sexta-feira, 30 de maio de 2014

Clos Du Val Pinot Noir 2011: Um belo Pinot americano!

Em 1970, o empresário norte-americano John Goelet deu ao enólogo francês Bernard Portet a missão de encontrar um novo território com potencial para produzir vinhos de classe mundial. Dois anos e cinco continentes depois, Portet desembarcou no Napa Valley, Califórnia, onde ele teve um senso dos microclimas de Napa quando dirigiu seu carro pela região com o braço para fora do carro.  Impressionado com as noites frias e terreno idílico do então desconhecido distrito de Stags Leap, ele propôs a área para Goelet. Convencido, Goelet adquiriu 150 hectares de terra e fundou Clos Du Val, um "pequeno vinhedo em um pequeno vale ", em 1972. Logo depois Clos Du Val se tornou uma das primeiras vinícolas a marcar posição em algumas das melhores terras numa encosta na região de clima frio, a região de Carneros comprada em 1973. Abordagem de inspiração francesa do enólogo Portet para vinificação combinado com o caráter extraordinário das uvas do Napa Valley estabeleceu a tradição de vinhos clássicos da vinícola.


Falando um pouco do vinho alvo do post, o Clos Du Val Pinot Noir 2011, é um varietal 100% feito a partir de uvas Pinot Noir da AVA Carneros, no Napa Valley. Passa ainda por 14 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês, sendo que destes, 20% de primeiro uso. Sem maiores delongas, vamos então as impressões sobre o vinho?

Na taça o vinho apresentou um bonita cor rubi com bom brilho e boa transparência. Lágrimas finas, rápidas e espassadas sem qualquer coloração também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos vermelhos maduros, toques de pinho e baunilha.

Na boca o vinho apresentou corpo médio para encorpado, acidez gostosa e refrescante e taninos finos e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de longuíssima duração, que deixa saudades até!

Sem dúvidas um excelente vinho, guloso, sedutor e denso. Pode-se degusta-lo sozinho ou acompanhando comidas mais delicadas. Este também vem pro Brasil pela SmartBuy Wines. Eu recomendo e muito.

Até o próximo!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O que esperar da safra 2014 na Argentina e no Chile?

Relatos preliminares sobre a qualidade da safra 2014 sob o olhar de produtores e enólogos



Todos prontos para saborearmos os primeiros vinhos da safra 2014? Enquanto as vinhas estão apenas florescendo no hemisfério norte (Europa e América do Norte), aqui pelos lados do hemisfério sul muito já se tem de uvas colhidas, moídas e fermentadas, todas representantes da safra atual. Os principais produtores da América do Sul - Chile e Argentina - não enfrentaram uma safra tranquila e de fácil cultivo. No Chile, uma severa geada de primavera criou uma das menores colheitas em anos, mas uma boa safra produziu vinhos agradáveis. Houve geada do outro lado da Cordilheira dos Andes também, e uma colheita em baixo de muita chuva diminui ainda mais o rendimento.

Argentina

A boa notícia: uvas brancas colhidas antes das chuvas mostraram boa qualidade. Uma maior acidez nas uvas tintas como a Malbec, por exemplo, promete um potencial de longo envelhecimento.

A má notícia: A geada de primavera danificou muitas vinhas em Mendoza, com alguns vinhedos de Chardonnay enfrentando perdas de até 40 por cento na produtividade. A colheita em um período chuvoso e úmido significou também botrytis em alguns pontos, diminuindo ainda mais a produção.

Os viticultores argentinos enfrentaram uma montanha-russa de condições climáticas durante todo o ano, culminando em uma colheita fria e úmida. Além disso, a geada em partes de Mendoza combinada a situação da colheita, reduziu os rendimentos de um modo geral. O degelo abundante teria feito dessa uma grande colheita, se tudo não tivesse se abrandado com o tempo frio em fevereiro, março e abril somados a severa geada de setembro. Segundo relatos, a geada atingiu principalmente o leste e o norte de Mendoza e San Juan, e também algumas partes do Vale do Uco e Luján de Cuyo. Graças ao clima e as chuvas frias durante a colheita, a botrytis foi generalizada em Mendoza, e foi necessária muitos cuidados aplicados a viticultura para colher uvas saudáveis. A paciência é necessária para alcançar uma boa maturidade. O teor de álcool dos vinhos é mais baixo do que o normal. A colheita sendo particularmente atrasada e com o tempo frio, vai levar os melhores tintos a alcançar sua fermentação malolática somente na próxima primavera, o que é bastante tarde em termos de Argentina.

Chile

A boa notícia: O tempo quente e seco durante o período de crescimento levou a uma colheita precoce e a promessa de vinhos concentrados e cheios de sabor .

A má notícia: Uma grave geada de primavera  acabou danificando novos brotos. Os rendimentos caíram pela metade ou chegaram a um terço para a maioria das variedades.

A geada da primavera durante o período de crescimento foi uma dos mais prejudiciais na história do Chile. As regiões costeiras perto de Santiago, incluindo Casablanca e Leyda, foram duramente atingidas, bem como os vales fluviais no sul, como Bío-Bío por exemplo. As castas mais afetadas foram Chardonnay e Sauvignon Blanc para os vinhos brancos e Pinot Noir e Merlot para os vinhos tintos. Embora a colheita seja pequena, a qualidade é alta em todas as áreas, de acordo com muitos viticultores.

Matéria original em www.winespectator.com

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Vinho e HQ: Os Ignorantes mostra uma harmonização possível!

A sinopse desta obra, lançada pela editora Martins Fontes, é sugestiva: "Étienne Davodeau é autor de HQ e não sabe muita coisa do mundo do vinho. Richard Leroy é vinicultor, quase nunca leu quadrinhos. Durante mais de um ano Étienne foi trabalhar nos vinhedos e na adega de Richard, que, em troca, mergulhou no mundo da HQ. Étienne Davodeau afirma que existem tantas maneiras de fazer um livro quantas de produzir vinho. Ele constata que ambos têm o poder, necessário e precioso, de aproximar os seres humanos. O livro oferece o relato alegre dessas iniciações".

Foto da capa do livro tirada diretamente do site da editora

Confesso que ainda não tive contato com a obra em quadrinhos, mas todo o burburinho e destaque que a mesma tem tido na midia especializada me chamou a atenção e aguçou minha curiosidade. A estória se passa na França, mais precisamente em uma localidade no Vale do Loire. Dois mundos teoricamente bem diferentes mas que trazem a criatividade e as relações humanas como pano de fundo para o desenrolar da narrativa. 

Alguém já leu e quer dividir comigo suas impressões? Assim que tiver a oportunidade, volto aqui e conto um pouco mais sobre o assunto. 

Até o próximo!

Espumante Palavrar Brut: Um vinho espumante português cativante

Este vinho espumante é feito pelo produtor chamado Ampulheta, do Alentejo, em Portugal e sobre o qual pouca ou nenhuma informação consegui descobrir através de minhas andanças on line. Confesso que fiquei curioso e por um descuido de minha parte, acabei por descartar a garrafa antes que pudesse sequer verificar de novo se havia um endereço eletrônico ou coisa do gênero. De qualquer forma, descontando este meu ato falho, nos dediquemos ao que temos de informação, certo?


O Espumante Palavrar Brut é vinificado com 3 castas autóctones portuguesas (Bical / Maria Gomes / Baga) e foi produzido pelo método Charmat, ou seja, a segunda fermentação também ocorreu em tanques de inox, mas descansou por 2 meses em garrafa na cave subterrânea antes de ir para o mercado. Possui 12% de graduação alcoólica. Sem maiores delongas, vamos então as impressões.

Na taça o vinho espumante apresentou uma coloração amarelo palha com alguns reflexos dourados. Borbulhas de pequenas para médias, em boa quantidade e de persistência média para alta. 

No nariz o vinho espumante apresentou aromas de frutos brancos e cítricos, pêssego e limão siciliano, ligeiro toque de panificação e algo de mel.

Na boca o vinho espumante se mostrou com bastante cremosidade, acidez gulosa e no entanto bem equilibrado. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Apesar de não conhecer nem tão pouco ter muita experiência em vinhos espumantes portugueses, confesso que este me cativou por ser fácil de beber por si só mas que deve acompanhar pratos mais leves e a base de frutos do mar de forma incrível. Mais um vinho que pude ter o conhecimento através do Clube de vinhos Winelands. Eu recomendo, o vinho espumante e o clube de vinhos.

Até o próximo!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Don Giovanni Cuvée 2004: Elegância e estilo do vinho brasileiro


A Vinícola Don Giovanni é um complexo enoturístico, localizado no Distrito de Pinto Bandeira, que reúne além dos vinhedos e da vinícola, varejo para venda e degustação dos vinhos, pousada e restaurante. E tudo isso localizado num terroir a 700 metros acima do nível do mar, entremeado de uma vasta e bela vegetação com estradinhas que por alguns momentos lembram até as da Toscana. São cerca de 18ha plantados com vinhas sendo que entre estas, se encontram as seguintes castas: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Pinot Noir, Ancellota e Pinot Noir. Possui uma produção média de 120 mil garrafas/ano sendo que destas, cerca de 70% são de espumantes. Além disso produzem ainda um destilado de vinho, o Brandy. Hoje quem cuida da propriedade e de sua produção é a quarta geração da família. O que é também interessante é que eles guardam em suas caves, garrafas de safras mais antigas que podem até ser vendidas, mediante encomenda do cliente.



Falando sobre o vinho, o Don Giovanni Cuvée 2004 pode ser considerado o vinho top da vinícola. Tem em sua composição aproximadamente 40% de uvas Cabernet Sauvignon, 40% de uvas Merlot e 20% de uvas Ancellota. Passa por 12 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Sua graduação alcoólica é de 12,4%. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e pouca transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas compunham também o aspecto visual.

Na taça o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos em compota, especiarias e baunilha. Fundo de taça com algum toque de tostado. 

Na boca o vinho mostrou um bom corpo, acidez na medida e taninos finos, macios e bem redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Mais um bom vinho brasileiro, que continua a confirmar a qualidade do que vem sendo produzido por aqui. E olha que este eu achei por acaso, mesmo tendo visitado a vinícola Don Giovanni mais no começo deste ano, em um passeio a São Roque. Eu recomendo.

Até o próximo!

Claud La Chapelle du Château la Rode 2009: Mais vinho francês no blog

Hora de voltar a França e seu vinhos incríveis, sempre com o intuito de conhecermos um pouco mais sobre a história desta bebida de Baco. O Chateau Claud la Chapelle foi criado em 1964 , uma propriedade familiar orientada na pequena produção, em Castillon, numa apelação conhecida como Côtes de Bordeaux. Todas as uvas utilizadas para os vinhos são cultivadas na propriedade. Pelo que pude pesquisar, o enólogo responsável por este vinho é o famoso Jean Luc Thunevin, que entre outras "peripécias"difundiu o conceito de vinhos de garagem ou vinhos de autor, quando começou a produzir vinhos literalmente em sua garagem com o auxílio de sua esposa. Esta propriedade está localizada em um solo composto de argila sobre pedra calcária. Sobre o vinho, o que podemos dizer é que o mesmo é um corte de 95% merlot e 5% Cabernet Sauvignon. Pode ser considerado um Bordeaux mais simples, para quem ainda está aprendendo sobre a região (meu caso). Vamos as impressões?


Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi com toques granada. Lágrimas finas, rápidas e sem cor compõe ainda o conjunto visual.

No nariz o vinho mostra aromas de frutas vermelhas e escuras em compota, especiarias doces e algo de tabaco. Ainda no fundo de taça algo de tostado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, acidez na medida e taninos finos, macios e prontos para beber. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Mais um belo vinho francês, me pareceu um ótimo exemplar de Bordeaux e com certeza irá cativar a quem prova-lo. Um típico vinho que casa bem com um bom corte de carne (de caça de preferência) mas que proporcionará prazer se bebido sozinho, acompanhado de um bom bate papo. Eu recomendo.

Até o próximo!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Casillero Del Diablo Devil's Collection Red 2012

Quando falamos de Concha Y Toro quase que obrigatoriamente falamos talvez um dos nomes/marcas mais famosas que existem no mundo com relação a produção e comercialização de vinhos. E talvez o Brasil seja um dos principais mercados que alimenta essa fama. E na última Expovinis, maior feira de vinhos da América Latina, trouxeram mais um lançamento que promete agradar em cheio, como costumeiramente seus vinhos o fazem, o paladar do brasileiro em geral. Trata-se do vinho Casillero Del Diablo Devil's Collection Red 2012, que também estava disponível na versão branca. Como não participei da Expovinis, consegui mais tarde prova-lo em uma outra degustação.

Casillero Del Diablo Devil's Collection Red 2012
Este vinho é um blend de uvas distintas (sem liberarem quais e qual a proporção), provindas da seleção dos vales de Casillero del Diablo, secretamente misturados por grandes enólogos. A idéia aqui é oferecer aos apreciadores de vinho um produto Premium de alta qualidade, porém sem as complexidades excessivas da categoria, além disso facilitar também a escolha do consumidor, que não precisa se preocupar em qual uva escolher. Sendo assim, vamos às impressões sobre o Casillero Del Diablo Devil's Collection Red 2012.

Na taça o vinho apresentou uma cor violácea de média para grande intensidade, bom brilho e alguma transparência (pouca na verdade). Lágrimas mais gordinhas, lentas e coloridas.

No nariz o vinho mostrou frutas negras com algum herbáceo, mas não daquele verde que incomoda, algo mais maduro.

Na boca o vinho se mostrou de corpo médio, com boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de média duração.

Mais uma grande sacada da Concha Y Toro que com certeza irá fazer sucesso. Pelo que li, estará disponível no Pão de Açúcar, Carrefour e principais supermercados. É ver para crer. Eu recomendo.

Até o próximo!

Obra Prima Coleccion Malbec 2010: Um vinho argentino com sobrenome

A Bodega Familia Cassone foi criada em 1998 por seu patriarca, Eduardo Cassone, sua esposa mais seus três filhos. E esta veia pelo negócio vitivinícola se deu em Eduardo em consequência do empreendedorismo de seu pai, que começou a elaborar vinhos ainda em meados dos anos 50. E grande parte desta tradição veio ainda de seus antepassados, que chegaram na Argentina em meados do século XIX, vindos do Piemonte e arredores (Itália). Todos estes fatores em conjunto somados ainda a muito trabalho e dedicação colocaram esta bodega familiar no hall das mais importantes da Argentina. A Bodega Familia Cassone esta localizada no departamento de Luján de Cuyo e segue os padrões da região, sem deixar de lado entretanto os cuidados com o meio ambiente. 


Falando um pouco do vinho em questão, o Obra Prima Coleccion Malbec 2010, é feito a partir das uvas Malbec (80%), Cabernet Sauvignon (10%) e Merlot (10%) - apesar disso é considerado um varietal Malbec (permitido pelas leis argentinas). Segundo o produtor, os vinhos Obra Prima Coleccion Malbec são elaborados tendo-se o cuidado de selecionar as melhores uvas de cada uma das castas envolvidas. Ainda segundo a Familia Cassone, este vinho só será elaborado em colheitas consideradas excepcionais. Passa ainda por 18 meses de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, rápidas, coloridas e em grande quantidade também faziam parte do aspecto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutos negros, baunilha, flores e toques tostados. Bastante fragrante.

Na boca o vinho se mostrou encorpado e robusto, com taninos firmes e acidez na medida. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

Um grande vinho, com certeza figura entre os melhores exemplares dos vinhos argentinos. Eu recomendo.

Até o próximo!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

1o Cantu Day São Paulo: Um portfólio de respeito

Ontem, dia 20 de maio, mais um belo evento de vinhos agitou a cidade de São Paulo, já muito bagunçada e agitada em virtude de greves e manifestações. Deixando de lado os problemas e percalços enfrentados, a Cantu Importadora abriu as portas de seu depósito na Vila Leopoldina para apresentar seu vasto portfólio, onde ainda contaram com a participação de alguns produtores de diversas regiões vitivinícolas mais importantes do mundo. Uma oportunidade e tanto de conhecer vinhos que provavelmente não o faria em outras ocasiões. Além disso, em uma ação junto a sua força de vendas, a Cantu Importadora também apresentou seu site B2B para que seus clientes tenham mais facilidade para a compra de seus produtos.


Foram apresentados mais de 130 rótulos de regiões vinícolas tais como: Argentina, Chile, Alemanha, África do Sul, Brasil, Espanha, Portugal, França, Itália e Uruguai. O local fora dividido em duas áreas maiores, onde logo junto a entrada tínhamos o "Espaço Clássicos", que contava com os expositores de vinhos do velho mundo, e o "Espaço América", que contava basicamente com os vinhos da América do Sul e vinhos espumantes em geral. Em um evento desta magnitude e com um portfólio extenso como este, fica até difícil separar poucos vinhos para falarmos detalhadamente sobre eles. Mas de uma maneira geral, existiam vinhos para todos os bolsos e gostos. Para mim, no entanto, o grande destaque se deu com a Itália e França.


Começando a falar um pouco da Itália então, primeiro com os vinhos da Toscana. Aqui o produtor Folonari mostrou suas "armas" para o mercado nacional com um belo supertoscano de entrada, o Santa Martina Tinto, corte de Merlot com Sangiovese que é bem leve, fresco e extremamente frutado além de ser muito fácil de beber. Outro supertoscano que chamou a atenção e me lembrou de minha lua de mel na Itália foi o Campo Al Mare Bolgheri, um belo corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot mais "sisudo" porém guloso e extremamente gastronômico. Passando agora para o produtor I Giusti & Zanza encontramos também dois supertoscanos de história curiosa: seus nomes remetem a personagens da ópera que narra a paixão de um plebeu (Nemorino) por uma jovem da nobreza (Dulcamara) e toda a epopéia em busca do "Elixir do Amor". Enfim, Nemorino e Dulcamara (Sangiovese & Merlot / Cabernet Sauvignon & Petit Verdot respectivamente) são belos vinhos, de uma gama intermediária  mas que também sugerem uma boa comida num almoço de domingo com a mama. Nos deslocando mais ao norte eis que chegamos a região do Piemonte e seus longevos vinhos. Aqui o destaque vai para a produtora Rivetto e seus vinhos: um Dolceto D'Alba incrivelmente saboroso, alegre e um Barolo Riserva 2004 de se tomar de joelhos, muito calmamente, pois estava no decanter já a 3 horas e ainda estava se abrindo. E por fim, se é que isso é possível de se dizer, já na região do Vêneto, o destaque foi para o produtor Montresor e seu belíssimo Amarone cujas uvas passam pelo processo de apassimento (secagem) por até 3 meses, perdendo cerca de 50% do seu volume. Um vinho denso, complexo, instigante e que requer também uma boa dose de tempo pra se tomar.


Hora de pegarmos o avião e seguirmos rumo a França e seus belos caldos. E por coincidência, todos meus destaques ficaram para os lados da Borgonha. Primeiro, do produtor LGCF temos o Pasquier Desvignes Chablis, muito mineral com fósforo em harmonia com fruta madura, gordo em boca e suculento com um final longo e delicioso. Depois, mais um branco só que desta vez do Château De Santenay, o  Château De Santenay Hautes-Côtes de Beaune Clos de La Chaise Dieu, outro grande representante da Borgonha que estagia por 10 meses sur-lie e apresenta um belo corpo, acidez viva e sabores e aromas difíceis de descrever. Para finalizar nosso tour pela França vem um belo tinto,  o Nuits Saint-Georges (que te o mesmo nome da apelação aonde é produzido) do Domaine Michel Noellat e Fils, um vinho tinto classudo que passa mais de ano em barricas de carvalho, mantendo toda sua elegância com aromas de frutos vermelhos e cedro além de um ter um bom corpo, acidez na medida e um final quase mastigável. 

Sem dúvidas os vinhos aqui listados são poucos em comparação ao apresentado no evento, mas para não me tornar retórico e chato, resolvi resumir o que vi e gostei a estes aqui. Vale ressaltar que o evento foi muito bacana, organizado e ainda contava com uma mesa onde era servidas pizzas das mais variadas assadas na hora, uma tentação. Sem dúvidas de alto nível. Aguardemos novas edições.

Até o próximo!

Château Grimont Cuvée Prestige 2009: Avançando nos vinhos franceses!

Depois de uma postagem baseada em um vinho francês mais simples, ilustrando bem como a região de Bordeaux por si só, sem uma subdivisão, pode ser muito ampla e produzir uma gama muito grande de vinhos, hoje é dia de falarmos de uma região um pouco mais específica dentro desta área. Bordeaux é considerada por muitos no mundo do vinho como mítica e lar dos maiores vinhos tintos do mundo. O vinho de hoje é feito na região de Cadillac, na apelação Côtes de Bordeaux, pelo produtor Paul Yung.


A apelação Côtes de Bordeaux representa 10% da produção total dos vinhos de Bordeaux, abrange 11000 hectares e tem 1000 viticultores, divididos em 4 "terroirs": Blaye, Cadillac, Castillon e Francs. Localizado na margem direita de dois rios: o Garonne e Dordogne e com a plantação ao longo das encostas das margens do Rio Garonne, as vinhas de Côtes de Bordeaux desfrutam de condições ideais de sol para a produção de vinhos de qualidade. Os vinhos tintos (97% da produção) são frutados e expressivos com a uva Merlot como principal varietal utilizada.

O produtor responsável por este vinho é a Vignobles Yung, que sob a administração da família Yung há três gerações, engloba três Château (Grimont, Sissan e Montjouan) da região de Quinsac. Os vinhedos Yung estão localizados em diversas AOCs de Bordeaux: Cadillac - Côtes de Bordeaux, Bordeaux Clairet, Bordeaux Rosé, Bordeaux Blanc e Bordeaux Supérieur. Historicamente, o Château Grimont é a mais antiga e mais importante das três propriedades. Foi construído durante os séculos XVII/XVIII e já foi habitado pelo escritor Eugene Sue. Dizem inclusive que é este Château o preferido da família.

Já falando um pouco mais sobre o vinho, o Château Grimont Cuvée Prestige 2009, é feito a partir de um corte de 60% Merlot, 35% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc sendo que estas uvas são selecionadas das melhores parcelas dos vinhedos disponíveis no Château, fazendo com que o vinho tenha uma produção limitadíssima. Passa ainda por 12 meses de amadurecimento em barricas de carvalho. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma coloração rubi, com algum brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e incolores complementavam o conjunto visual.

No nariz o vinho mostrou aromas de frutas vermelhas em compota, caramelo e um tostado principalmente no fundo de taça.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos presentes e marcados. Retrogosto confirma o olfato e o final é de média para longa duração.

Showroom da importadora Smartbuywines

Um bom vinho com toda certeza, bem superior ao provado anteriormente e que a meu ver, pede uma situação mais especial. Deve combinar bem com um bom corte de carne na brasa, um churrasco. É bem guloso e ao mesmo tempo fresco. Este vinho foi provado no showroom da Smart Buy Wines em uma destas degustações que eles organizam aos sábados. Aliás, recomendo muito ambos, o vinho e a visita ao showroom da importadora.

Até o próximo!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Château Haut-Méthée 2009: Um vinho francês para o dia a dia

Confesso que sou um "aprendiz de feiticeiro" quando bebo e me envolvo com vinhos franceses. Tudo é muito complexo, muitos produtores, muitas apelações de origem, sub divisões e assim por diante. Nada que com estudo e dedicação eu vá resolvendo, pouco a pouco. Mas eis que a oportunidade surgiu e eu resolvi tirar este vinho francês da adega, um exemplar de Bordeaux, o Château Haut-Méthée 2009.


Tentando não parecer redundante, mas já o sendo (e peço desculpas por isso), vamos começar pelo "começo", devagar e sempre. O vinho em questão, o Château Haut-Méthée 2009, pertence a uma apelação mais geral, chamada simplesmente de Bordeaux. Nesta apelação, as uvas podem vir de quaisquer vinhedos compreendidos dentro da área demarcada de Bordeaux. Na teoria, um menor controle de qualidade é aplicado a vinhos produzidos nesta maneira. De qualquer forma, existem regras menos rígidas aplicadas a esta apelação. 

Não encontrei muita informação sobre o produtor, o Château Haut-Méthée, e  por isso vou direto ao ponto: falemos sobre o Château Haut-Méthée 2009. O vinho é um corte das uvas Merlot (predominante no corte, com 75%), Cabernet Sauvignon e Malbec. Amadureceu ainda por 8 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso e envelheceu por 4 meses na cave antes de ir para o mercado. Vamos então as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma cor rubi violácea de média intensidade e com ligeiro halo aquoso nas bordas. Lágrimas finas, rápidas e quase sem cor complementavam o conjunto visual. 

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos escuros, toques de especiarias (canela, cravo) e lembrança de tostado. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez na medida e taninos firmes porém de boa qualidade. Retrogosto confirma o olfato e o final é de curta para média duração.

Um vinho francês fiel a proposta, simples, para o dia a dia e que me pareceu bem gastronômico. Vale conhecer.

Até o próximo!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Nieto Senetiner Malbec DOC 2011: Um vinho argentino para o dia a dia

A história da Bodega Nieto Senetiner data de 1888, quando as primeiras vinhas foram trazidas e plantadas por imigrantes italianos, na província de Luján de Cuyo, em Mendoza. Desde então, ainda que de maneira familiar, a bodega prosperou e fora adiquirada em 1969 pela família Senetiner, atual proprietária da bodega. A bodega atua nos mais diversos segmentos de vinhos, sempre tendo algum destaque seja quando falamos de vinhos espumantes, vinhos brancos, vinhos rosés e/ou vinhos tintos. Esta vinícola argentina, uma das pioneiras no uso da Malbec em um vinho com denominação de origem na América Latina, é uma das vinícolas que mais entende do riscado quando se trata de Malbec.


O vinho em questão, Nieto Senetiner Malbec DOC 2011, é um varietal 100% Malbec de uvas cuja origem se dá em Lujan de Cuyo, em Mendoza, na Argentina. Estes vinhedos estão a mais de mil metros de altitude e alguns possuem mais de 50 anos de idade. O vinho passa ainda por 12 meses em carvalho francês para afinamento e envelhecimento. Vamos as impressões?

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de grande intensidade, bom brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutas vermelhas (cerejas mais notadamente), toques florais (pétalas de rosas), tabaco e algo de baunilha. Fundo de taça  ainda apresentou certo tostado.

Na boca o vinho mostrou corpo médio, boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma basicamente o olfato. Final de média duração.

Um típico exemplar de Malbec argentino (sem qualquer desdém em tal afirmação), bem feito e que é um bom custo benefício para o dia a dia. Deve agradar em cheio o paladar do brasileiro em geral. Me parece ser um bom curinga na cozinha, podendo encarar uma boa gama de pratos ao mesmo tempo que vai bem se bebido sozinho. Eu recomendo.

Até o próximo!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Encontro de Vinhos Ribeirão Preto: Saiu o Top 5!

E ontem foi mais uma noite de degustação, mais uma especial para eleger o Top 5 dos vinhos que participarão do Encontro de Vinhos em Ribeirão Preto. O negócio funciona mais ou menos assim: produtores e importadores selecionam amostras e encaminham para os organizadores, Daniel e Beto, que fazem mais uma seleção e chegam a um número próximo de 30 amostras (as vezes um pouco menos e as vezes um pouco mais). A partir dai entram em cena os degustadores (blogueiros, formadores de opinião de mídias impressas e virtuais, entre outros) e cada um degusta cerca de 15 amostras dos vinhos, dando suas notas. Os cinco vinhos com maiores notas são os vencedores. As degustações para o Encontro de Vinhos normalmente acontecem na Casa do Porto, loja e importadora de vinhos muito conceituada do mercado de vinhos em São Paulo. Segue abaixo a lista dos vencedores:

Vencedores do Top 5 ordenados da esquerda para a direita

Primeiro Lugar: Obra Prima Collection Gran Reserva Malbec 2010
País: Argentina
Produtor: Familia Cassone
Importador:

Segundo: Quinta da Romaneira Porto 10 anos
País: Portugal
Produtor: Quinta da Romaneira
Importador: Portus Cale

Terceiro lugar: Quinta da Romaneira Reserva 2008
País: Portugal
Produtor: Quinta da Romaneira
Importador: Portus Cale

Quarto lugar: Sottano 3S Reserva de Familia Cabernet Sauvignon 2009
País: Argentina
Produtor: Bodega Sottano
Importador: Max Brands

Quinto Lugar: Casilero del Diablo Devils Collectioin Reserva 2012
País: Chile
Produtor: Concha Y Toro
Importador: VCT Brasil

Dentre as amostras dos vinhos que provei, estavam os quatro primeiro lugares. E todos estiveram entre os meus preferidos com suas respectivas notas: 92, 93, 90 e 92 respectivamente. Vale ressaltar que o painel estava muito bem equilibrado e em um excelente nível: os organizadores e importadores/produtores capricharam desta vez.

Todos os vinhos estarão disponíveis para a prova no dia do evento, 17 de Maio, no Hotel JP. O evento com certeza será um sucesso, se nos basearmos no nível dos vinhos apresentados no Top 5. A quem for, aproveite e bons vinhos. Depois convido a deixar suas impressões por aqui ou na Fan Page do Facebook.

Até o próximo!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

É oficial: Estados Unidos é o país que mais consome vinhos no mundo!

Pelo menos é o que diz um recente artigo postado no website da revista Wine Spectator. Ainda segundo este artigo, o consumo de vinho nos Estados Unidos continuou a aumentar em 2013 à medida que mais americanos desenvolveram o gosto por vinho, enquanto a França, a Itália e até mesmo a China viram seus números de consumo baixarem. Os americanos consumiram 329 milhões de caixas de vinhos em 2013- um aumento de 1 por cento ao longo de 2012, e 18 por cento, ou 51 milhões de caixas de vinhos, em relação a 2005, levando os EUA agora ao topo do consumo de vinho do mundo em volume, de acordo com dados da Impact Databank.


Algumas projeções nos últimos anos colocaram os EUA no caminho certo para passar a França, com base no crescimento anual constante do consumo de vinho por lá, juntamente com o declínio da sede de vinho na maioria dos países europeus. Enquanto uma nova geração de americanos está abraçando vinho, alimentando especialmente o forte crescimento em segmentos como o vinho importado, vinho doce, vinho espumante e vinho rosé seco, os seus jovens colegas em culturas tradicionais do vinho como a França e a Itália estão menos entusiasmados.

Essa mudança geracional e uma economia em dificuldades, na maioria dos mercados da União Européia nos últimos anos levou a quedas constantes na Europa. O consumo francês caiu 7 por cento em 2013, 313000000 caixas, de acordo com a Impact Databank, uma publicação irmã da Wine Spectator, continuando uma queda de 14 por cento desde 2005. A Itália ficou em terceiro lugar, por enquanto, tem visto o declínio do consumo de 21 por cento desde 2005. Na quarta classificada, a Alemanha, a queda é de até 4 por cento, incluindo um aumento de 1,5 por cento ao longo de 2012, mas com a flutuação do consumo por lá na década passada.

Durante anos, a China tem sido um alvo para os exportadores de vinho. O consumo deste mercado em desenvolvimento subiu 38 por cento em volume, entre 2005 e 2012, enquanto a República Popular experimentava anos de crescimento econômico elevado, tornando-se o quinto maior mercado. Mas em 2013 viu a primeira recessão em anos, uma redução de 6 por cento a partir de 2012, para 187 milhões de caixas. Uma unidade de austeridade liderada pelo presidente Xi Jingping e um ceticismo crescente para os preços dos vinhos extravagantes entre a elite da China são consideradas as causas da queda.

Enquanto os EUA não é o principal país em consumo per capita, é agora o único país entre os cinco primeiros que mostrou aumento no consumo de vinhos a cada ano, desde 2000. Globalmente, o consumo de vinhos caiu no ano passado 1,7 por cento, para 2,6 bilhões de caixas, de acordo com o próximo relatório de Mercado de Vinho de  2013 do Impact Databank. Como o vinho continua a cativar os consumidores americanos, os Estados Unidos é o mercado com mais potencial em um futuro próximo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Vinícola Italiana Masi expandindo seus negócios em terras brasilis

A Vinícola Masi, com sua grande história ligada a região do Vêneto, na Itália, começou um forte movimento expansionista nos últimos anos, criando braços da empresa em outros lugares fora do Vêneto e subjacências, como Tupungato na Argentina. Com o nome derivado de um vale da região do Vêneto, o "Vaio dei Masi", aliás como não poderia deixar de ser, resolveu agora criar um vinho com sotaque italiano em solo brasileiro. E o parceiro escolhido aqui foi a Vinícola Vallontano, cujo enólogo Luís Henrique Zanini é também conhecido pela visão e forte ímpeto experimental (vide todo seu trabalho relacionado aos vinhos Era dos Ventos, por exemplo).


A aproximação entre ambas vinícolas, Masi e Vallontano, se iniciou ainda em 2006 quando os donos da Vinícola Masi, entre eles Sandro Boscaini, decidiu se embrenhar pelo mundo a fora, a procura de vinhedos e vinícolas que de alguma maneira tivessem alguma ligação ou criassem alguma lembrança relacionadas ao seu Vêneto querido. Como sabemos, o sul do país e principalmente a região vitivinícola do Vale dos Vinhedos e adjacências tem uma forte ascendência do norte da Itália então não é difícil entender o por que da escolha por nosso país como um dos focos deste projeto de internacionalização da Masi. O projeto de um vinho elaborado com o processo nos mesmos moldes do processo para produção dos grandes amarones (passificação/secagem das uvas) dava início então em 2007. A idéia aqui é expressar através de tal processo o terroir brasileiro e explorar todas as possibilidades que isto abria. E não pensem que isto foi fácil e rápido. Para chegarem a composição final do vinho com as uvas tannat, teroldego e ancelota e algumas outras castas (não reveladas ainda), muita coisa foi testada quase que de forma artesanal.

Extraoficialmente o vinho, batizado de Oriundi, deu suas caras no último evento da importadora Mistral, o Encontro Mistral 2014. Existe a expetativa, no entanto, que a apresentação oficial do vinho para o mercado ocorra apenas no mês que vem, com a presença do pessoal da Masi aqui em nosso país. Ainda não conheço o vinho, mas se mantiver o patamar de qualidade que os vinhos com o sobrenome Masi costumam carregar, não vejo como não dar certo. Só nos resta aguardar.

De qualquer forma, desejo o maior sucesso na empreitada ao Zanini e aos seus parceiros, pois além de tudo, é o nome do vinho brasileiro que está em jogo e mais do que nunca, apesar de ter uma visão um pouco diferente em determinados aspectos quando falamos de vinho brasileiro, espero vê-lo brilhar no mercado interno e externo.

Até o próximo!

Uva Tempranillo: Um lugar na América para chamar de lar?

Pelo menos é isso que Marimar Torres, representante local na Califórnia, da família de enólogos e viticultores Torres, naturais da Espanha, anda dizendo por aí. Os primeiros sinais sugerem que a casta Tempranillo poderia encontrar uma nova casa em Sonoma County, no norte da Califórnia. E o que pode confirmar (ou quem sabe negar) estas palavras vai ser a safra 2013 no Miramar Estate, que está cercada de grande expectativa. Depois de muita experimentação com apenas 400 videiras de Tempranillo na área conhecida como Russian River Valley, em Sonoma, na maior parte da última década, Marimar Torres acredita que a qualidade é  boa o suficiente agora para produzir um vinho varietal com base na uva Tempranillo.


A uva Tempranillo tem visto um aumento mais acentuado em seu plantio de forma global do que qualquer outra variedade de uva na última década, de acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália. Entretanto ainda é uma novata na Califórnia, e os números da indústria mostram que representa menos de 1% da área total de vinhas plantadas do estado. Sua maior parcela pode ser encontrada na área de Central Coast, mas a família Torres plantou a uva Tempranillo na região de Russian River em 2004 e começou a misturá-lo com 80% de Syrah em 2007, utilizando-se o vinho da safra de 2005.

Atualmente a família Torres, em seu Miramar Estate, possui apenas 0,4ha de Tempranillo plantados num vinhedo chamado Don Miguel na  sub-denominação Green Valley  (pertencente a Russian River), mas a intenção de plantar mais vinhas no próximo ano é real por lá. É provável que isso signifique que um vinho varietal com a uva Tempranillo não chegará ao mercado nos próximos quatro anos, afinal de contas você tem que ser paciente e esperar uma vida longa, porque leva tempo para uma videira começar a  dar bons frutos e com consistência.

Marimar Torres é uma acionista da empresa espanhola Torres ao lado de outros membros da família, incluindo seu irmão, Miguel , mas ela sempre dirigiu o Marimar Estate separadamente desde primeiras videiras plantadas na Califórnia em 1986. Mas nunca deixou de ficar de olhos bem abertos aos negócios da família.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Champagne Louise Brison Millésime 2005: Comemorações com estilo!

O final de semana foi recheado de bons motivos para comemorar: o aniversário da minha esposa havia sido na segunda feira anterior e no domingo teríamos o dia das mães. Então, nada como homenageá-la de uma vez só mas com grande estilo. Aproveitamos para sairmos e irmos jantar fora e levei junto a tira colo uma garrafa deste champagne, o Champagne Louise Brison Millésime 2005, afinal de contas, momentos especiais ao lado de pessoas especiais merecem nada menos do que vinhos especiais.


O Champagne é o vinho espumante mais conhecido do mundo, e a técnica de vinificação a mais original do mundo. O primeiro vinho da região foi elaborado há 2000 anos e, já na Idade Média, era muito famoso. A sagração dos Reis da França na catedral de Reims e a proximidade de Paris ajudaram a desenvolver as formidáveis oportunidades desse vinhedo. Na época do batismo de Clovis em 498, não era ainda o mesmo tipo de vinho que temos o prazer de tomar hoje em dia, era um vinho tinto e tranqüilo. Não tão tranqüilo, portanto, pois umas borbulhas faziam explodir as garrafas. O monge Dom Pérignon conseguiu entender o processo dessa segunda fermentação e afinou o “méthode champenoise” no fim do século XVII.

O Domaine familiar "Champagne Louise Brison" situa-se em Noé Les Mallets, no departamento Aube, onde cultiva 13 hectares de vinha AOC Champagne. O Domaine é produtor de Champagnes millésimés de grande tradição que são maturados em barris de carvalho e envelhecidos em caves durante 5 a 6 anos. As vindimas são totalmente manuais e a seleção dos cachos de uvas se faz na parcela. Produzido a partir de um corte de 50% Chardonnay e 50% de Pinot Noir, este exemplar de champagne é chamado de Millésime por um motivo: possui a safra escrita no rótulo o que normalmente indica ser um champagne de qualidade diferenciada, uma vez que isto só é feito quando o produtor considera que teve uma safra excepcional. Vamos as impressões?

Na taça o champagne apresentou uma bonita cor amarelo dourada, brilhante e muito bonita. Borbulhas minúsculas, persistentes e em boa quantidade.

No nariz o champagne abriu com notas de frutas como pêssego e abacaxi, seguidos de aromas de nozes, mel, panificação e algo sutil de flores. Bastante complexidade e muito fragrante.

Na boca o champagne se mostrou gordo, suculento e com uma boa acidez. O retrogosto confirma o olfato sem grande dificuldade, com a mesma complexidade mas com uma elegância ímpar e o final é longo, deixando um delicioso sabor no palato.

Uma noite incrível, um jantar inesquecível e um champagne pra lá de bom. Assim é que se comemora! Ainda bem que a vida proporciona estes momentos não?

Até o próximo!

Encontro de Vinhos: A hora e a vez de Ribeirão Preto

O Encontro de Vinhos desembarca em Ribeirão Preto mostrando que cerveja e vinho podem e devem se complementar


Ribeirão Preto será palco para o maior evento de vinhos itinerante do país. Adotando o conceito Road show, o Encontro de Vinhos visita as maiores capitais do Brasil levando para estes locais o que há de melhor no mundo do vinho. 


Somente duas cidades de interior fazem parte do calendário de eventos e uma delas é Ribeirão Preto. Conhecida pelo seu potencial enogastronômico e pela cultura no consumo de cerveja, a cidade oferece um público conhecedor da boa mesa uma ampla gama de bares e restaurantes. É nesse palco que o vinho pretende alavancar o consumo e se tornar excelente opção aos apreciadores da cerveja e do chopp.

O evento, que foi sucesso ano passado, pretende alcançar na sua quinta edição, a marca de 600 convidados. Serão mais de 200 rótulos disponíveis para degustação, que acontecerá dia 17 de maio no Hotel JP a partir das 14h.

A Miolo marcará presença com uma ilha de espumantes, onde o visitante poderá degustar todo o seu portfólio de produtos e escolher a melhor opção para levar para casa.

Estão confirmados como expositores: Miolo, Ideal Drinks, Devinum, Portus Cale, Enocultura, Valduga, Domno, Aurora, Max Brands, Perini, Basso, Routier Darricarrère, Carmelo Pati, Decanter, Interfood, Família Cassone, Winefit, Brastemp e Queijo d'Alagoa.

Os convites podem ser adquiridos pela internet (www.encontrodevinhos.com.br) ou no local pelo valor de R$ 60,00. Sócios ABS-São Carlos possuem 50% de desconto.

Segue resumo das informações:

Encontro de Vinhos Ribeirão Preto 2014
Data: 17 de Maio
Local: Hotel JP – Rodovia Anhanguera, KM 306,5 – Ribeirão Preto, SP
Horário: das 14h as 22h
Convite: R$ 60,00

Ainda restam dúvidas? Acessem www.encontrodevinhos.com.br e façam contato.

Até o próximo!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ainda falando sobre armazenamento de vinhos: qual a temperatura ideal?

Vira e mexe, quando estamos falando de vinhos e seu correto armazenamento, uma pergunta é recorrente: qual a temperatura correta para o armazenamento dos meus vinhos? Ou ainda algo do tipo: devo manter meus vinhos armazenados a temperaturas iguais aquelas recomendadas para o serviço? Será que este tipo de armazenamento pode estragar os vinhos se ficarem assim por um longo período de tempo?


A resposta mais curta e grossa para a resposta é não, se você mantiver seus vinhos armazenados a mesma temperatura a qual estes devem ser servidos, seus vinhos não irão estragar. E pense nisso como sendo uma opção muito melhor, se é que existe a segunda opção, que é mante-los sem qualquer controle de temperatura.

Quando se trata de vinho, enquanto não existe tecnicamente uma diferença grande entre temperatura de serviço e de armazenamento, falando em termos globais, elas são bastante semelhantes. A temperatura recomendada para o armazenamento de todo os tipos de vinho é uma constante de 12 graus Celsius aproximadamente. Há muita experiência com o armazenamento de vinho por volta dessa temperatura, por isso que sempre é mencionada como a temperatura ideal.

Já a temperatura de serviço dos vinhos atende principalmente a dois fatores: o tipo de vinho em questão e o gosto pessoal. Normalmente os vinhos espumantes são servidos entre 6 - 8 graus, vinhos brancos são servidos entre 8 - 12 graus enquanto que vinhos tintos são comumente servidos entre 12 - 18 graus. Para contextualizarmos, considere também como temperatura ambiente entre 18 e 20 graus.

É preciso ainda termos em mente que mais importante do que a temperatura baixa, a estabilidade desta temperatura ao longo do tempo é mais importante ainda. Oscilações muito grandes ou frequentes podem fazer com que um vinho envelheça e/ou evolua de forma mais rápida ou ainda pode causar o ressecamento da rolha, oxidando o seu vinho.

É claro que essas são dicas genéricas, algumas podem ser adaptadas ou modificadas de acordo com a disponibilidade de acessórios e/ou locais onde você queira armazenar seus vinhos. Você tem alguma outra dica e/ou informação interessante? Deixe um comentário ao final deste post.

Até o próximo!

Éden Vinoteca Apresentou Vinhos Chilenos da Viña Ventisquero

Sábado foi dia de fazer um mini tour enofílico e visitar lugares que eu já conhecia mas que a alguma tempo não visitava mais (sejam quais forem os motivos) e também de visitar lugares que eu ainda não conhecia mas a algum tempo já tinha a intenção de visitar. E a primeira parada do dia foi na Éden Vinoteca, boutique de vinhos e bebidas em geral, localizada próxima ao bairro do Paraíso, em São Paulo que sob a batuta da Dna. Cecília (proprietária) trouxe o Nicolás Farias, Embaixador da Marca da Viña Ventisquero para a América Latina, para apresentar alguns vinhos chilenos da marca.


Anteriormente conhecida como DO Brasil, a boutique Éden Vinoteca era originalmente  focada em vinhos brasileiros, mas segundo a proprietária, por falta de apoio e parcerias com os produtores nacionais, resolveu ampliar seu portfólio e buscar amparo em vinhos importados. E tem tido melhor resposta com as parcerias com importadoras como a Cantu (que trás os vinhos chilenos da Viña Ventisqueiro para o Brasil).

Nicolás apresentou um pouco da história da Viña Ventisquero, uma velha conhecida do público brasileiro, seja pela grande variedade de vinhos disponíveis mas também por uma inegável qualidade associada a estes. A vinícola começou suas atividades em 2000 e desde então com o lançamento de cada novo vinho, vem se consolidando como um grande player no mercado. Hoje a vinícola possui vinhedos em todas as grandes regiões vitivinícolas do Chile: Maipo, Casablanca, Leyda e Colchágua. Foram 4 vinhos apresentados por ele, dois vinhos da linha Queulat Single Vineyard e dois vinhos da linha Grey. Os primeiros (linha Queulat) são a criação do enólogo Sergio Hormazabal, que tira o nome de seus vinhos da maior geleira pendurada do sul do Chile, e que trás a denotação de imponência e elegância aliadas. São vinhos cujos frutos vem de vinhedos específicos, selecionados em cada terroir chileno disponível. Já a linha Grey exemplifica o conceito de terroir, feito pois a identidade de cada uva vem de blocos específicos dentro de determinado vinhedo da região do Alto Maipo, Casablanca e Apalta. Como de praxe por aqui, destacarei os vinhos que mais me agradaram.


O primeiro vinho que chamou minha atenção foi o Ventisquero Grey Syrah 2010. Este é um varietal feito com 100% de uvas Syrah do Vale do Colchágua cuja altitude tem aproximadamente 350 metros acima do nivel do mar. O vinho, após todo processo fermentativo, passa por 18 meses de barricas de carvalho das quais apenas cerca de 30% são de primeiro uso. Na taça o vinho apresentou coloração violácea de grande intensidade, com bom brilho e lágrimas finas, rápidas e coloridas. No nariz aromas de frutos vermelhos silvestres, pimenta e baunilha. Na boca um vinho de corpo médio para encorpado, boa acidez e taninos firmes mas prontos para serem consumidos. Final de média para longa duração. Belo Syrah de média gama este da Ventisquero.


E por fim, o outro vinho que chamou minha atenção, este meu preferido de longe: o Ventisquero Grey GCM 2012. Este vinho é um corte feito a partir das uvas Garnacha (grenache), Cariñena (Carignan) e Mataro (Mourvédre), ao melhor estilo Languedoc ou semelhante ao Rhone, na França. O vinho passar por ligeiro estágio de 6 meses em barricas de quinto uso, com o claro intuito de preservar a fruta. Na taça o vinho se mostrou de coloração violácea de média intensidade, bom brilho com lágrimas finas, rápidas e coloridas. No nariz o vinho apresentou notas de frutos vermelhos frescos, notas terrosas e de especiarias (pimentas). Na boca o vinho se mostrou de médio corpo, boa acidez com taninos macios e suaves. Final de média para longa duração. Um vinho delicioso, despretensioso e que deve ser daqueles cuja garrafa seca bem diante dos nossos olhos.

Grande oportunidade de conversar com o Nicolás, de conhecer alguns vinhos interessantes e de passear num sábado. Eu recomendo, caso não conheçam, que provem os vinhos chilenos da Viña Ventisquero citados acima, vale a prova.

Até o próximo!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Degustação de Vinhos Africanos na Vinhos de Bicicleta

Ontem a noite tive a oportunidade de participar de uma degustação bem bacana com vinhos africanos preparada pela Vinhos de Bicicleta, em São José dos Campos. A idéia principal da degustação era difundir um pouco mais os vinhos sul africanos, não tão bem conhecidos por aqui, e mostrar que existem diferenças de terroirs por lá também o que gera vinhos diferentes mesmo utilizando-se a mesma casta. E olha que a história vitivinícola africana é muito antiga, remetendo às tradições do Velho Mundo mas com a cara bastante influenciada pelos estilos do Novo Mundo.


A Vinhos de Bicicleta nasceu primeiramente como um clube de vinhos, depois de uma viagem de seu fundador, Rodrigo Ferraz, a Mendoza na Argentina. Esta viagem tinha como foco bodegas de pequeno porte, as chamadas bodegas boutique ou familiares (já falei sobre isso aqui) e a atmosfera intimista com os vinhos artesanais de cada lugar. Rodeado de história, aromas e sabores, inebriado pela paisagem percorrida, Rodrigo veio com a idéia de fundar um clube de vinhos com foco neste estilo de vinho, e começou a garimpar exemplares ao redor do mundo. Algum tempo depois conseguiu ainda abrir uma loja física com espaço para eventos/degustações e voilá, lá estávamos na sede da Vinhos de Bicicleta. E devo dizer que a loja física deles é muito bacana, uma boa seleção de rótulos, espaço aconchegante e muito bem localizada em São José dos Campos, no interior de São Paulo.


Todos os vinhos da noite seriam oriundos de uma região africana conhecida como "Western Cape", área esta litorânea mais ao sul do país que inclui a famosa Cidade do Cabo (sua capital) e que dentre outras características, é bastante influenciada pelas correntes marítimas vindas principalmente do Atlântico. Possui ainda solos graníticos na proximidade com o litoral o que acaba por transmitir ao vinho certa mineralidade. Passando aos vinhos degustados, postarei a seguir minha impressão sobre cada um deles. Vamos lá?


O primeiro vinho da noite foi o Out of Africa Pinotage 2012. Este vinho é da vinícola African Terroir, que possui diversas linhas de vinhos, mas talvez a mais conhecida no Brasil seja sua linha de entrada, a Tribal. O vinho em questão é um exemplar feito 100% com uvas Pinotage (cuja origem já foi discutida aqui) colhidas no período noturno(o clima notoriamente mais frio evita que a fermentação das uvas comece antes da entrada na adega). Ao que tudo indica não passa por madeira. De coloração violácea bem intensa, o vinho não apresentava qualquer halo de evoluação e denunciava sua jovialidade, contando ainda com lágrimas finas, rápidas, coloridas e abundantes. Aromas de frutos vermelhos silvestres e toques florais. Com algum tempo em taça evolui para compota de frutos vermelhos e algo de chocolate. Na boca o vinho tinha corpo leve para médio, acidez bastante pronunciada e taninos bem fininhos. Final de média duração com um leve toque mineral perceptível. Me pareceu um vinho bem gastronômico, apesar de estar um pouco desequilibrado, mas com tendência a evolução.


O segundo vinho provado foi o Quantum Pinotage 2011, vinho este que também é feito com uvas Pinotage só que desta vez nas mãos da cooperativa Du Toitskloof Winery. A cooperativa se estabeleceu em meados dos anos 60 com cerca de 6 produtores mas atualmente este número já supera os 20 cujos vinhedos estão todos dentro de um raio 10 quilômetros da adega. Está localizado perto da cidade de Rawsonville no vale do Rio Breede. Este já passa por 8 meses de barricas. A coloração não muda muito do primeiro vinho. Nos aromas a diferença é mais pronunciada, com aromas de frutas em compota, chocolate, baunilha e toques terrosos. Apresenta mais corpo, acidez mais regulada e taninos macios. Mais equilibrado que o anterior. O final decepciona, passa rápido pela boca. Não evolui muito com o tempo em taça. Declínio é rápido.


O terceiro vinho da noite foi o BlouVlei Red Blend 2008, quando a coisa começou a se tornar mais séria e deveras interessante. Este vinho é um corte das uvas internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, ShirazCabernet Franc produzido pela Mont du Toit Kelder. Seus vinhedos estão aos pés do monte Hawequa. Este vinho já passa por 18 meses em barricas de carvalho francês. A coloração já acusa um pouco da idade, sendo que o vinho mostrou cor rubi sem brilho e com certo halo tendendo ao granada. Lágrimas já quase incolores. Aromas de frutos negros e vermelhos em compota, chocolate, baunilha, pimenta e toques animais (couro). Na boca uma surpresa, encorpado, taninos mais presentes e acidez na medida. Retrogosto com algo vegetal, distanciando o paladar do olfato. Vinho interessante e saboroso. O preferido da noite, sem dúvida.


E chegamos ao último vinho da noite, o Roodeberg Red Blend 2010, vinho este produzido pela KWV que também é uma cooperativa de produtores da África do Sul. No entanto, a própria KWV incentiva e permite que cada produtor mantenha as características dos seus vinhos, criando a possibilidade de se mostrar as características de cada pedacinho de terra da região. Este vinho nasce assim, um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Petit Verdot. Passa por 10 meses em barricas. Apresentou coloração violácea de boa intensidade, brilho e lágrimas finas e ligeiramente coloridas. Aromas de compota de frutas vermelhas e escuras, pimenta, chocolate e algum tostato. Vinho encorpado, taninos marcados e com boa acidez. Retrogosto confirmando o olfato. Final de longa duração. Grande vinho sem dúvidas.

Ao final a noite, depois também de aproveitarmos uma mesa com azeites, queijos e antepastos especialmente preparados para o evento, com o intuito de harmonizarmos com os vinhos, era hora de nos despedirmos de mais um evento sensacional. Além dos bons vinhos, pude conhecer pessoas interessantes como o próprio Rodrigo, proprietário da loja, ou Raul, português que trabalha trazendo vinhos lá da terrinha e desaguando por aqui. Ainda quero ter a oportunidade de provar seus vinhos. E espero também ter a oportunidade de visitar a Vinhos de Bicicleta novamente em breve. Eu mais do que recomendo!

Até o próximo!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Miolo Merlot Terroir 2011: Vinho brasileiro de ponta!

Muito já falei por aqui a respeito dos vinhos brasileiros, suas qualidades, defeitos, minhas opiniões a respeito e o que eu penso ser nossa grande falha dos nossos produtores: o trabalho falho na divulgação dos vinhos brasileiros para o nosso próprio mercado e algumas vezes o preço não muito competitivo de alguns exemplares. Mas não vim aqui hoje para falar disso mais uma vez, vim somente para exaltar um vinho que provei nos últimos dias e que ganhou o meu respeito: o Miolo Merlot Terroir 2011


Falar novamente sobre a Vinícola Miolo por aqui seria cansativo e desnecessário, tendo em vista que é uma das maiores vinícolas nacionais e muitos de nós já conhecemos um pouco de sua história e suas linhas de produtos. Além disso já degustei diversos vinhos deles por aqui. Falemos então do vinho alvo do post, que a meu ver será mais produtivo e interessante. 

O Miolo Merlot Terroir 2011 é elaborado pela Vinícola Miolo com a variedade tinta emblemática do Vale dos Vinhedos, a Merlot (existem controvérsias a este respeito), colhidas das melhores parcelas dos vinhedos da família. Além disso, permanece 1 ano maturando em carvalho Francês e mais 1 ano envelhecendo em garrafa antes da comercialização. Pertence a uma reserva limitada, por safra são elaboradas apenas 18.000 garrafas, todas numeradas. Infelizmente cometi um deslize e não anotei qual era o número da minha garrafa. Enfim, vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma bonita cor violácea de média intensidade, bom brilho e alguma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas complementavam o aspecto visual.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos com cerejas em evidência, toques de pétalas de rosas, chocolate amargo e baunilha. 

Na boca o vinho apresentou corpo médio tendendo a encorpado, boa acidez e taninos macios. Retrogosto confirma o olfato. Final de média para longa duração.

Mais um grande vinho brasileiro que descubro, que na sua faixa de preço (comprado no varejo da vinícola por 80 dinheiros aproximadamente) dentro do mercado nacional pode sim competir com alguns exemplares importados. Veja, não estou comparando com nenhum outro vinho nem dizendo que é melhor que outros, apenas estou dizendo que tem qualidades para competir em sua faixa de preço dentro de nossa realidade de preços e mercado. Eu recomendo.

Até o próximo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Dica de Leitura: Vinhos da Itália por Alessandra Esteves

Essa dica vale para todos aqueles que querem se aventurar pelo mundo do vinho italiano e buscam informação de qualidade e com conhecimento de causa. Na próxima sexta feira, 09 de maio, a competentíssima Alessandra Esteves, mais conhecida sobre a alcunha de Dama do Vinho, lança seu primeiro livro (em formato eletrônico), o Vinhos da Itália: O Guia Definitivo para Você Entender os Vinhos Italianos.


Esta publicação contará em 92 páginas a história da vitivinicultura, das castas, dos produtores e regiões italianas além de contar um pouco da história da autora e como ela se aventurou pelo mundo de Bacco. O livro vem em formato digital e pode ser baixado e lido nas mais diversas plataformas (Ipad, Iphone, Kindle, etc.). E o melhor de tudo, por um preço pra lá de convidativo: USD 2,99.


Mas quem é a autora? Alessandra Esteves tem 36 anos, é advogada, mãe de dois meninos, e apaixonada por vinho. É especialista em Direito Empresarial e mestre em Direito, Política e Economia pela Universidade da Basiléia, Suíça. Certificada em vinhos e destilados pela WSET nível 3 além é claro de ser a editora do blog Dama do Vinho.

SERVIÇO:

Lançamento do livro: Vinhos da Itália: o guia definitivo para você entender os vinhos italianos.

Data: sexta-feira, 9 de maio de 2014 às 9 hs (horário de Brasília)

Valor: $2,99 (valores entre R$ 6,64 e R$ 6,99, dependendo do site)

Lojas: disponível na Amazon (versão Kindle e computador), Saraiva, Kobo store e Apple store (para Ipad, Imac e Iphone).


Para maiores informações acessem: http://www.damadovinho.com.br/lancamento-do-meu-primeiro-livro-vinhos-da-italia/ . Estou com minha cópia em mãos e aprendendo cada vez mais. Eu recomendo.

Até o próximo!

Marques da Casa Concha Cabernet Sauvignon 2011: Vinho chileno no blog!

Falar sobre os vinhos da Concha Y Toro pode até ser fácil, mas não deixa de ser prazeroso. Eu vivo dizendo a quem me pergunta sobre com qual vinho deve se iniciar neste mundo de Bacco, tão cheio de nuances, que este vinho deva ser o Casillero Del Diablo, vinho da mesma casa, e que a partir daí pode ir subindo o nível dos vinhos que a Concha Y Toro terá vinhos que podem agradar a todos os paladares. E este é também o caso do Marques da Casa Concha Cabernet Sauvignon 2011, vinho que está situando numa zona intermediária quando falamos das linhas de vinhos produzidas por eles.


Ir além do que foi dito no primeiro parágrafo e tentar reproduzir a história desta gigante do mundo vitivinícola mundial nas linhas que se seguem me parece ser um erro, uma vez que sua história e linhas de produtos é devidamente conhecida e divulgada no mercado brasileiro de vinhos. Deixemos então de lados as "apresentações" sobre a Concha Y Toro e passemos a falar do vinho em si. O Marques da Casa Concha Cabernet Sauvignon 2011 é feito com 100% de uvas Cabernet Sauvignon provenientes do vinhedo chamado Puente Alto, no Vale do Maipo (Chile), numa região considerada a mais fria do vale, ideal para a maturação mais lenta da casta. Depois de todo processo fermentativo, o caldo vai para barricas francesas aonde permanece ainda por 18 meses. Vamos as impressões?

Na taça o vinho mostrou uma bonita e potente cor violácea, com bom brilho e quase sem transparência. Lágrimas finas, de velocidade moderada e coloridas ajudavam a tingir as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos, eucalipto, tabaco e toques de baunilha. Ao fundo da taça um pouco de tostado também se fez notar.

Na boca o vinho era encorpado, possuía boa acidez e taninos macios e redondos. Retrogosto confirma o olfato. Final de longa duração.

O vinho por si só já mostrou excelente qualidade e somando-se a isso tem o fato de ter sido adquirido no Chile e por lá o seu preço compensa muito. Casou bem com um prato de medalhões de filé mignon ao molho de páprica com batata. Eu recomendo!

Até o próximo!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Morada Vineyards Old Vine Zinfandel 2011: Vinho americano agora!

Ainda oscilando entre o frio e o calor, a capital de São Paulo nos proporciona várias oportunidades para consumirmos vinhos das mais variadas facetas, de espumantes a tintos encorpados, passando pelos deliciosos vinhos de sobremesa também. E foi em uma destas oportunidades em que a temperatura caiu bem e tivemos a idéia de comermos um belo fondue de carne ao vinho, que o Morada Vineyards Old Vine Zinfandel 2011 saiu da adega e foi pra mesa. Todos que me acompanham por aqui já sabem de minha predileção por vinhos feitos a partir desta casta, dada a sua usual volúpia, potência e sabores inconfundíveis, além de sua grande versatilidade e facilidade de se beber. Entretanto a maioria deve dar risada quando escrevo estas coisas, afinal de contas vinhos com a casta Zinfandel usualmente são relegados a um segundo plano. De qualquer maneira, é assim que vamos hoje.


Os vinhedos da Morada Vineyards estão localizados na famosa região de Lodi, região esta reconhecida por suas vinhas velhas de Zinfandel, sendo que para elaborar seus vinhos, a Morada Vineyards seleciona as uvas de videiras com idades médias superiores a 40 anos de idade. Apesar de ser considerado um varietal (permitido por legislação), este vinho é um corte de 82% de Zinfandel, 12% de Petite Sirah e 6% de Merlot. O vinho é fermentado em tanques de inox, sendo que 50% do mesmo é colocado para amadurecimento em carvalho francês e americano (não sei por quanto tempo, entretanto). Possui 13,5% de álcool. Vamos as impressões.

Na taça o vinho apresentou uma coloração violácea de grande intensidade, algum brilho e quase nenhuma transparência. Lágrimas finas, rápidas e ligeiramente coloridas tingiam as paredes da taça.

No nariz o vinho apresentou aromas de frutos vermelhos com ameixas em evidência. Toques de chocolate.

Na boca o vinho apresentou corpo médio, acidez interessante e até mais evidente do que costumamos ver nestes vinhos e taninos finos e redondos. Entrada de boca com sensação leve de doçura. Retrogosto confirma o olfato. Final seco de média duração.

Mais um belo exemplar da casta Zinfandel com o plus de ser um pouco mais em conta que os outros que tenho provado. Este também é trazido pela SmartBuy Wines e me foi apresentado pelo clube de vinhos da importadora. Eu recomendo!

Até o próximo!