produção para exportação. Sua história se inicia com a aquisição das terras onde hoje se encontram a vinícola por Don Pablo Pérez Zañartu, um empresário chileno muito conhecido, e posteriormente com a criação da vinícola por sua família após seu falecimento. Don Pablo nunca chegou a ver o projeto da vinícola funcionando já que esta teria sido fundada em 2002. Dada as condições do clima e de terreno do lugar (alguém lembrou do termo "terroir"), a Viña Pérez Cruz tem sua produção exclusivamente de vinhos tintos, tendo como grande estrela a casta Cabernet Sauvignon e depois a casta emblemática do Chile, a Carmenére. Podemos dividir seus vinhos em 3 linhas: a de entrada com um Cabernet mais básico, a intermediária com os varietais Limited Edition Malbec (lá chamado de côt), Carmenére, Syrah além do Chaski (Petit Verdot) e a linha top com os blends Liguai e o Quelén. A vinícola é muito moderna e sustentável, se utilizando das mais recentes técnicas relativas tanto a edificação da vinícola quanto a produção dos vinhos. O prédio da Viña Pérez Cruz é feito de madeira e tem o um formato de duas barricas juntas, com os telhados abaulados, de modo a facilitar a circulação do ar, fazendo com que a temperatura interna do prédio seja regulada e se mantenha amena com a subida do ar mais quente e menos denso, e mantendo o ar mais refrescado. Grande parte da movimentação do mosto/vinho é feita por gravidade desde o recebimento das uvas num andar mais superior até a fermentação nos tanques de inox e posterior malolática e envelhecimento em carvalho francês e americano.

Já sobre o vinho em questão, o Pérez Cruz Liguai 2007, podemos dizer que é um corte composto pelas uvas Syrah, Cabernet Sauvignon e Carmenére, sendo este o primeiro vinho top da casa. Passa ainda por 16 meses de maturação em carvalho francês. Atinge cerca de 15% de graduação alcoólica. Vamos as impressões?

Na taça o vinho, apesar de sua idade, apresentou ainda uma cor rubi violácea de grande intensidade, com algum brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas mais gordinhas, relativamente lentas e com muita cor também tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de aromas de frutos vermelhos maduros, pimenta, algo vegetal e chocolate/capuccino além de um ligeiro tostado no fundo de taça.

Na boca o vinho se mostrou encorpado, guloso, com taninos presentes e marcados, mas redondos e prontos para beber com uma boa acidez. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa e deliciosa duração.

Eu sou suspeito pois gosto dos vinhos da Pérez Cruz, e acho que este aqui já está num nível acima dos demais falados até hoje por aqui. Já conhecia o vinho e por isso o comprei quando tive a oportunidade, o que só fez confirmar sua qualidade. Eu recomendo!

Até o próximo!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Angheben Teroldego 2008: Comemorando mais uma vitória brasileira!

Para comemorar a passagem da seleção brasileira para as semi-finais da Copa do Mundo de 2014, nada mais justo e necessário do que tirar um belo vinho brasileiro da adega para acompanhar uma boa refeição. E o escolhido para esta "árdua" tarefa foi o Angheben Teroldego 2008.

Angheben Teroldego 2008

A história da Vinícola Angheben é bem bacana e curiosa. Explico. O seu Idalêncio Angheben, fundador da vinícola, trabalhou por 20 anos na Chandon, famosa fabricante de vinhos espumantes, mas que em determinado momento da vida, decidiu que queria prosseguir com um negócio que pudesse chamar de seu, fundando assim em 1999 a Vinícola Angheben. A vinícola não possui vinhedos próprios, pois entenderam que no momento a prestação de assessoria em vinhedos de terceiros traria maior vantagem e tempo/investimento dedicados a elaboração dos vinhos, com a ajuda de seu filho, Eduardo Angheben. Há controvérsias, mas me parece que no caso a decisão fora acertada dada a qualidade dos vinhos por lá produzidos. Aliando técnicas modernas de enologia com produções limitadas e de alta qualidade além do uso moderado e consciente da madeira (em média de 4 a 6 meses) os resultados demonstrados tem sido excelentes lembrando em muitas ocasiões mais vinhos do velho mundo do que do novo mundo.

Sobre o vinho, o Angheben Teroldego 2008 é varietal elaborado com uvas 100% Teroldego, originária da região de Trentino na Itália e que, segundo o produtor, também se adaptou bem ao terroir de Encruzilhada do Sul, de onde vem suas uvas. Passa por algo entre 6 a 8 meses em barricas de carvalho para afinamento e depois ainda um pouco nas caves antes de ser comercializado. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração rubi violácea de grande intensidade com algum brilho. Apresentava certo halo de evolução tendendo ao granada. As lágrimas eram lentas, finas e com quase nenhuma cor.

No nariz o vinho mostrou aromas de de frutas escuras (ameixa preta), couro, tabaco, especiarias e também de algo de terroso/fungos. Tudo muito austero, elegante, aquela sensação de vinho do velho mundo.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, boa acidez e taninos marcados, porém macios e de boa qualidade. Confirma em boca tudo que foi encontrado no olfato.

Desta vez acompanhou uma boa pizza e o final de noite aqui em casa, além é claro de comemorar a vitória da seleção brasileira ante a colombiana. Um bom vinho sem dúvida nenhuma, o que me faz imaginar que estamos evoluindo também a nossa indústria quando falamos em vinhos tintos. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Encontro de Vinhos: Show itinerante chega agora em Campinas - SP

A terceira edição do Encontro de Vinhos chega a Campinas com mais de 25 expositores e muitas novidades.


O evento será realizado no elegante Casarão Campinas, dia 26 de julho a partir das 14h. Conhecido como o maior evento de vinhos do país no conceito Road Show, o Encontro de Vinhos receberá os apaixonados pela bebida com uma equipe com mais de 25 expositores, dentre eles: produtores nacionais e internacionais, importadoras, escola de formação para enófilos e sommeliers, agência de enoturismo e fabricante de malas para transporte das garrafas. 


Entre os produtores nacionais, nomes como Miolo, Salton, Casa Valduga, Cave Geisse, Aurora, Perini e Adolfo Lona representarão, e muito bem, a viticultura brasileira. Adolfo Lona, o renomado enólogo que atuou como diretor técnico na antiga marca De Lantier, apresentará 5 espumantes, todos produzidos artesanalmente e em pequenos lotes, feitos pelos métodos charmat e champenoise. A Miolo apresentará em primeira mão o lançamento do espumante Miolo Terranova Moscatel, com sua estratégia digital inédita na qual o consumidor poderá baixar gratuitamente o aplicativo que leva o nome do vinho e visualizar em seu smartphone ou tablet o mascote da marca em 3D, interagindo e dançando.

No ranking de produtores internacionais, nomes como Chozas Charrascal da Espanha, Familia Cassone da Argentina e a conhecida Concha Y Toro também participarão com lançamentos. Na ala das importadoras estarão presentes: Ideal Drinks Gourmet, Max Brands, TodoVino, La Cristianini, Barrica Negra, Magnum, Wine & Co. e Smart Buy Wines. Esta promete impressionar com seus pontuados vinhos californianos a preços acessíveis. Os vinhos terão um desconto de 15% se comprados no evento, além de haver o sorteio de uma garrafa do Decoy Red Blend, da vinícola Duckhorn. E, para quem quiser comprar vinhos com excelentes preços, a Wine & Co. também oferecerá descontos que chegam a 30% para os visitantes do Encontro de Vinhos.

A Queijaria D’Alagoa apresentará seus queijos estilo Parmesão vindos das Terras Altas, na Serra da Mantiqueira. Os queijos são produzidos com leite cru em processo 100% artesanal. Na área de serviços, dois expositores apresentarão novidades: a ZaporeaZ, significado de “sabor” na língua oficial baska que, além de importar vinhos de Rioja, também oferece viagens enogastrônomicas proporcionando toda a sinestesia de aromas, cores e texturas que esta região oferece. Escola responsável pela formação de profissionais e enófilos, a Enocultura estará presente no evento para apresentar seus cursos. Eles são divididos em duas categorias: os cursos oficiais da Wine and Spirit Trust (níveis 1, 2 e 3) e os cursos customizados, criados para atender os interesses dos alunos. E àqueles que se aventurarem a participar de uma degustação às cegas, poderão ganhar um curso de nível 1 da WSET.

Todo o evento será transmitido pelo canal Winebar (www.winebar.com.br), que montará no local um estúdio para apresentar ao vivo todas as novidades. Quem não conseguir assistir às transmissões na íntegra, poderá acompanhar posteriormente o que os produtores e importadores mostraram no evento, além de conhecer os vencedores do Top5.

Informações: 
Valor dos ingressos: R$ 60,00 vendidos no local. Se comprados antecipadamente pelo site, R$ 50,00 - Sócios ABS-Campinas têm 50% de desconto. 
Local: Casarão Campinas – Rua Leontina Carvalho, 38, Jd. das Palmeiras. 
Horário: das 14h às 22h.
 

Até o próximo!

domingo, 6 de julho de 2014

Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009: Brasileiro com sotaque chileno!


E o selecionado canarinho passara por mais uma guerra na Copa do Mundo 2014, desta vez uma guerra considerada caseira, contra o selecionado do Chile e com muito sufoco, muita briga e emoções a flor da pele. Mas felizmente pra nós, mais uma vitória do escrete canarinho. E para comemorar mais este avanço na Copa do Mundo, nada melhor do que um belo espumante brasileiro, mas com aquele sotaque chileno. Sim, estou falando do Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009.

Cave Geisse Terroir Rosé Brut 2009

A Vinícola Cave Geisse tem sua história intrinsecamente ligada ao Chile. Explico: Mário Geisse, fundador e proprietário da vinícola veio do Chile, onde nasceu e se formou, para o Brasil em meados dos anos 70 então com a missão de chefiar a Moët & Chandon do Brasil. Como ele era um homem sonhador e empreendedor, logo percebeu que por aqui havia muito potencial inexplorado para a elaboração de espumantes de alta qualidade e não pensou duas vezes, juntando o útil ao agradável, fundando em 1979 a Cave Geisse. Identificou em Pinto Bandeira o local ideal para plantar seu vinhedos e voilá, o sucesso não tardou. Falando um pouco sobre as linhas de vinhos disponíveis por lá, temos a mais básica e de entrada conhecida como Cave Amadeu (nome original que a vinícola possuia em sua fundação) com seus espumantes mais simples , Cave Geisse e seus espumantes TOP, El Sueño que é uma parceria da vinícola em algumas regiões vitivinícolas do planeta com vinhos tranquilos e a mais nova sensação da casa, os vinhos Vinhedos Hood, feitos com algumas parcelas de uvas de parceiros. Além disso, criaram em parceria com uma Maison francesa, um champagne que leva a marca do Sr. Geisse. Finalmente falando um pouco sobre o vinho espumante, o Cave Geisse Brut Terroir Rosé, é feito com uvas 100% Pinot Noir com 36 meses de contato com as leveduras. Vamos as impressões?


Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração salmão, com bom brilho e ótima transparência. Perlage pra lá de persistente, com borbulhas muito pequenas e abundantes. 

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutas vermelhas em evidência (morangos maduros) seguidos de panificação.

Na boca o vinho espumante se mostrou um show, bom corpo, fresco e cremoso ao mesmo tempo. Retrogosto confirma o olfato e tem um final longo e saboroso.

Para acompanhar, alguns petiscos e antepastos. Ficou perfeito e fez a nossa alegria por aqui. Um grande vinho espumante sem dúvida nenhuma e que nos deixa orgulhosos da indústria vitivinícola nacional. Eu recomendo.

Até o próximo!

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Lançamento: Otello Wine Color Therapy levam as cores do Brasil

Aproveitando toda a onda de Copa do Mundo que vem varrendo o território brasileiro, para não dizer mundial, a importadora Vino Itália está trazendo para o Brasil a linha de espumantes italianos Otello Wine Color Therapy.

Créditos da Imagem: Site do importador

Esta linha trás vinhos espumantes brut brancos, apesar da utilização de uvas tintas (Pinot Noir e Lambrusco) em sua composição. Tais uvas são colhidas nas colinas da região da Emília, na Itália com altitudes que variam até a 350 metros acima do nível do mar em um terreno pedregoso e arenoso. A leve prensagem destas uvas tintas produzirá um mosto do qual a casca é imediatamente separada. Este mosto passa por uma fase de fermentação em uma temperatura controlada. Em seguida, passa por um período de decantação para permitir uma limpeza natural de todas as impurezas. Depois dessa fase, o vinho é armazenado em tanques de pressão com temperatura controlada por 3 / 4 meses, período este no qual passa por uma segunda fermentação. Além disso, o Otello Wine Color Therapy vem em embalagem diferenciada e esta disponível em 10 cores de garrafas, incluindo as cores verde, amarelo e azul, que compõe a bandeira do Brasil.

O vinho espumante Otello Wine Color Therapy possui coloração coloração amarelo palha bem clarinha e seus aromas são essencialmente frutados (cítricos) e florais. Fresco e suave em boca, deve ser perfeito para acompanhar um bom bate papo ou mesmo petiscos leves e descompromissados.

Uma boa opção para comemorar a possível vitória do esquete canarinho contra a Colômbia no jogo de quartas de finais da Copa do Mundo de 2014, vocês não acham?

Até o próximo!

Rui Paula Recife: Restaurante português de requinte em Pernambuco!

E não é que esta Copa do Mundo de 2014 no Brasil me trouxe oportunidades interessantíssimas? Pois bem, como já havia comentado em um post anterior (relembre aqui), estive em Recife para assistir a um jogo da Copa ( Croácia x México) e de quebra, munido de algumas boas indicações, pude conhecer um pouco da gastronomia que tem por lá. E olha que fiquei impressionado com o que encontrei. Hoje falo um pouco sobre o restaurante Rui Paula Recife, que está localizado no RioMar Shopping em Recife. Vamos ver o que encontramos por lá?

Primeiro uma pequena apresentação, depois de alguma pesquisa. O renomado chef luso Rui Paula, proprietário dos restaurantes Dop (no Porto) e Doc (no Douro) trouxe em sua primeira operação fora de sua terra natal, uma ponte entre as cozinhas de ambos os países (no caso o Brasil e Portugal). Sua cozinha é inspirada nas regiões do Alto Douro, Trás-os-Montes e Douro e é também baseada principalmente na tradição, memória e frescor dos produtos usados. O que chama a atenção é todo capricho e atenção aos mínimos detalhes da casa, que tem até louças importadas de Portugal. O Rui Paula Recife envolve uma equipe de cerca de 40 pessoas, 12 das quais recrutadas em Portugal. O ambiente é dividido em dois pisos. O primeiro, onde se situa o bar, é um salão amplo e o segundo, uma sala privada para eventos . O menu é sucinto e variado ao mesmo tempo, e é baseado em três pilares: entradas, mar e terra. A adega de vinhos é um show, uma estrutura a parte e uma carta impressionante, onde todas grandes regiões vinícolas estão representadas, com uma atenção especial a Portugal e ao Douro. O atendimento, um show a parte. Tínhamos o restaurante só pra nós e o melhor, o sommelier é muito gentil e está sempre disposto a ajudar além de ser muitíssimo bem preparado. Luxo puro.


Diante de tudo isso, ficava até difícil escolher, não é mesmo? Como gosto de ousar de vez em sempre, passei o olho por diversas vezes no cardápio até decidir por uma bela coxa de pato confitada, servida sobre uma cama de vegetais cozidos e um belo risoto de funghi. Tudo cozido a perfeição, como a carne do pato macia, tenra e saborosa e o risoto divinamente temperado e na cocção ideal. Já minha esposa mais conservadora e adoradora de peixes optou por um prato de cioba com caldo de lagosta e crosta de amêndoas, servida com purê de ervilhas e espuma de ervilhas. O peixe estava suculento e tenro, no ponto certo e o purê contrastava dando sensação de firmeza ao prato. Que refeição incrível.


É claro que, diante de pratos tão saborosos e incríveis, nada melhor do que um vinho para acompanhar certo? Sinceramente não pensei muito na harmonização do local e tentei fugir a um porto seguro, uma vez que sempre fui admirador dos vinhos portugueses e, em minha modesta opinião, são de incrível versatilidade e custoxbenefício. Pois bem, como a lista de vinhos tinha apreciação especial pelo Douro, é lá que busquei inspiração e optei pelo vinho Passa Tinto 2011, produzido pela Quinta do Passadouro, em Portugal. Situada em pleno vale do rio Pinhão perto da aldeia de Vale de Mendiz, a origem da Quinta do Passadouro remonta ao Séc XVIII, surgindo referenciada no célebre mapa do Douro elaborado pelo Barão de Forrester. Além das uvas de ótima qualidade, a Quinta do Passadouro produz uma pequena quantidade de azeitonas que dão origem a 2.300 garrafas de um azeite extra virgem raro e diferenciado. Este vinho é produzido a partir de 40% Tinta Roriz, 45% Touriga Franca, 10% Touriga Nacional sendo que 30% do lote estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês usadas. Impressões? Na taça o vinho mostrou uma coloração violácea de grande intensidade, bom brilho e lágrimas finas, rápidas e levemente coloridas. No nariz o vinho se mostrou muito fragrante com aromas de frutos vermelhos em profusão, misturados a toques florais e algo de tostado. Na boca o vinho se mostrou corpo de médio para encorpado, boa acidez e taninos finos, macios e redondos. O retrogosto confirma o olfato e o final é longo e saboroso. Um grande vinho, um belo custo benefício!


Quer conhecer um restaurante português onde tudo é feito com excelente qualidade, somado a um serviço atencioso, sem ser invasivo? Sugiro uma visita ao Rui Paula Recife. Pra quem quer comer bem, num ambiente agradável e com um preço adequado, a escolha do Rui Paula Recife é perfeita. Vale demais a visita. Assim encerrávamos nossa passagem por Recife já torcendo e pensando em quando seria a nova oportunidade. Eu recomendo.

Até o próximo!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Tempestade de granizo dizimou vinhas por toda Borgonha

Como as coisas podem parecer "cômicas se não fossem trágicas". Em meu post anterior, comentando um pouco sobre o terroir Borgonha/Chablis e as situações climáticas típicas da região, em determinado momento eu citei que a época da primavera pode ser especialmente problemática em algumas safras dada a possibilidade de quedas de geadas e granizo podendo ocasionar a perda de parte das vinhas por lá plantadas. Eis que lendo publicações especializadas sobre vinhos, vejo a notícia de que uma destas tempestades pode ter avariado seriamente a safra 2014 por lá. Abaixo, transcrevo e adapto a reportagem original para vocês, meus leitores:

"Enólogos da Borgonha relataram danos generalizados à safra 2014, depois de cinco minutos granizo destruir vinhas em toda a região na tarde de sábado. Produtores da região estão anunciando danos que afetam até 40% do potencial de colheita em todo 2014, principalmente em Meursault, Pommard, Volnay e Beaune neste fim de semana, depois que pedras de granizo do tamanho de bolas de golfe atingiram a região, apesar de todas as medidas anti-granizo adotadas até então. Em Beaune, até 90% das vinhas no vinhedo Clos des Mouches estão sendo contabilizadas como danificadas pelo granizo.

Cerca de 34 geradores de tubo foram implantados a cada 10 quilômetros nas áreas atingidas pela tempestade, atirando partículas de iodeto de prata e acetilacetona de cobre na atmosfera para evitar a formação de granizo, mas pelo visto isto não funcionou. Estão todos em estado de choque por lá, sem entender ao certo o por que tais medidas não funcionaram, talvez a tempestade tenha sido muito intensa e num período de tempo curto demais para a tecnologia reagir.

A tempestade do final de semana acabou com as esperanças de uma safra muito boa e necessária em 2014. Ao contrário do ano passado, a safra de 2014 parecia promissora, com uma floração abundante e uniforme de uvas nas videiras. Numa somatória geral, pode-se dizer que os produtores da região perderam o equivalente a duas colheitas ao longo dos últimos três anos e com isso, algumas propriedades podem enfrentar a ruína financeira, mas sem uma estimativa precisa de quantas podem passar por tal processo. Uma reunião para discutir o impacto da tempestade estaria agendada para ocorrer lá na Borgonha na noite passada, ainda sem qualquer informação ainda divulgada."

Deixo aos meus leitores que tirem suas conclusões. Seriam os efeitos do "Aquecimento Global" e das intervensões do homem na natureza que estariam causando tais tempestades e ações da natureza contra os vinhedos? Só o tempo vai dizer.

Até o próximo!

Chablis Morin Père et Fils 2012: A hora e a vez da França na #CBE

E chegamos aquela época do mês que é sempre bacana, no dia de mais um post da #CBE - Confraria Brasileira de Enoblogs, este para o mês de julho. Em clima de Copa, o tema foi escolhido pelo nosso goleiro, Marcello Galvão, do blog Agenda de Vinhos: "Cristiano, já decidi o meu vinho escolhido pra ser tema da ‪#‎CBE‬. Vamos continuar nos brancos, é um vinho que muito me encanta. O tema vai ser Chablis, qualquer faixa de preço e qualquer classificação." Então, segue o jogo, continuemos nos vinhos brancos! E o meu escolhido foi o Chablis Morin Père et Fils 2012.

Detalhes para os marcadores de taça: o vinho foi degustado enquanto assistia a partida entre Holanda e México!

Chablis é provavelmente o vinho branco mais conhecido em todo o mundo. Oficialmente parte da Borgonha, a região do Chablis está geograficamente afastada, localizada mais especificamente a 136 km a noroeste da cidade Dijon. Esta Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) ocupa cerca de três mil hectares ao redor da pequena cidade de Chablis. O clima é continental, com verões secos e invernos longos e rigorosos, sendo que na primavera existe o risco de geadas e perda de parte das vinhas neste processo. Com isso as safras são altamente variáveis por lá. A Chardonnay é a única uva da região, a rainha, entretanto os vinhos podem variar muito de acordo com o terroir. Entre solos argilosos e calcáreos, uma característica marcante da maioria dos vinhos de Chablis é que são notadamente secos e minerais. Existem quatro tipos de Chablis que, em uma hierarquia crescente, seriam: Petit Chablis, Chablis, Chablis Premier Cru e Chablis Grand Cru. Os dois primeiros normalmente são fermentados em tanques de inox sendo que os dois últimos podem passar por fermentação em tanques e depois ir para barricas ou até passarem por fermentação diretamente em barricas.

Sobre o produtor do vinho, a Maison Morin Père et Fils, podemos dizer que é um tradicional produtor da Borgonha, França, que existe desde 1822 e hoje é um dos principais da região de Nuits-Saint-Georges. Preserva as tradições locais e contribui para a reputação dos vinhos da Borgonha, na França e no exterior. Atualmente Morin Père et Fils intergra o grupo empresarial Boisset La Famille des Grands Vins, um dos maiores negócios de vinho da França. Já o vinho em questão, não resta muito a dizer se não que é feito com uvas 100% Chardonnay e aparentemente não passa por madeira. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração amarelo palha com reflexos levemente esverdeados, com bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores também compunham o conjunto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos como abacaxi, pêssego com algo de floral. Toques sutis de pedra molhada também se faziam presentes.

Na boca o vinho se mostrou muito fresco, com uma acidez bem marcante e com um corpo médio. Retrogosto confirma o olfato com um final quase salina de curta para média duração.

Um vinho honesto, fresco e agradável que deve ser bebido em dias quentes. Aproveitei esta época de copa e tomei ele junto com um churrasco e não se saiu mal. Nada de carnes muito gordurosas e/ou pesadas. Mas de qualquer forma valeu. Provavelmente se sairá melhor com frutos do mar, pratos mais leves e entradinhas.

Até o próximo!